O mercado está pouco ligando para Temer, só se interessa em fortalecer Meirelles

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Candidatíssimo, Meirelles está de olho em 2018

Carlos Newton

Na Praça dos Três Poderes, Henrique Meirelles se destaca como a eminência parda do governo. Entrincheirado no Ministério da Fazenda, de onde domina toda a equipe econômica e comanda as reformas, ele sente que seu sonho de chegar à Presidência pode se realizar. Na verdade, Meirelles não fez nenhum milagre, a recuperação da economia só está ocorrendo porque a recessão bateu no funco do poço e agora a tendência é ir melhorando, pois não existe crise eterna.

DADOS POSITIVOS – Com o consumo em retração, há falta de demanda e a inflação está em queda, os juros podem ser diminuídos, o PIB enfim se estabilizou e dá tímidos indícios de retomada, até a indústria já parece que vai respirar sem aparelhos.

O posicionamento de Meirelles é cauteloso – por enquanto, quer distância da política. Se houver crescimento econômico e o desemprego for reduzido, o ministro sabe que sua candidatura pelo PSD poderá decolar, no embalo do crescente descrédito da classe política. Sabe também que a crise que corrói os três Poderes não o afeta, pessoalmente. Pelo contrário, até o beneficia. Por isso, mantém-se fora do tiroteio e trabalha para agradar ao mercado.

NENHUMA MUDANÇA – Após um ano no comando da política econômica, Meirelles não fez nada de positivo, nenhuma mudança estrutural, mas adotou uma estratégia que desde o início lhe trouxe resultados positivos – a política do medo, que atribuiu a estagflação e o alto desemprego na gestão Dilma a um suposto déficit da Previdência e a entraves das leis trabalhistas, quando na verdade a crise foi motivada sobretudo pelo descontrole da dívida pública e pelas desonerações tributárias.

Além disso, é sabido que o déficit da Previdência foi agravado não só pela recessão, mas também pela terceirização e pela pejotização, que possibilitam sonegação do INSS e do Imposto de Renda. Portanto, diga-se de passagem e a bem da verdade. que  as leis trabalhistas nada tinham (nem têm) a ver com a crise, o que não significa que não devam ser aprimoradas.

TESES DE MEIRELLES – As duas reformas – Previdência e CLT – são obra exclusiva de Meirelles, que amedrontou Temer e as bancadas de centro e da direita. Como se sabe, os políticos têm horror de mexer com conquistas sociais, sabem que isso tira votos. Meirelles, porém, não está nem aí. Trabalha para o mercado, e preferencialmente para os banqueiros, cujo objetivo é inflar a Previdência Privada, que não garante os mesmo direitos da Previdência Estatal, não há nem comparação. Por exemplo, quando o segurado da Previdência Privada fica inválido e não pode mais contribuir, o problema é dele.

Enquanto Michel Temer se torna o governante de menor aceitação no mundo inteiro, o ministro politicamente se fortalece. Assim que Temer balançou no caso JBS, Meirelles fez questão de dar entrevista dizendo que não sairia do Ministério da Fazenda, não importa quem substituísse Temer, vejam como ele se considera insubstituível.

EM CAMPANHA –  Meirelles é antenado, sabe a importância absurda que terá a internet na próxima eleição. Por isso, no último dia 5, justamente na véspera do julgamento de Temer no TSE, o ministro foi logo colocando sua campanha nas ruas. Criou uma conta no Twitter, em duas horas, conseguiu 3.970 seguidores e virou trend topic nacional, em nono lugar, com 1.738 citações.

Em seu primeiro post, o ministro disse: “Boa tarde, meu nome é Henrique Meirelles e este é o meu perfil no Twitter. Pretendo usar este espaço para debater os rumos do Brasil”. E, logo em seguida, ele avisou que estaria fora do país: “Estou em Paris, representando o Brasil na reunião ministerial da #OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico)”.

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PS – Há muitos pré-candidatos à sucessão de Temer em 2018. Quanto mais dividida for a disputa, melhor para Meirelles, que tem apoio financeiro das grandes corporações nacionais e estrangeiras. Além disso, ele correrá na promissora faixa do “candidato apolítico”. Nesse particular, seu principal adversário seria João Doria, que teria de deixar a Prefeitura em abril, praticamente sem mostrar grandes resultados, e desalojar Geraldo Alckmin no PSDB . O mais provável é que Meirelles e Doria se acertem. Mas há também a possibilidade de que se enfrentem e se destruam. Tudo é possível aqui na Tropicália. Depois a gente volta ao palpitante assunto. (C.N.)

