O novo Collor e a sucessão de 2018

Charge do Tolentino, reproduzida da Folha

Carlos Chagas

Mais uma vez, o prefeito João Dória Júnior procurou o governador Geraldo Alckmin para jurar que não é candidato a presidente da República, em 2018. Mentira ou precipitação? Contam-se nos dedos de uma só mão as vezes em que, na história da República, eram para valer as afirmações de presidentes da República que, quando candidatos, desmentiam suas pretensões.

Traduzindo: João Dória Júnior só não disputará o palácio do Planalto caso careça de popularidade, recursos e de um partido que o apoie. Quanto a concluir que dispõe de chances, é outra conversa. Recente pesquisa revelou ser o alcaide paulistano conhecido de 70% dos consultados, inclusive no Nordeste.

O que parece respaldar as referências a João Dória Júnior é o mesmo fenômeno que, guardadas as proporções, um dia alimentou a candidatura de Fernando Collor: a busca pelas elites conservadoras de um novo nome capaz de derrotar adversários desgastados, de um lado, e de outro quem parecia disposto a virar o país de cabeça para baixo sob acusações de implantar o socialismo e sucedâneos.

AMEAÇA IDEOLÓOGICA – Os desgastados de hoje são o próprio Alckmin, Aécio Neves, José Serra, Ciro Gomes, Marina Silva e mais, classificados como ultrapassados políticos profissionais, à maneira do que foram em 1989 Aureliano Chaves, Ulisses Guimarães, Mário Covas, Paulo Maluf, Leonel Brizola e outros.

A “perigosa ameaça ideológica” de agora, em condições de revogar as linhas conservadoras e reacionárias, é o mesmo: o Lula, que perdeu para Collor mas, anos depois, elegeu-se contra Serra.

Dizem que a História só se repete como farsa, mas ressurge o vaticínio de Marx e de Lenin: a possibilidade de o segundo turno das eleições do ano que vem ferir-se entre João Dória Júnior e Lula.

Um, centralizando a esperança das elites financeiras e da parcela da classe média que se aferra ao modelo neoliberal. Outro, disposto a mudar as diretrizes agora impostas pelas reformas do governo Michel Temer. Claro que descontado o interregno em que o Lula e o PT já ocuparam o poder, fator capaz de gerar mudanças nas concepções atuais do eleitorado. Mas, de qualquer forma, a disputa poderá travar-se entre as duas forças históricas e conflitantes de sempre: conservadores e reformistas.

13 thoughts on “O novo Collor e a sucessão de 2018

  1. Alguns velhos jornalistas esquerdopatas, com as mesmas surradas ideias, tentam adivinhar o que irá acontecer, deixando evidente a análise ideológica tendenciosa. Misturam, deliberadamente, alhos com bugalhos, para tentar defender a sua crença. Pensam que todos os eleitores são idiotas.

    • Nem o caixão do Lula entra no Planalto – acabou, seu Newton. Esse tipo de insinução disfarçada de elocubração séria não cola mais. O PT e o Lula são sinônimos de chagas, sofrimentos, sem-vergonhice, corrupção, canalhice.

  2. Lá no Palácio da Alvorada o NeoCollor teria só para si a Lei Rounati$$$……
    A propósito, em pouco tempo se tornou Bilionário as custas “das propagandas”…..
    Cadê Dona Receita Federal.??
    Dona janaina, where are you??

  3. O Carlos Chagas perdeu o feeling e seus comentários passam longe de uma análise política. Em nenhuma situação o Dória e o Lulla vão se enfrentar no segundo turno porque o Lulla nem vai para o primeiro. A candidata do PT vai ser a Marina para evitar que o Dória ganhe direto no primeiro turno.

  4. Prezado Carlos Chagas:

    Não haverá esse hipotético segundo turno, pode crer. Pelo menos NÃO quanto ao tal ” reformista” que o senhor cita_ Lula NÃO será candidato. Quanto ao Dória, embora eu não acredite, aceito o fato de que, para os ” conservadores”, vale mais o pragmatismo, a chance ” mais certa” de conquistar o poder. Caso os tucanos enxerguem Dória como mais viável, pode até ser.
    Mas, francamente, a mim me parece que Ciro Gomes e Jair Bolsonaro estarão no segundo turno de 2018. E, caso Ciro Gomes insista em ficar citando nomes do PT_ esses sim, bastante desgastados_, Jair Bolsonaro subirá a rampa do Planalto.
    Saudações,
    Carlos Cazé.

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