O PMDB, o maior partido do Brasil, deveria ser obrigado a ter candidato a presidente. Não só ele, como todos os outros, sempre.

Roberto Alcântara
“Ao iniciar o ano de 2010, o povo brasileiro precisa ficar alerta, o golpe está sendo preparado. Não querem fazer eleição, nem para presidente, governadores ou parlamentares. Não conseguirão, mas de qualquer maneira, como o senhor diz sempre, o povo não se interessa em aproveitar o voto, e os partidos, como o PMDB, não têm também a menor vontade de estabelecer o voto representativo.”

Comentário de Helio Fernandes
A História do Brasil está cheia de golpes, sucessivos, às vezes sem ninguém perceber. A República foi um golpe, a Revolução de 30, novo golpe e a ditadura ostensiva. O Estado Novo de 1937, um terror. A derrubada da ditadura, em 29 de outubro de 1945, farsa completa, TODOS voltavam 33 dias depois, na eleição (eleição? Mais outra mistificação) com o marechal Dutra na Presidência. Quem era o marechal? O Ministro da Guerra que manteve Vargas ditatorialmente por 8 anos, e que era chamado de “Condestável do Estado Novo”.

Ficou 5 anos, preparou a eleição de quem? Do próprio Vargas, derrotado em 1930 por Julio Prestes, candidato do presidente Washington Luiz, derrubado e deportado no final de 1930.

No momento não acredito em golpe, mas também não tenho certeza de eleição legítima. Incoerência, contradição, falta de segurança na análise? É possível. Mas o que acontecido na História brasileira, a não ser o impossível que se realiza na nossa frente, sem que vejamos coisa alguma?

Um partido sem rosto

Paulino Ferreira Campos
“Se o PMDB não definir candidato próprio a presidente, simplesmente mostrará que é mesmo um partido sem rosto”.

Comentário de Helio Fernandes
Foi a colocação mais rápida e mais fulminante. Paulino, meus parabéns e meus pêsames. É impossível ser mais didático e elucidativo. Mas também, desculpe, somos todos inúteis e desperdiçamos tempo, querendo que o PMDB mostre o rosto. Que rosto? Não seria melhor pedir para mostrar a cara? Só que correríamos o risco de comparar com Obama, quando disse que Lula é o cara.

Um partido que esqueceu as raízes

Joaquim Drummond Alves
“O PMDB, sucessor do MDB, em linha reta, lutou contra a ditadura, mas já esqueceu suas raízes há muito tempo. Nada como a história e o tempo para que algumas situações sejam esclarecidas”.

Comentário de Helio Fernandes
De certa maneira você tem razão. Mas indo na profundidade, não há raiz alguma. O MDB, que acabou em 1981, antes da primeira eleição direta para governador, era metade “autêntico” e metade “corrupto”. Chagas Freitas e Miro Teixeira dominaram o MDB da Guanabara (depois novamente Estado do Rio) e continuaram por 12 anos, mandando e desmandando.

Eu era desse MDB antes deles, fui cassado em 1966. Chagas, que roubara o jornal de Ademar de Barros quando este fugiu para o Paraguai (por causa do roubo da urna marajoara) foi o mais subserviente “governador” que a ditadura “elegeu”. E reelegeu, com a interrupção de 4 anos. Quer dizer: ficaram de 1970 a 1974, e depois, de 1978 a 1982.

Fiz oposição a eles, diariamente. Durante esses 12 anos, a Tribuna não recebeu um centímetro de publicidade. Também, não conseguiram conversar comigo. Chagas morreu, Miro era muito moço, hoje é campeão das Liberdades, vida magnífica, não trabalhou um dia que fosse. Deputado desde 1970, não sai disso. Nos intervalos disputava (e perdia) a eleição para prefeito. Concorreu uma vez para governador, ficou sem mandato.

Vai morrer com 150 anos, sempre deputado. Andou por vários partidos. Quando o MDB “ganhou” o P e virou PMDB, também metade era de resistentes, a outra metade de corruptos. Até hoje.

O que fazer, Joaquim?

Melhor do que ter Presidente, é dominar

Aurélio Gomes de Abreu
“Helio, você fez o grande favor de alertar o PMDB para o perigo de não lançar candidato próprio a presidente. Sua definição é indiscutível: melhor do que ter o Presidente, é dominar a Presidência e o Presidente, E ninguém lhe responde?”

Comentário de Helio Fernandes
Obrigado, Aurélio, foi uma revelação e um alerta mesmo. Agora, tenho alguma esperança que isso aconteça. Não por nomes, mas pela concretização das ambições, e o medo de perderem com Dona Dilma. Nessa situação doméstica, a cúpula do PMDB pode até se aliar aos que querem o candidato próprio. Se perderem, continuará no Poder. Eles sabem que SEM O PMDB NÃO HÁ GOVERNABILIDADE. A impressão, neste início de 2010, é que o PMDB está apenas à frente do supermercado, negociando o melhor preço.    

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