O novo Império do Brasil

Carlos Chagas
 
Desde que o mundo é mundo, determinadas civilizações se impõem sobre as demais, apesar de a História, a Arqueologia e a Memória da Humanidade não chegarem a vislumbrar mais do que 10% do que realmente se passou no planeta.  Mesmo assim, vamos ficar naquilo que nos chegou, fração mínima do que terá acontecido.
                                                                 
Os gregos vieram até nós pela abertura do espírito, acima de sua organização dita democrática, mas não fosse sua ambição comercial, estariam até  hoje enterrados nas brumas do desconhecido.
                                                                 
Roma tornou-se um império por força de sua organização burocrática, claro que apoiada pelas  legiões e pela  ânsia de conquistar colônias capazes de enriquecê-la através da conquista de recursos e da exploração de  mercados externos.
                                                                 
A expansão árabe formou império ainda maior, tanto pela divulgação da ciência, da literatura  e da cultura quanto pelo radicalismo religioso. Uma contradição que ainda hoje perturba os historiadores e os que costumam prever o futuro.    A substituição de árabes por turcos, naqueles idos,  mudou pouca coisa. 
                                                                
O império persa fechou-se em copas e acabou sepultado por Alexandre, ainda que de forma internitente tenha ressurgido outras  vezes,  como contraponto ao Oriente e ao Ocidente.
                                                                 
Os mongóis  dominaram boa parte do mundo conhecido, certamente  por necessidade de sobrevivência. A fome e o  vazio das estepes fizeram com  que conquistassem a China e chegassem às  bordas da Europa,  nas investidas de Gengis Khan e,  mais tarde, de Tamerlão. Careciam de  opções.
                                                                 
Com o tempo o império chinês superou mongóis e  depois os  manchus, mantendo o culto  ao   isolamento e o desprezo pelo que se  passava além de suas fronteiras,  com certa razão científica no passado. Quebraram a cara.
                                                                 
Veio, para  o mundo ocidental,  o período das trevas, superado na Renascença,  responsável   pela  criação de um império filosófico, científico e  artístico sem dono.  O  hiato acabou preenchido por  Luís XIV e por Napoleão, que  puderam enquadrar a Europa  através da força e, mais uma vez, do comércio.
                                                                 
O primeiro império russo  durou pouco, porém,  mais do que o  segundo,  inaugurado por Stalin e  sepultado por Gorbachev.

A dominação inglesa conquistada pelo mar durou três séculos,  até a hora em que,  depois de destroçarem o efêmero Terceiro Reich alemão, perceberam estar naufragando ao  inflar  a bola do novo império mundial, os Estados Unidos, hoje dominando integralmente  a civilização,  dentro das paralelas ditadas  pelo  comércio e pelo sentimento de superioridade.

Registra-se uma tentativa de,  tanto tempo depois, a China abandonar a estratégia das  portas fechadas, lançando-se na competição pelo mundo exterior.  Sem esquecer  a reação dos árabes, que se conseguirem unificar-se através do  fundamentalismo religioso, poderão surpreender.
                                                       
Por que se alinham estes parágrafos supérfluos, incompletos e insossos?  Porque muitos ingênuos e outro tanto de  malandros começam  a falar da hora do novo Império do Brasil, inaugurado pelo Lula e a se configurar ao longo   do Século XXI. Seria bom atentarem para o fato de  que os impérios nascem e morrem, tanto faz o período   de sua duração. Pior para os que ficarem até  o velório…

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