O país está parado e ainda vai continuar assim

Vicente Nunes
Correio Braziliense

O governo não escondeu a satisfação de ver o Brasil sair da recessão, mas, em conversas restritas, a nova equipe econômica admite que o avanço de 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB) foi erro na margem (ou margem de erro). Quer dizer: o país continua parado e continuará assim ainda por algum tempo, até que a onda de desconfiança que vem de empresários e consumidores comece a refluir.

Uma análise mais profunda dos números do PIB revela o quanto foi nociva ao país a política econômica que agora a presidente Dilma Rousseff está jogando no lixo. A começar pelo consumo das famílias, que recuou 0,3% ante abril e junho. Com a inflação persistentemente acima do teto da meta, de 6,5%, entre julho e setembro, as donas de casa foram obrigadas a frear as compras. Para piorar, o crédito encareceu e escasseou, e que quem já estava endividado, sobretudo no cartão de crédito e no cheque especial, viu as finanças ruírem.

Do lado dos investimentos produtivos, houve um sopro de vitalidade, com a alta de 1,3% entre julho e setembro. Mas a confiança que o novo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, tanto precisa para resgatar o crescimento ainda está distante no horizonte. Em 12 meses, a chamada Formação Bruta de Capital Fixo acumula contração de 8,5%, o que derrubou a taxa de investimentos de 19% para 17,4% do PIB, nível insuficiente para sustentar uma avanço superior 2% da atividade sem que a inflação dispare.

UM ANO PERDIDO

Os dados do terceiro trimestre confirmam o que todos já imaginavam: 2014 foi um ano perdido. Mesmo que alguns economistas vejam um quarto trimestre melhor, tudo indica que o PIB anual terá variação próxima de zero ou mesmo poderá ser negativo. E como nada aponta para melhora substancial em 2015, independentemente dos recados passados pela nova equipe econômica, o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, acredita que, no ano que vem, o avanço será de apenas 0,5%, com viés de baixa. “A probabilidade de termos um ano igualmente ruim como 2014 está cada vez maior”, afirma.

OTIMISMO NO PLANALTO

A avaliação do Palácio do Planalto é de que será possível salvar o primeiro ano do segundo mandato de Dilma, com crescimento em torno de 1,5% do PIB. A projeção oficial será divulgada à medida que a equipe chefiada por Levy refizer as contas e trouxer para a realidade a proposta de Orçamento que está tramitando no Congresso.

Todos concordam — Levy, Alexandre Tombini (presidente do Banco Central) e Nelson Barbosa (ministro do Planejamento) — que a peça encaminhada pelo governo ao Legislativo é uma obra de ficção. Nada do que está previsto no projeto reflete o Brasil real.

DIÁLOGO COM EMPRESÁRIOS

A determinação da presidente Dilma é para que o novo trio da economia mantenha um discurso consistente de que o governo está disposto a reconstruir a credibilidade com ações concretas. Está se pensando, inclusive, na possibilidade de Levy e Barbosa darem início a uma série de encontros com empresários e investidores para detalhar o que lhes espera em 2015 em termos de medidas do governo. Serão conversas francas, sem rodeios.

O estreitamento das relações deve, inclusive, já mostrar resultados melhores da economia no segundo semestre de 2015. Lá, acreditam assessores da presidente, estará claro que as mudanças prometidas são para valer. O teste ao qual o governo será

2 thoughts on “O país está parado e ainda vai continuar assim

  1. Não adianta o governo manter o nível de emprego através dos repasses dos recursos públicos pelos bancos oficiais.

    Não adianta o governo aumentar seu nível de gastos correntes.

    Nada disso fará a economia desenvolver.

    Os gastos tem de ser direcionados para o pagamento da dívida pública dando garantia e credibilidade aos credores, e para os investimentos em logística.

    Gastar com manutenção de uma máquina pública inchada e com repasses a empresas usarem como capital de giro, não está trazendo desenvolvimento ao país, pelo contrário!

    Tal política nos arrastou para a armadilha da estagflação e não há horizonte para a libertação da nossa economia com a continuidade dessa política econômica tacanha.

    O nível de repasse do BNDES para o setor privado aumentou 2,7% nos últimos quatro anos. Pois, foi justamente de 2,7% a queda do nível de investimento das empresas, provando que não adianta repassar recursos ao setor privado estando o país com o nível de juros elevados, restringindo a economia e inibindo investimentos.

    As empresas tomam empréstimos para apenas fazer giro, não investimentos, expansão dos seus negócios.

    Para fazer os juros caírem o governo terá de restringir a seus gastos e cortar os repasses nesse primeiro momento, até que as pressões inflacionárias caiam, possibilitando ao Banco Central retomar a queda da taxa básica de juros (SELIC), induzindo o mesmo padrão para os juros em todo o sistema bancário.

    Isso fará baratear o crédito, diminuir o rendimento dos títulos fixos e transferir a oportunidade de maior rentabilidade aos negócios no setor da indústria, da agricultura e dos serviços (fora do setor bancário).

    A política econômica de Dilma (aumentando os gastos públicos) restringe os investimentos e induz a recessão.

    Simples assim de enxergar.

    Todos os números levantados do IBGE em relação ao PIB este ano confirmam o que estamos dizendo. Continuam caindo o nível de poupança (14% do PIB) e o nível de investimento (17,4% do PIB), apesar de o governo ter aumentado os seus gastos correntes.

    É simples de entender: 62,5% da formação do PIB (maioria absoluta e esmagadora) dependem do nível de consumo das famílias brasileiras. Pois bem, o consumo das famílias neste trimestre, segundo o IBGE, não aumentou, ao contrário, recuou -0,3%. Mesmo o governo gastando mais apresentando aumento de 1,3% em seu gastos.

    Esses gastos trariam retorno para o PIB se estivessem vinculados ao investimento público e não em gastos correntes.

    Portanto, não adianta gastar mal tentando manter artificialmente o nível de emprego, induzindo o aquecimento do mercado de trabalho mediante os repasses do Tesouro aos bancos públicos.

    É justamente isso que deve ser mudado.

  2. No mês de novembro a inflação (IPCA) divulgada pelo IBGE foi de 0,51%, após outubro com 0,42%. Com isso a inflação acumulada no ano é de 5,58%.

    Veja: i = [(1,0055 x 1,0069 x 1,0092 x 1,0067 x 1,0046 x 1,004 x 1,0001 x 1,0025 x 1,0057 x 1,0042 x 1,0051) – 1] x 100 = 5,58%.

    A inflação acumulada nos últimos doze meses alcançou o patamar de 6,56% e manteve a inflação de 12 meses acima do teto de 6,5% de controle estabelecido pelo Banco Central do Brasil.

    Veja: i = [(1,0092 x 1,0055 x 1,0069 x 1,0092 x 1,0067 x 1,0046 x 1,004 x 1,0001 x 1,0025 x 1,0057 x 1,0042 x 1,0051) – 1] x 100 = 6,56%.

    A projeção inflacionária para 2014 tende a 6,1%, isto é, abaixo do teto de 6,5% de controle do Banco Central, mas, bem próxima ao teto.

    Veja: inflação projetada = {[(1,0055 x 1,0069 x 1,0092 x 1,0067 x 1,0046 x 1,004 x 1,0001 x 1,0025 x 1,0057 x 1,0042 x 1,0051)^1,09] – 1} x 100 = 6,1%.

    Temos, ainda, dezembro e a inflação só irá superar o teto da meta se o IPCA do próximo mês superar a marca dos 0,87%.

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