O pescador não quer uma jangada, prefere um emprego público, diz o poeta

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Paulo Peres
Site Poemas & Canções

O diplomata e poeta mineiro Francisco Soares Alvim Neto, neste poema, conta a “História Antiga” do homem que queria um emprego público, uma prática iniciada no descobrimento do Brasil, com a célebre carta escrita por Pero Vaz de Caminha.

HISTÓRIA ANTIGA
Francisco Alvim

Na época das vagas magras
redemocratizado o país
governava a Paraíba
alugava de meu bolso
em Itaipu uma casa
do Estado só um soldado
que lá ficava sentinela
um dia meio gripado
que passara todo em casa
fui dar uma volta na praia
e vi um pescador
com sua rede e jangada
mar adentro e saindo
perguntei se podia ir junto
não me reconheceu partimos
se arrependimento matasse
nunca sofri tanto
jogado naquela velhíssima
jangada
no meio de um mar
brabíssimo
voltamos agradeci
meses depois num despacho
anunciaram um pescador
já adivinhando de quem
e do que se tratava
dei (do meu bolso) três contos
é para uma nova jangada
que nunca vi outra
tão velha
voltou o portador
com a seguinte notícia
o homem não quer jangada
quer um emprego público

2 thoughts on “O pescador não quer uma jangada, prefere um emprego público, diz o poeta

  1. O estado é a grande ficção, onde todos querem viver às custas de todo o resto. E no Brasil, essa verdade nunca foi tão cristalina. O sonho de todo brasileiro é um emprego público, com ótima remuneração, estabilidade e aposentadoria especial. Dane-se o empreendendorismo. Ponto final.

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