O milagre da resistncia que salvou um homem chamado Manuel Bandeira

Resultado de imagem para manuel bandeira frasesCarmen Lins

O poeta e escritor Manuel Bandeira, crtico literrio e de arte, professor de literatura e tradutor (Recife, 19 de abril de 1886 Rio de Janeiro, 13 de outubro de 1968), contraiu tuberculose ainda jovem, mas lutou muito para se recuperar, demonstrando uma grande paixo pela vida. Era um homem de sade frgil, sempre ameaado pela morte, mas que resistiu ate os 82 anos e sabendo viver.

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MINHA ADOLESCNCIA

Manuel Bandeira

A histria de minha adolescncia a histria de minha doena. Adoeci aos dezoito anos quando estava fazendo o curso de engenheiro-arquiteto da Escola Politcnica de So Paulo. A molstia no me chegou sorrateiramente, como costuma fazer, com emagrecimento, febrinha, um pouco de tosse, no: caiu sobre mim de supeto e com toda a violncia, como uma machadada de Brucutu.

Durante meses, fiquei entre a vida e a morte. Tive de abandonar para sempre os estudos. Como consegui com os anos levantar-me desse abismo de padecimentos e tristezas coisa que me parece a mim e aos que me conheceram ento um verdadeiro milagre.

Aos trinta e um anos, ao editar o primeiro de versos, “A cinza das horas”, era praticamente um invlido. Publicando-o, no tinha de todo a inteno de iniciar uma carreira literria. Aquilo era antes o meu testamento o testamento da minha adolescncia. Mas os estmulos que recebi fizeram-me persistir nessa atividade potica, que eu exercia mais como um simples desabafo dos meus desgostos ntimos, da minha forada ociosidade.

Hoje vivo admirado de ver que essa minha obra de poeta menor de poeta rigorosamente menor tenha podido suscitar tantas simpatias. Conto estas coisas porque a minha dura experincia implica uma lio de otimismo e confiana. Ningum desanime por grande que seja a pedra no caminho. A do meu parecia intransponvel. No entanto saltei-a. Milagre? Pois ento isso prova que ainda h milagres.

(in Manuel Bandeira / Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1963)

6 thoughts on “O milagre da resistncia que salvou um homem chamado Manuel Bandeira

  1. Muito Obrigado Carmem por tecer Histrias do nosso Pernambucano Manuel Bandeira. Resido aqui no Recife no Bairro das Graas, bem perto da Casa onde nasceu o Poeta Manuel Bandeira, que fica na Rua Joaquim Nabuco a 100 metros de minha residncia. Muitas lutas de pernambucanos que ainda respeitam nossa Histria e nossa Cultura para manter a Casa de Manuel Bandeira em p, os especuladores imobilirios querem derrubar o Recife por inteiro, miseravelmente apoiados pela ganancia, incompetncia e ignorncia de nossos governantes. A Casa de Manuel Bandeira beija o Capibaribe bem colado aos seus manguezais (s Deus sabe como lutamos para os manter) sob as Benos da Ponte da Capunga que limita o Bairro das Graas com os Bairros da Capunga e Madalena. Obrigado tambm a Paulo e Carlos que mantem este espao de Poesia e Cultura nestes momentos to tristes da vida de nosso pas. Continue nobre Amiga espalhando Cultura e Poesia nos espaos brasileiro,s a pernambucanidade agradece de corao ao falar de nossos Poetas e Escritores, o Brasil precisa conhecer a Histria de Pernambuco para conhecer melhor o Brasil e sua Histria ! Grande Dia dos Pais aos Pais Brasileiros, e que Deus os ajude a dar e manter a dignidade de suas Famlias e a construo de um futuro melhor para todos ns ! Paz e Bem !

