O presidente Lula e os vasos comunicantes

Carlos Chagas

Tendo cursado o Primário e, depois, uma Escola Técnica, o presidente Lula não recebeu aulas de  Física. Não é culpa dele, assim, ignorar o elementar princípio dos vasos comunicantes, aquela brincadeirinha que fazia os alunos torcerem para ver que tubo de ensaio  encheria primeiro de água, alimentado pelo principal. No fim, era sempre a mesma coisa: os vasos interligados terminavam com o conteúdo  nivelado em poucos segundos.

Por ignorar essa lição planetária, o presidente da República vem sistematicamente incorrendo em erro fundamental,  todas as vezes em que se refere à Previdência Social e às pretensões dos aposentados com vencimentos acima do salário mínimo. Inconformados com reajustes sempre inferiores aos do menor salário nacional, esses vasos trincados vão sendo nivelados por baixo. Quem se aposentou com quatro salários mínimos, em poucos anos estará  recebendo dois, com o risco de, em breve, vê-los  transformados em  um.  Encontram-se os aposentados garfados em seu poder aquisitivo, mesmo tendo trabalhado e descontado por quarenta anos na base dos quatro salários mínimos.

Mas tem mais, em termos de vasos comunicantes. Mesmo admitindo-se que a Previdência Social dê prejuízo, coisa de que muitos ex-ministros discordam, nada mais natural do que outras fontes de receita do estado venham contribuir para  nivelar as despesas.  O Imposto de Renda, por exemplo, dá um lucro dos diabos. Os demais impostos, taxas e contribuições, também. Nada mais natural, em se tratando de um país uno e indivisível, do que a existência de um caixa único.

Cai o presidente Lula na conversa malandra das elites financeiras e de  seus representantes na equipe econômica. O chefe do governo sacrifica os aposentados em nome do que seria um sacrilégio em Física, a negação do princípio dos vasos comunicantes.

Ainda agora o governo anuncia um reajuste de quase 9% para os aposentados de  salário mínimo, e de  pouco mais  de 6% para os que se aposentaram com valores superiores. Importa repetir, em  pouco tempo o Brasil inteiro que parou de trabalhar estará recebendo apenas o salário mínimo.

A malandragem? Ora, para evitar esse empobrecimento inevitável, o cidadão que passe a investir na previdência privada, aquela que faz a alegria dos bancos e das financeiras.

Problema da Dilma?

Declarou o presidente Lula que  Dilma Rousseff deverá reunir-se com o PT e o PMDB para a escolha do candidato a vice-presidente na chapa oficial. Ele nem estará presente, como acrescentou, pois já fez muito ao indicar a candidata…

Estamos diante de mais um capítulo da novela “Me Engana Que Eu Gosto”. Dilma não dá um passo sem consultar seu oráculo.  Sua própria candidatura nasceu de uma imposição do Lula, ela que nem pensava disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados. Imagine-se agora se decidirá a respeito do companheiro de chapa, selecionando quem quiser nos quadros do PMDB.  De tabela, também, acrescente-se que o PT recebeu o prato-feito da candidatura presidencial,   deglutido em poucos minutos sem sequer dispor do direito de escolher o molho. Ninguém, na direção ou  nas bases do partido,  havia pensado na chefe da Casa Civil. Como o Lula mandou, curvaram-se todos. Irão, agora, pronunciar-se a respeito de Michel Temer, Henrique Meirelles, Edison Lobão ou qualquer outro? Nem que a vaca tussa…

Estrilo mineiro

Helio Costa para governador, Aécio Neves e José Alencar para o Senado? Onde ficará o PT das Gerais, se essa previsão se confirmar? Pendurado numa candidatura a vice-governador, se o PMDB deixar?

Pensando no futuro, Patrus Ananias e Fernando Pimentel estão a um passo do entendimento capaz de atropelar a estratégia do presidente Lula, que parece  apoiar seu atual ministro das Comunicações  em nome da aliança capaz de reforçar Dilma Rousseff. Pelo jeito, o PT terá candidato próprio a governador e, se não houver acordo com outros partidos, também lançará dois candidatos ao Senado.

Enfim, um militar?

Está o ministro da Defesa, Nelson Jobin, disposto a deixar o governo  nas primeiras semanas de 2010. Mesmo que permaneça um pouco mais, de março não passará, pretendendo disputar as eleições de outubro. Falta a definição,  se para o Senado, pelo Rio Grande do Sul, para a Câmara Federal ou, estando no PMDB, quem sabe até a vice-presidência da República na chapa de Dilma Rousseff.

O problema que já preocupa o presidente Lula é quem nomear para o ministério da Defesa. Não pode ser um civil do segundo escalão. A pasta é delicada e enfrenta decisões a exigir um novo ministro de capacidade comprovada. Há quem suponha que pela primeira vez, desde sua criação, o ministério da Defesa venha a ser ocupado por um militar, possivelmente do Exército.

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