O poder ‘inebria, corrompe e destrói’, diz ex-porta-voz da Presidência, Rêgo Barros

Barros criticou auxiliares que preferem concordar com tudo

Paulo Capelli
O Globo

O ex-porta-voz da Presidência Otávio do Rêgo Barros fez uma série de críticas indiretas ao presidente Jair Bolsonaro, em artigo publicado ontem no jornal “Correio Braziliense”. Sem citar o nome do ocupante do Palácio do Planalto, Rêgo Barros afirmou que o poder “inebria, corrompe e destrói”. O antigo auxiliar critica também auxiliares presidenciais que se comportam como “seguidores subservientes”

O texto casa com reclamações de integrantes do próprio Palácio do Planalto que criticam Bolsonaro pela suposta dificuldade do presidente de lidar com opiniões que não lhe sejam favoráveis e de reconhecer os próprios erros.

“COMENTÁRIOS BABOSOS” – “Os líderes atuais, após alcançarem suas vitórias nos coliseus eleitorais, são tragados pelos comentários babosos dos que o cercam ou pelas demonstrações alucinadas de seguidores de ocasião”, escreveu Rêgo Barros, que também incluiu no artigo o que parece ser uma alusão à sua antiga relação de trabalho com Bolsonaro.

“O escravo se coloca ao lado do galardoado chefe, o faz recordar-se de sua natureza humana. A ovação de autoridades, de gente crédula e de muitos aduladores, poderá toldar-lhe o senso de realidade. Infelizmente, nos deparamos hoje com posturas que ofendem àqueles (sic) costumes romanos”, escreveu o ex-porta-voz do governo, que, em diversas passagens de seu artigo, remete ao período do Império Romano.

“É doloroso perceber que os projetos apresentados nas campanhas eleitorais, com vistas a convencer-nos a depositar nosso voto nas urnas eletrônicas, são meras peças publicitárias, talhadas para aquele momento. Valem tanto quanto uma nota de sete reais. Tão logo o mandato se inicia, aqueles planos são paulatinamente esquecidos diante das dificuldades políticas por implementá-los ou mesmo por outros mesquinhos interesses”, escreveu Rêgo Barros. “Os assessores leais — escravos modernos — que sussurram os conselhos de humildade e bom senso aos eleitos chegam a ficar roucos”, continuou.

“CONFORTÁVEL MUDEZ” – Rêgo Barros também criticou indiretamente auxiliares de Bolsonaro que, por conveniência, preferem concordar com tudo: “Alguns deixam de ser respeitados. Outros, abandonados ao longo do caminho, feridos pelas intrigas palacianas. O restante, por sobrevivência, assume uma confortável mudez. São esses, seguidores subservientes que não praticam, por interesses pessoais, a discordância leal”

No final do texto, o ex-porta-voz do governo Bolsonaro diz: “A população, como árbitro supremo da atividade política, será obrigada a demarcar um rio Rubicão cuja ilegal transposição por um governante piromaníaco será rigorosamente punida pela sociedade. Por fim, assumindo o papel de escravo romano, ela deverá sussurrar aos ouvidos dos políticos que lhes mereceram seu voto: — “Lembra-te da próxima eleição!”

A decisão de reconhecer o benefício para Flávio Bolsonaro foi dada pela 3ª Câmara do TJ-RJ, que atendeu um pedido da defesa do senador. Com isso, o caso saiu das mãos do juiz Flávio Itabaiana, da primeira instância e responsável por medidas como a quebra do sigilo bancário e fiscal do político, além da prisão de Fabrício Queiroz, e foi parar no Órgão Especial do TJ-RJ.

13 thoughts on “O poder ‘inebria, corrompe e destrói’, diz ex-porta-voz da Presidência, Rêgo Barros

  1. O General não conhecia onde pisava?
    Se teve mesmo alguma esperança que este Presidente abobalhado tresloucado faria um bom trabalho no governo, merece uma camisa de força bem apertada e uma máscara de covid, com reforço dobrado na boca, assim como seu ex patrão.
    Xô milicada !
    Voltem às casernas, às suas verdadeiras funções e façam o seu papel na história desta bagaça de Nação.

    • Ele não foi o único que se desiludiu!

      Muitos dos (homens sérios) que embarcaram nesse barco esperavam que o capitão, no mínimo, tivesse boas intenções, deixasse-os trabalhar e cobrasse de seus subordinados os melhores resultados. Mas o capitão não quer melhores resultados, quer mesmo é “se aparecer” e só ouve o próprio ego ou os filhos.

  2. “O prazer de quem domina um dado conhecimento, não reside necessariamente no PODER de construir aquilo que gosta, mas no PODER de destruir o que não gosta”.
    De mim myself

  3. O poder ‘inebria, corrompe e destrói’ … o fraco, seu Rêgo! o fraco. Porque o fraco geralmente não tem fibra para lutar por uma realização. Se lhe colocam uma estrela no ombra, se acomoda e sente-se uma Via Láctea.
    O forte não se submete a um medíocre, como fez o seu Pazzuelo no episódio recente das vacinas coronavac. Hitler não destruiu porque era forte, mas porque era medíocre, narcisista patológico, corrupto como os seus generais.
    Bom dia a todos!

    • Rue des Sablons

      Alguém disse uma coisa muito certa a respeito do Pazzuelo, quando este se apequenou diante de um capitão retardado:

      “Quem nasceu para ser recruta nunca será general”

  4. Não sou cego para tudo q o Bolsonaro faz , porém na vida já estamos cansado de saber q quando o time ganha, não interessa como, aplausos . Quando perde reclama de tudo ; menos de si mesmo . Dito isto :
    Bola pra frente porque a pandemia ainda não passou !

  5. E os “Babosos” aqui da TI, com os seus “comentários”, também, “babosos”, o que têm a dizer?

  6. Deixou de ser promovido como general (ao menos tentar) para virar fritura do gabinete do ódio no palácio do planalto! Não merecia isso! Atirou com sutileza mas deu seu recado.

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