O poeta J. G. de Araújo Jorge trazia o coração nu, em plena rua

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O advogado, político e poeta acreano José Guilherme de Araujo Jorge (1914-1987) ou, simplesmente, J. G. de Araújo Jorge, foi conhecido como o Poeta do Povo e da Mocidade, pela sua mensagem social e política e por sua obra romântica, como no poema “Confissão Inicial”.

CONFISSÃO INICIAL
J.G. de Araújo Jorge

Às vezes, tenho a impressão
de que não devia publicar estas  palavras
nascidas para viverem em surdina
ao teu ouvido.

Às vezes penso que deveria deixar no limbo
do coração
estas palavras de ti e para ti
e que tomaram imprevistamente a forma de canção.

Estas palavras que te colhem toda
e te deixam nua,
e me dão a impressão de que também
tenho nu o coração, em plena rua.

One thought on “O poeta J. G. de Araújo Jorge trazia o coração nu, em plena rua

  1. J.G, de Araujo Jorge, o poeta das mocinhas sonhadoras. Um dos poetas mais lidos pela juventude.Meu céu interior; os versos que te dou; bazar de ritmos e muitos outros alcançaram grande sucesso. O poeta romântico foi também deputado federal.
    Um dos famosos poemas:

    Os versos que te dou

    Ouve estes versos que te dou, eu
    os fiz hoje que sinto o coração contente
    enquanto teu amor for meu somente,
    eu farei versos…e serei feliz…

    E hei de fazê-los pela vida afora,
    versos de sonho e de amor, e hei depois
    relembrar o passado de nós dois…
    esse passado que começa agora…

    Estes versos repletos de ternura são
    versos meus, mas que são teus, também…
    Sozinha, hás de escutá-los sem ninguém que
    possa perturbar vossa ventura…

    Quando o tempo branquear os teus cabelos
    hás de um dia mais tarde, revivê-los nas
    lembranças que a vida não desfez…

    E ao lê-los…com saudade em tua dor…
    hás de rever, chorando, o nosso amor,
    hás de lembrar, também, de quem os fez…

    Se nesse tempo eu já tiver partido e
    outros versos quiseres, teu pedido deixa
    ao lado da cruz para onde eu vou…

    Quando lá novamente, então tu fores,
    pode colher do chão todas as flores, pois
    são os versos de amor que ainda te dou.

    (Do livro “Meu Céu Interior” – 1934)
    J. G. de Araújo Jorge

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