 

18 thoughts on “O mercado está pouco ligando para Temer, só se interessa em fortalecer Meirelles

  1. Meirelles não chegará lá, mesmo com todo apoio do mercado ou do sistema que domina os poderes da república. Palocci pode derrubar alguns pilares desse sistema e mostrar a face dos Meirelles da vida que prostitui os poderes.

  2. Bom dia articulista!Nada a ver com o artigo, não esqueça que nesta data, faleceu o jornalista Jorge Bastos Moreno, que descanse em paz, cordiais saudações!

  3. O Dória encerrou a carreira política, ontem, quando continuou no PSDB e dando apoio ao governo Temer. Faltou imaginação ou é mais do mesmo?

  4. Aqui no bananal tudo se avacalha, principalmente as variantes políticas que costumam governar os povos.
    Aqui a esquerda, sem luta armada ou qualquer outra solução traumática, recebeu o poder das mãos do povo e quando se pensava que partiríamos para um socialismo clássico, percebemos que tomamos o bonde errado.
    Vimos foi instalação da maior cleptocracía da história da humanidade.
    Agora vemos o sistema de governo no Brasil, se assemelhar a um presidencialismo capenga, onde o verdadeiro poder esta nas mãos de um primeiro ministro “oficioso”, livre de qualquer “voto de desconfiança” do parlamento, enfim, o chefe de governo não tem chefe, pelo menos aparente.
    Enquanto o “chefe de estado” o Temer faz malabarismos, o “chefe de governo” o Meirelles, nada de braçadas, sem prestar contas a ninguém, que não seja o “deus” mercado.
    Acho que o Temer é na verdade um “boi de piranhas”, enquanto atrai as atenções, o poder econômico transforma a economia e o mais interessante, é que parece que a coisa começa a funcionar.
    Os tais “poderes constituídos” parecem não mais
    exercerem sua funções, se tornaram obsoletos, como em os Lusíadas, sessai tudo que a musa a musa antiga canta, que um valor mais se levanta.
    Estamos vendo os políticos a se engalfinharem, mas para que? Para nada, diria Cervantes.
    Acho que essa lambança de lava jato, vai cuidar apenas do passado, do futuro, esta o Meirelles e os mercados a fazer as transformações, parece que necessárias.
    Tenham a certeza que que nenhum regime de governo e político que existe no mundo, vá um dia dar certo no Brasil. Somos diferentes.

  5. A economia não foi a pique porque ainda tem confiança em Henrique Meirelles, se fosse Michel Temer já estaríamos no buraco, mas o mercado internacional tem confiança nele, pois tem bom relacionamento com o mercado, mas faz proposta que não condiz com a realidade brasileira, isto é o projeto deste governo.

  6. Querem fazer a reforma da Previdência alegando que a idade media de vida está aumentando e assim vai ser impossível pagar aposentadoria para todos no futuro. É MENTIRA , já vi que está começando a dar sinais que a média de vida está começando a cair, e isso já é de se esperar com o tipo de vida das pessoas hoje em dia, o stress aumentando a cada dia até entre as crianças, a péssima qualidade da alimentação com os alimentos industrializados, etc… coisas que não tinham antigamente. E assim no futuro pouca gente vai chegar a se aposentar com essas reformas.

      • Prezado Prof.Dr.CARLOS FREDERICO ALVERGA,

        Excelente o link como Artigo do Prof. Dr. ANTÔNIO JOSÉ AVELÃS NUNES – Universidade de Coimbra-Portugal).
        É uma excelente análise crítica do Capitalismo, no caso específico da UNIÃO EUROPEIA, que vai gerando cada vez mais Dominância Financeira.
        O Capitalismo nasceu Comercial, em grande salto transformou-se em Industrial e hoje tem predominância Financeira, tão bem explicado pelo Prof. Dr. ANTÔNIO.
        Quando o Capitalismo Financeiro esgotar seu potencial Produtor, qual Capitalismo lhe sucederá?
        O Prof. ANTÔNIO não sugeriu nada, mas nós temos impressão de que surgirá então um Capitalismo COOPERATIVISTA. Toda a Produção, (Primária, Secundária e Terciária) será feita via COOPERATIVAS. Haverá uma Kibuttização de toda a Economia.
        Mas até lá, muita água passará de baixo da Ponte. Abrs.

        • Caros Dr. Carlos Frederico Alverga e Sr. Flávio José Bortolotto … Boa tarde!

          O capitalismo está morrendo desde quando começou kkk

          Entendo que ou se tem iniciativa particular legalizada (capitalismo) ou se tem planificação (coletivismo).

