O Ministério Lula, perdão, Dilma, pelo menos no rótulo, não se sabe quando sairá do freezer. Mas haja o que houver, precisa ser descongelado ou atualizado.

Helio Fernandes

Não chega a ser surpreendente, mas ultrapassa a realidade, ou quem sabe, o imaginável. Para começo de conversa, a presidente eleita havia dito; “Não nomearei quem estiver acusado de irregularidades, mesmo não condenado”. Não cumpriu esse item fundamental, quase todos os ministros, em matéria de honestidade, não jogam nesse time.

Dona Dilma pode se defender, embora confessando a fragilidade política: “Não fui eu que indiquei, convidei ou assumirei com esses que estão sendo anunciados”. Rigorosamente verdadeiro, mas precisa ter muita coragem para revelar que por enquanto não tem autonomia de vôo.

Analisemos rapidamente os nomes confirmados, os que continuam nadando numa piscina cada vez mais envaziada e os que não têm a menor chance, apesar de terem participado do governo Lula-Dilma. Comecemos pelo cargo mais importante.

PALOCCI – Veio de Ribeirão Preto como corrupto, só consolidou essa “fama”. Foi demitido por Lula, por ter usado todo o Poder, para diminuir um simples caseiro. Perdeu no Supremo, derrotadíssimo e humilhado. Vai para a Chefia da Casa Civil, onde estiveram Dirceu e a própria Dilma. Escolha V-E-R-G-O-N-H-O-S-A.

EDSON LOBÃO – Ridículo, cheio de acusações de irregularidades. Quando houve o famoso apagão, foi tão incompetente que suas “teses” provocavam gargalhadas. Volta V-E-R-G-O-N-H-O-S-A.

WAGNER ROSSI – Não tem nota, é ministro na cota de Michel Temer, não fez nada, continuará no mesmo ritmo. Sua ratificação é um “recado dos revoltosos” para o vice Michel Temer: “Pronto, sua recompensa está recebida, agora deixe o PMDB se afirmar”. Não podia recusar, sabia disso, está fora do resto do jogo.

ALEXANDRE PADILHA – Ministro que não incomodou ninguém, foi mantido para impedir alguém que incomodasse.

NELSON JOBIM – Mais uma acumulação V-E-R-G-O-N-H-O-S-A. Já foi Legislativo, Executivo (várias vezes), Judiciário (Supremo, de onde foi expulso), surpreendente Ministro da Defesa, surpreendentemente mantido. Logo depois do PMDB revelar, “Jobim não é apoiado pela legenda”.

ANTONIO PATRIOTA – Foi o primeiro nome falado para Chanceler. Depois, com a “procura de nomes de mulheres”, ficou esquecido. Voltou, com o absurdo de dizerem “que não encontraram mulheres para o cargo”. Não é nem de longe o melhor, inútil, sem nota.

CARLOS LUPI – Inacreditável a confirmação. Foi “inventado” por Brizola, mesmo com apoio dele não se elegeu nada. Com ele, o ministério ficou vazio. Falava todo mês, “estamos CRIANDO CADA VEZ MAIS EMPREGOS”. E o DESEMPREGO crescendo. Sua permanência merece um menos ZERO, é possível?

GILBERTO CARVALHO – Imposição de Lula, tinha que ficar no Planalto como uma espécie de SNI especial.

PAULO BERNARDO – O único ministro certo desde o início, ou melhor, antes da eleição, “frequentou” todos os cargos, desde a Casa Civil à Saúde, deve se fixar nas Comunicações.

FERNANDO PIMENTEL – Está sendo recompensado, queria ser candidato a governador de Minas. Devia agradecer. Aécio ganharia dele com facilidade. Por enquanto, deve ir para a Previdência, dirá diariamente, “a Previdência é um problema por causa do déficit”. Mas é vastamente superavitária, apesar de até Jader Barbalho ter passado por lá.

GUIDO MANTEGA – Foi confirmado por Dona Dilma e garantido pelo ainda presidente Lula. Os tempos se Meirelles estão acabando, mas o próprio presidente do BC (por mais 24 dias) “acusa” o Ministro da Fazenda de DESENVOLVIMENTISTA. Inacreditável.

JOSÉ EDUARDO CARDOSO – É a primeira experiência, e sendo moço, não tem contra-indicação. Já está confirmado no Ministério da Justiça, cargo que ocupará preocupado em ir para o Supremo. Queria ir para lá direto (escrevi isso há tempo), se convenceu que pode esperar. Surgirão muitas vagas. Sem nota, mas com expectativa razoável.

***

PS – Faltam muitas “reivindicações” a serem atendidas. Principalmente de três governadores do Norte/Nordeste, VENCEDORES no primeiro turno.

PS2 – E ainda existe a INCÓGNITA Moreira Franco, que de certíssimo, passou a incerto ou improvável. Amigo e conselheiro de Michel Temer, foi surpreendido com a confirmação de Wagner Rossi para a Agricultura. Moreira era a PRIMEIRA indicação de Temer, Rossi a SEGUNDA. Invertem tanto, que a SEGUNDA ganhou o cargo, a PRIMEIRA ficou sem espaço. Por enquanto.

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