O mistério da pistola roubada de Fidel

Geovaldo Carvalho:
“Helio, essa viagem foi memorável, mas dava para dizer quem roubou a pistola do comandante Fidel? Se está vivo ou já morreu o vivaldino da comitiva?”

Comentário de Helio Fernandes:
Você usou a palavra certa, memorável, como inúmeras outras viagens. Pouco antes eu viajara com JK, que visitava diversos países, como presidente eleito e ainda não empossado.

Como eu disse, Fidel e Che Guevara frequentavam muito a residência do embaixador Leitão da Cunha (e sua extraordinária Nininha, os dois, amigos do repórter). Fidel naturalmente andava armado, Guevara não.

Chegando na residência, obviamente tirava a arma, colocava em cima de um móvel. Um dia a pistola desapareceu. Constrangimento total, não pelo valor da arma, mas pelo fato. Os deputados Adauto Cardoso e Afonso Arinos, não cogitados. Os 29 jornalistas, conhecidíssimos, quem teria praticado a apropriação?

Como isso aconteceu no terceiro ou quarto dia em que estávamos lá, e como ficaríamos mais 5, foi o assunto dominante da semana. Fidel não pediu investigação, nem poderia fazer pressão com visitantes como esses, incluindo um candidato que, tudo indicava, seria presidente. (Foi).

Mas o embaixador Leitão da Cunha, homem de notável respeitabilidade, mandou fazer levantamento discretíssimo. As dúvidas recaíram sobre três jornalistas (eram 29, nada absurdo), dois deles escritores.

Os três estão mortos, nunca houve certeza. Um era conhecido como gozador tremendo, foi citado (em sigilo) pelo fato. Dois dos jornalistas eram escritores e colecionadores (não de armas), por isso “suspeitados”.

Saímos de Cuba, o assunto foi abandonado, não se soube da arma, ninguém se “envaideceu” do “crime perfeito”, nem praticou nenhum crime com a arma.

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