O novo posicionamento do PT no caso da CPI do Cachoeira é ridículo, mas compreensível.

Carlos Newton

Em fase de inferno astral, com prestígio em baixa e sob investigação da Comissão de Ética da Presidência, a ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) tenta prestar serviço declarando à imprensa que a instalação de CPI no Congresso do caso Cachoeira não terá a interferência do Palácio do Planalto.

Fazendo uma dissertação sobre o óbvio, disse ela que o processo investigativo é “deliberação do Legislativo” e cabe ao governo apenas orientar seus aliados para a continuidade das votações na Câmara e Senado se a CPI for instalada. “A minha tarefa central e meu foco é fazer com que as matérias importantes sejam negociadas e votadas”, afirmou, como se a CPI fosse assunto de segunda linha, vejam quanta desfaçatez.

Sempre se comportando como se os jornalistas fossem todos uns idiotas, a ministra disse não ter informações sobre o recuo dos governistas para a instalação da CPI. E insistiu que o governo está focado em fazer com que as votações continuem dentro da normalidade, sem que a comissão paralise o Legislativo.

É muito duro ter de ouvir esse tipo de declaração dissimulada. E a coisa piora ainda mais quando o líder do PT no Senado, Walter Pinheiro (BA), que desde o início dos escândalos nos ministérios vinha mantendo uma posição firme contra a corrupção, também passou a negar que tinha havido recuo para a instalação da CPI.

Não adianta Pinheiro negar o adiamento. No Congresso todos sabiam que integrantes do PT tinham começado a trabalhar contra a CPI, com temor de que as investigações sobre o caso Carlinhos Cachoeira pudessem respingar em membros do partido ou no próprio governo.

O recuo no caso da CPI era um segredo de polichinelo, como se dizia antigamente, mas os petistas insistiam em negar. Alegaram que precisavam esperar o retorno do presidente do Congresso, José Sarney (PMDB-AP), para permitir que a comissão saia do papel.

Ora, Sarney está internado em São Pauloapós se submeter no fim de semana a cateterismo e angioplastia com a colocação de stent, e só poderá voltar ao Congresso semana que vem, no mínimo.

O recuo estava pegando muito mal e o PT voltou atrás mais uma vez e passou a correr atrás de assinaturas para compor a CPI mista (Câmara e Senado). às 20 horas, já havia assinaturas suficientes. Ontem mesmo, o documento foi protocolado oficialmente na secretaria-geral da Mesa do Congresso. Depois disso, as assinaturas são conferidas. Aí o requerimento tem de ser lido em sessão a ser presidida pela vice-presidente do Congresso, deputada Rose de Freitas (PMDB-ES), já que o presidente José Sarney (PMDB-AP), pediu licença do cargo.

A deputada disse que seguirá o regimento. “Não fugirei de nenhum dos meus deveres. Se a Casa optou por fazê-lo, evidentemente que tem que ser feito”, afirmou. E a CPI vai sair, enfim.

O novo posicionamento do PT ficou ridículo, mas bastante compreensível, porque ainda vai passar muita água pela ponte, ou melhor, pela cachoeira…

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