O PMDB não é governo

Carlos Chagas

Com o retorno da presidente Dilma ao país reabre-se a questão do preenchimento dos postos de segundo e terceiro escalões do governo, que o PMDB espera cada vez com mais impaciência. Menos pelos medalhões ainda escanteados, como José Maranhão, Orlando Passutti e Helio Costa, mais pelos feudos que perdeu no setor elétrico e nos bancos estatais, o partido não esconde o mal-estar. E joga a responsabilidade pela demora das nomeações sobre os ombros do vice-presidente Michel Temer, que durante a semana em que exerceu a presidência foi pressionado e precisou reunir-se com os companheiros mais afoitos, pedindo-lhes paciência.

Paciência vem sendo produto em falta nas prateleiras do PMDB, do Sul ao Nordeste. Bem que os ministros peemedebistas, muitos exasperados, gostariam de  engrossar as fileiras dos deputados e senadores descontentes, mas falta-lhes coragem. Estão cada vez mais isolados, sem integrar o núcleo de poder real estabelecido em volta da presidente Dilma, onde predomina o PT.

Existem ministros que,  passados cem dias, ainda não despacharam isoladamente com  a chefe do governo. Desconhecem a cor do mobiliário de seu gabinete e hesitam entre reclamar ou deixar as coisas como estão. Melhor não levar puxões de orelha, mesmo vendo paralisados planos e propostas que ainda não tiveram oportunidade de expor.

Entre essas duas paralelas segue o outrora maior partido nacional: ocupar vagas capazes de demonstrar a influência perdida e tentar confirmar os vaticínios um dia feitos por Michel  Temer,  de que o PMDB  não estaria no governo porque era governo. Não é.

JESUS NÃO GOSTARIA

Estivesse entre nós de corpo presente e Jesus sentiria ímpetos de pegar o chicote e novamente vergastar não apenas os vendilhões  do   Templo, mas os gazeteiros de Brasília. Porque nesta Semana Santa nos tribunais superiores não haverá sessões plenárias. Teoricamente de folga a partir de quarta-feira,  nem hoje nem amanhã deverão ser julgadas questões  de vulto. A moda possivelmente se estenderá a instâncias inferiores.

No Congresso, apesar do esforço de alguns abnegados deputados e senadores para reunir suas comissões, nenhum projeto importante será sequer discutido, quanto mais votado.

E no Executivo, será diferente? Seria bom prestar atenção nas agendas dos 37 ministros. A madre superiora estará vigilante, mas quantas noviças se dedicarão a inspecionar obras ou participar de conferências e seminários, fora de Brasília?  Por coincidência, em seus estados de origem.

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