O PSDB perdeu mais na eleição dos prefeitos

Roberto Nascimento

No ocaso das urnas que elegeram os novos prefeitos que iniciarão seus mandatos em 2013, urge especular sobre a reeleição dos governadores em 2014 e o papel daqueles que completarão o segundo mandato e obviamente influenciarão para o bem ou para o mal na eleição do substituto.

De pronto, o Estado-chave, que selará o contorno da eleição presidencial chama-se  São Paulo. É nesta arena política que os atores se digladiarão com mais intensidade. Geraldo Alckmin encontrará inúmeras dificuldades para se reeleger, pois além da divisão interna no PSDB, acaba de perder um pouco da influência que tinha na capital para o PT e ainda vê seu antigo aliado, o PSD, que nem bem fechou as urnas, se bandear para a base do governo federal, em busca de um Ministério com capilaridade.

Para piorar o quadro, os tucanos deixaram o PT vencer na importante e tecnológica cidade de São José, devido ao fato do cacique local tucano tentar eleger um poste, que sem sustentação tombou frente sua fragilidade política. Logo, o PT saiu fortalecido para 2014, com a conquista do tripé estratégico São Paulo –São José – Guarulhos.

No quesito aliança política perde mais avassaladoramente ainda o projeto político do PSDB. Vejamos: O PMDB é a principal agremiação aliada do governo federal, portanto, mesmo que venha a lançar candidato a governador de São Paulo, no segundo turno apoiará o PT.

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“SOCIALISTAS”

Os “socialistas” do PSB de Eduardo Campos são a grande incógnita. Podem marchar unidos com o PT ou se aventurarem na campanha presidencial, aliados ao grupo do senador Aécio Neves. Restou ao tucanato somente a certeza da aliança com o PPS de Roberto Freire, o que não quer dizer muito na atual conjuntura.

Na segunda maior força política da Federação, o Estado do Rio de Janeiro, a situação do PSDB é mais grave ainda do que todas as outras somadas, pois amarga derrotas consecutivas desde o fim do governo de Marcello Alencar. A hegemonia do PMDB no Rio se mantém porque lá o governador e o prefeito, ex-tucanos, diga-se de passagem, integram o time do governo federal como titulares absolutos. O senador Lindhberg Farias, do PT, já luta para quebrar essa hegemonia.

Quanto ao Estado de Minas Gerais, realmente pontua o PSDB de maneira hegemônica. Trata-se de uma nesga de esperança luzindo em meio ao breu da noite. A figura emblemática do senador e candidato a presidente, Aécio Neves será definitivamente um trunfo para a eleição do futuro governador, pois  Anastasia deixa o cargo em 2014.

O quadro é muito mais complexo para concluirmos em um único comentário, pois deixamos de discorrer sobre Porto Alegre e Curitiba, eleições vencidas por candidatos do PDT e principalmente nas capitais do Norte (Manaus e Belém-PSDB) e do Nordeste (Pernambuco e Fortaleza-PSB – Salvador-DEM), que embaralharam as cartas do jogo a ser disputado em 2014.

O futuro do Brasil caminha na mesma trilha dos EUA: um partido Democrata e um Republicano, no fundo a mesma coisa, as mesmas práticas e o mesmo modo de governar. Entretanto, será muito melhor do que o exemplo mexicano de um único partido dominante, o antigo PRI. A democracia só se fortalece na pluralidade e na alternância de poder. Na unidade e na permanência perde a sociedade.

 

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