          A iniciativa leva à liberdade; enquanto a planificação leva à obediência forçada!!!

          No tempo da Economia Primária, o coletivismo se dava pelo butim … quando se passou à Economia Secundária, tivemos Engels e Marx bolando a coletivização também dos meios de produção … … … creio que o problema está na coletivização na Economia Terciária – que levaria ao controle total (já temos CPF e vamos ter cadastro único civil) kkk

  7. Peço vênia para discordar um pouco deste Artigo do grande e experiente Jornalista Sr. CARLOS NEWTON, nosso Editor/Moderador.

    É o Presidente TEMER (75) PMDB,através do seu Partido PMDB que elaborou o Plano Econômico – Ponte para o Futuro- para reduzir o Deficit Público, depois criar Superavit Primário com o qual reduzir em relação ao PIB, nossa Dívida Pública, tudo isso com Inflação na Meta de 4,5%aa, criando condições para recuperar a CONFIANÇA e sairmos do imbróglio Econômico Recessivo que o Governo DILMA-PT nos meteu.

    Ponte para o Futuro – Simplificado.
    1- Lei de Teto dos Gastos Públicos.( Já Aprovada)
    2- Reforma Dialogada da Previdência.
    3- Reforma Dialogada das Leis Trabalhistas.
    4- Reforma Comercial, reduzindo a ação do Estado na produção (Estatais), parcerias na Logística/Infra-Estrutura, etc.

    O competente Ministro da Fazenda Sr. HENRIQUE MEIRELLES está, apesar das turbulências Políticas, executando brilhantemente a meu ver, esse Plano, que visa criar condições do PIB crescer continuamente à +- 4%aa, por 10 anos.
    A meu ver, TODOS estão de olho mesmo é no Presidente TEMER que tem que conseguir os Votos no Congresso para aprovação do Plano.
    Foi por falta de Votos que a Presidenta DILMA caiu, não por “Pedaladas Fiscais”.
    Não comungo com a ideia de que as Crises Econômicas acabem sozinhas. Sozinhas elas tendem a se agravar. Foi a AÇÃO do Governo TEMER conduzida no Plano Econômico pelo Ministro da Fazenda HENRIQUE MEIRELLES, que está acabando com a Crise.
    Abrs.

    • Caro Sr. Flávio José Bortolotto … Saudações!

      O seu escrito me fez lembrar do Presidente Castelo … com as dificuldades de se arrumar a Economia … a mídia também o criticava severamente (ainda não havia o AI-5) … aí ele respondeu que não se troca os burros quando estão subindo ladeira – lembra???

      Forte abraço!

      • Prezado Sr. LIONÇO RAMOS FERREIRA,

        É verdade, o Presidente CASTELO BRANCO teve que consertar a Economia Deficitária herdada do Presidente JOÃO GOULART ( Inflação de 80%aa em 1963 sem Correção Monetária), assim como o Presidente TEMER está consertando a Economia Deficitária/Endividada Recessiva, herdada da Presidenta DILMA.
        Na época o Plano não era de Ponte para o Futuro, mas Plano de Ação Econômica do Governo – PAEG- do Ministro do Planejamento ROBERTO CAMPOS.
        Foi muito criticado pelo grande Gov. CARLOS LACERDA UDN-RJ porque arrochou demais os Salários e deu demais vantagens para Empresas de Matriz no Exterior especialmente dos EUA, em detrimento das Empresas de Matriz no Brasil.
        Não me lembro bem dessa expressão do Presidente CASTELO BRANCO, mas se é certo não trocar os burros quando estão subindo a ladeira, ele devia seguir o sábio conselho do Gov. CARLOS LACERDA e tomar uma ladeira mais suave. Abração.

  8. O fato, Flávio, é que a financeirização da economia é uma realidade efetiva, e o setor produtivo está cada vez mais enfraquecido diante do capitalismo especulativo. O professor Avelãs explica que é inexorável a tendência de queda da taxa de lucro, a rentabilidade do investimento produtivo não é compensatória, por isso ocorreu a pressão política para que a taxa de juros fosse cada vez mais alta, bem como a questão da independência do Banco Central como obrigatória. Por outro lado, os salários estão cada vez menores e o desemprego cada vez maior, os salários representando cada vez uma parcela menor da renda nacional dos países e os lucros ocupando uma fatia cada vez maior do produto, sem falar no aumento da desigualdade e da concentração de renda, e o poder aquisitivo cada vez menor da classe trabalhadora, o que inclusive aprofunda e potencializa a crise do capitalismo como sistema produtivo.

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