O preço do despreparo

Luiz Tito

A presidente Dilma Roussef viu firmar-se nas últimas semanas um quadro de intolerância e resistência ao seu governo que tornou mais forte a preocupação do PT e de seus aliados em relação ao seu estilo de relacionar-se com a classe política e sua base de apoio.

O conflito – que começou na relação com o líder na Câmara, deputado Eduardo Cunha – ganhou força dentro do PMDB e trouxe para o centro da briga os demais partidos, ávidos em rechear suas reservas para enfrentarem com mais conforto a disputa de outubro. A reeleição de Dilma, a renovação da Câmara, de um terço do Senado, das assembleias legislativas e a escolha de governadores norteiam os sentidos das conversas.

Não há divergências programáticas, não há disputas ideológicas em jogo nem questões de princípio: há interesses eleitoreiros e materiais, cargos, poder, grana mesmo, e somente. Para flexibilizar o jogo, os núcleos de resistência ameaçaram com a abertura de CPIs e sinalizaram com investigações sobre a Petrobras.

Dilma e seus assessores mediram mal o tamanho do braço de seus contendores, deram de ombro e a oposição aproveitou-se da janela aberta para tornar públicas mutretas mil, denúncias de superfaturamento, favorecimentos a grupos, desperdício, enriquecimento ilícito, corrupção, práticas que há muito tempo o Código Penal define como formação de bando ou quadrilha.

DESGASTES

Aos desgastes desse episódio somaram-se maus resultados dos números da economia, que ameaçam a gestão das contas públicas, os investimentos e o crédito internacional. E mais grave: a perspectiva de descontrole da inflação. Isso realmente assustou. Para atender os partidos e manter calada a base, o governo terá que fazer gastos, quase sempre invertendo opções e adiando prioridades essenciais; o jogo político quando praticado no espaço menor, no varejo, priorizando interesses de grupos às preocupações com a coletividade é caro e sem fim.

Infelizmente o governo da presidente Dilma Roussef está refém desse modelo e com o governo, refém também estamos todos e tudo que compõe a nação. Que lástima. A presidente que começou seu governo com imagem de durona, que consolidou apoios e aumentou sua popularidade quando teve a coragem de confrontar-se com estruturas políticas que infestavam a administração federal, que assumiu como essencial a faxina de órgãos e ministérios, que frequentou as listas de líderes mais importantes do mundo agora está de pires na mão, desnorteada, absolutamente entrincheirada, dependente da concessão que lhe oferecerão ou não um Congresso e partidos incapazes de construirem a própria imagem.

Dilma ficou vítima da própria arrogância, do despreparo de seu grupo em construir um governo alinhado ao mundo moderno, atento e sintonizado com as demandas internacionais políticas e econômicas. Atingida em pleno voo no momento em que se dirige para sua reeleição, a presidente terá que flexibilizar seu estilo para chegar a outubro com vigor para a disputa. E essa conta, infelizmente, pagaremos todos: com tributos, com trabalho, com as consequências de nossos atrasos. E pior, com a desesperança. (transcrito de O Tempo)

22 thoughts on “O preço do despreparo

  1. resumo da história da REFINARIA d pasadena: diretor da petrobras q efetuou o negocio esteve sempre amparado pela máquina do gov federal. em um país um pouco mais sério (EUA) estariam todos presos. em 1 país + rígido (china) seriam todos executados sumariamente sem mais

  2. Acho que o PMDB está jogando o jogo dele. A presidente é que não tem jogo de cintura para administrar essa quantidade enorme de partidos, que fazem parte dessa camarilha chamada base aliada.
    Sem competência para dirigir esse enorme país, cheio de problemas, e, atolada em diversas maracutaias , dona Dilma marcha , inexoravelmente , para o ostracismo.

    • César – Fortaleza, meu prezado,
      Tocaste com o dedo na ferida.
      É muito aliado para administrar. Sincronizar vaidades, exigências, espaços cada vez maiores sendo requisitados, necessita de alguém muito hábil, um legítimo maestro.
      Não há ninguém entre os partidos políticos com esta competência, muito menos no PT, que se serve deles para concretizar seus objetivos contrários aos anseios do País.
      Ora, o PMDB é composto de gente há tempo encostada nos governos. Conhece o rengo sentado e o cego dormindo, então sabe que está com a faca e o queijo na mão nessas eleições que, sem esta agremiação, o PT NÃO VENCE!!!
      E como se acostumou com o poder que enebria e, ao mesmo tempo, corrompe, o PMDB quer mais do PT, que é o partido que leva a fama de bom para o povão, quando sabemos ser mera propaganda política e eleitoreira.
      Neste vácuo, Temer, Calheiros, Sarney e outras raposas velhas, avançam em alta velocidade e encostam na traseira dos petistas. Qualquer vacilo e … ultrapassam a máquina petista que está na sua velocidade máxima, diga-se de passagem, e também muito mal pilotada pela sua condutora.
      Desdobramentos nada saudáveis acontecerão aos petistas até outubro, na base do fisiologismo escancarado, deplorável, imoral, exatamente como elaborado pelos petistas durante o mensalão.
      Em outras palavras:
      Quem pariu mateus que o embale!

      • Esta “sua” frase, senhora Dorothy, é mais velha que a Sé de Braga.
        Cópia daquela frase desfigurada, pessimista, alarmante e entreguista, pronunciada pelo gorilão e golpista Carlos Lacerda, ou melhor, estampada na sua Tribuna da Imprensa, da época do Clube da Lanterna, pouco antes de o grande presidente e estadista Getúlio Vargas ser forçado a cometer suicídio.
        “Somos um Povo Honesto Governado por Ladrões”, declarou o Corvo!
        Trata-se de uma ideia das mais estúpidas que já vi, saída da cabeça de um gorilão recalcado, invejoso, traidor (traiu seu amigo e companheiro de habitação Samuel Wainer) corrosivo e incendiário. Não foi por acaso que foi cassado pela ditadura. Deveria ter sido também CAÇADO, com ç cedilha! Uma grande burrice construída para quem gosta de burrice, já que não existe povo honesto, nem povo desonesto.

        • Prezado Paulo Solon,

          Dias atras, aqui mesmo, diversos textos mostraram
          o que aconteceu com a Coreia (a do sul, a do sul),
          país pequeno e sem recursos naturais – abundantes
          aqui em nosso territorio – que em poucas décadas
          transformou a vida de seus cidadãos e que hoje esta
          a frente do Brasil em IDH e exporta quase 600 bi
          de dolares, quase tudo em tecnologia de ponta.

          Nós, apesar dos vastos recursos naturais, ainda
          temos grande parte da população em estado miserável,
          temos analfabetos funcionais até nas universidades,
          pessoas morrem em corredores de hospitais e gasta-se
          bilhões em uma copa. Sem medo de errar podemos dizer:
          SOMOS GOVERNADOS POR QUADRILHAS, DESDE 1500.

          • Então, distinta dona Dorothy, posso estar enganado, me corrija por favor. Mas o único jeito é mesmo uma ditadura honesta e patriótica. Ou um socialismo progressista, como o dos países escandinavos. Democracia no Brasil não funciona.
            Estou começando a concordar com a senhora.
            Grato.

  3. A crise só vai aumentar, pois inúmeros brasileiros (e até estrangeiros) já estão ficando convencidos da gigantesca incompetência administrativa de Dilma Rousseff. Inclusive de dentro do próprio partido dela.

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