  2. Edjailson, tambm sou pernambucana , mais uma severina que deixou a terrinha em busca de uma vida melhor. A casa onde nasci, em Olinda est com os destroos no mar da Praia dos Milagres, exatamente, na rua onde comea a Igreja dos Milagres que se manteve de p, com aquele coqueiro ao lado. . Digo sempre que sou pernambuoca, mineiroca, pois morei no Rio e agora em Minas – BH.Os pernambucanos e especialmente os recifenses costumam dizer, com seu costumeiro exagero, que no Recife o Rio Capibaribe se encontra com o Rio Beberibe para formar o Oceano Atlntico.
    Paz para voc e sua familia.

  3. 1) Eu idem… nasci na antiga Maternidade do Derby, acho que no existe mais…

    2) No Facebook onde escrevo (o Face no meu…), brilha o escudo verde branco do Amrica Futebol Clube do Recife…

    3) Parabns Carmem pelo bom texto do Manuel Bandeira.

  4. “Sempre me acharam muito parecido com minha me. S o nariz diferamos. A semelhana estava sobretudo nos olhos e na boca. Sai mope como ela, dentuo como ela. H dentuos simpticos e dentuos antipticos. Muito tenho meditado sobre esse problema da antipatia de certos dentuos. Creio ter aprendido com minha me que o dentuo deve ser rasgado para se tornar antiptico. O dentuo que no ri para que no se perceba que ele dentuo, esta perdido. Alis, de um modo geral, a boca amvel a boca em que se v claro. Era o caso de minha me: tinha o corao, j no digo na boca mas nos dentes, e estes eram fortes e brancos, alegres, sem recalque: anunciavam-na. Moralmente julgo ser “muito diferente dela, mas fisicamente sinto-me cem por cento dela, que digo? sinto- a dentro de mim, atrs dos dentes e de meus olhos. Moralmente sou mais de meu pai, e alguma coisa de meu av, pai de minha me. Sinto meu av materno nos meus cabelos, sinto-os em certos movimentos de cordura. Naturalmente essas coisas me vieram atravs de minha me. Minha me transmitiu-me traos de meu av, no entanto, no estavam nela. Que grande mistrio que a vida! Minha me era espontnea, sabia o que queria, no era nada tmida: timas qualidades que no herdei. Notou Mrio de Andrade como em minha poesia a ternura se trai quase sempre pelo diminutivo; creio que isso (em que no tinha reparado antes da observao de Mrio) me veio dos diminutivos que minha me, depois que adoeci, punha em tudo que era pra mim: “o leitinho de Nenen”, a “camisinha de Nenen”… Porque ela me chamava assim, mesmo depois de eu marmanjo. Enquanto ela viveu, foi o nome que tive em casa, ela no podia acostumar-se com outro. S depois que morreu que passei a exigir que me chamassem – duramente – Manuel.

    • Entre poetas: Dois ilustres Manuel Bandeira pede e Mrio Quintana responde

      “Por falar em conhecimentos ilustres, fui ao Rio em 1966 para lanar minha Antologia potica a pedido expresso de Manuel Bandeira, o qual me escreveu instando-me que fosse, pois no podia viajar porque j estava com oitenta anos e queria dar-me um abrao antes. Escrevi-lhe: ‘Isto no um pedido. uma ordem. Irei. Mas voc no imagina como eu sou chato no intervalo dos poemas”.
      Fonte: STEEN, Edla. van. Viver & escrever 1. Porto Alegra: LP&M, 2008.

  5. Antonio Rocha, a Sede de seu Amrica Futebol Clube l na Estrada do Arraial do Bom Jesus, continuao da Avenida Rosa e Silva t no mesmo nvel de especulao imobiliria. O Campeo do Centenrio sempre lembrado e disputa a 2a. Diviso do Futebol Pernambucano com muita galhardia. Tenho medo, como dizia Nelson Ferreira sobre as ruas de nossa infncia que ao nos levantar pela manh tenhamos outra rua e as casas destrudas, esse o nvel de quase 20 anos dessa sociedade de PT e PSB, no Recife s se fala de “bike” e “lounges luxuosos” para shows e festas dos governantes, enquanto a desordem urbana e a misria se cumprimentam dia a dia nessa Cidade linda e Amada e Abandonada.

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