O primeiro inimigo do segundo governo

Eduardo Cunha é contra Dilma e quer presidir a Câmara

Carlos Chagas

Caso permaneçam este ano em ponto morto as acusações contra o governo, inclusive Dilma e Lula, na lambança da Petrobras, tem data marcada o primeiro confronto do governo com o Congresso. Será em fevereiro, quando a presidente da República tentará evitar a eleição de Eduardo Cunha para presidente da Câmara. Eleito, ele exprimirá a inconfiabilidade do PMDB diante do segundo mandato. Não é segredo que Cunha e Dilma se detestam e que o partido, sob sua inspiração, exigirá o máximo no novo ministério e dará o mínimo em apoio ao palácio do Planalto.

Ontem, sob os ecos da euforia da vitória de Dilma, havia companheiros empenhados em criar antídotos para a eleição de Cunha. Com Arlindo Chinaglia à frente, a estratégia era de o PT impor um candidato, já que manteve o patamar de maior bancada entre os deputados. Em condições normais de temperatura e pressão, o que não é o caso, caberia aos companheiros indicar o novo presidente da Câmara. Muito da decisão dependerá do vice-presidente da República, Michel Temer. Apesar de reeleito, suas ações continuam valendo pouco na bolsa do PMDB, mas se optar por desconstruir a candidatura de contestação, dividirá o partido, contribuindo para a vitória de um deputado do PT. Malogrando essa hipótese, capaz de decidir-se entre dezembro e janeiro, estará aberta a temporada de retaliações entre a presidente e o principal partido aliado. Quantos e quais ministérios serão destinados à outrora maior legenda nacional?

Não se duvida de que para o segundo governo a estratégia será a mesma com o resto da base parlamentar de apoio: ministérios em profusão para os amigos, a começar pelo PMDB. Poderão ser escolhidos ministros desafinados com Eduardo Cunha.

Outra bala na agulha do revólver da presidente mira os sete governadores eleitos pelo PMDB. Eles sabem que sem o apoio de Brasília estarão condenados a administrações medíocres. Se o preço for pressionar os deputados de seus estados contra o contestador, poderão pagar, até mesmo Luiz Pezão, do Rio, pelo qual Cunha elegeu-se com os pés nas costas.

Em suma, eis definido o inimigo do novo governo Dilma, que sem ser o número um, é o primeiro identificado, definido com nome e número no catálogo telefônico.

PESQUISAS EM PARAFUSO

Quebrou a cara o instituto de pesquisas eleitorais que insistiu em separar Dilma e Aécio por seis pontos de diferença. Mas também falhou nas previsões do segundo turno das eleições de governador. No dia da eleição, previu 50% dos votos para Simão Jatene, no Pará, e 50% para Helder Barbalho. No final, 52 a 48. No Mato Grosso do Sul, pior ainda. Vaticinou 51% para Delcídio Amaral e 49% para Reinaldo Azambuja. Resultado: 55 a 45, mas ao contrário. No Amazonas, a pesquisa indicava 50 % para Eduardo Braga e para José Melo, mas acabou dando 55 para o atual governador e 44 para o líder do governo no Senado.No final, foi o povo que mudou…

4 thoughts on “O primeiro inimigo do segundo governo

  1. Caros CN e CC … Bom Dia.

    Por constitucionalidade, Vice é subordinado à Presidência. Está lá que o Presidente CONVOCA seu Vice para missões especiais.

    Dona Dilma têm dado a seu Vice Temer a Missão especial de subordinar o PMDB aos interesses dela e do PT.

    Ora, Michel Temer e obrigado a obedecer, mesmo prejudicando nosso PMDB.

    Eduardo Cunha, as bancadas federais, Governadores e nós peemedebistas somos PMDB PMDB PMDB.

    APRENDA DE VEZ … SENHOR CARLOS CHAGÁS … e demais.

  2. Caro Jornalista,

    Só por curiosidade:

    “O Brasil deverá dobrar as importações de etanol na temporada 2014/15 na comparação com a safra anterior, para 600 milhões de litros, numa temporada de quebra de produção de cana devido à seca e com o setor se preparando para uma entressafra mais longa no centro-sul, avaliou nesta quinta-feira a consultoria Datagro.

    Do total, a região centro-sul deverá importar 180 milhões de litros, e o Norte/Nordeste outros 420 milhões.
    Na temporada passada, as importações do centro-sul somaram 60 milhões de litros, enquanto as do Norte/Nordeste atingiram 250 milhões de litros.

    “No centro-sul, (as importações) já começaram. No Norte/Nordeste, também”, declarou o presidente da Datagro, Plinio Nastari, em entrevista ao Trading Brazil, chat da Thomson Reuters. Tradicionalmente, o Brasil importa etanol dos Estados Unidos, o maior produtor global do biocombustível.”

    -Onde está o país que queria INUNDAR o mundo com álcool?

  3. PMDB é o anti-herói da política brasileira, para o bem e para o mal.

    Com relação ao dep. Eduardo Cunha, na minha zona eleitoral ele foi o mais votado – embora não tenha tido meu voto.

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