O PT e a síndrome do restaurante cheio

Rogério Gentile
Folha
Não está fácil ser petista em São Paulo. Depois do mensalão, do petrolão e da crise econômica, cada vez que uma personalidade do partido se aventura a circular pela cidade, corre o risco de passar por algum constrangimento.

Haddad foi vaiado recentemente em um teatro. Mantega foi apupado em um restaurante e ouviu um “vai para o SUS” num hospital particular. Padilha teve de engolir um discurso irônico durante um jantar. Todas essas situações são chatas e desagradáveis. Refletem também certa falta de noção e de educação.

Mas, ao contrário do que têm dito alguns petistas, que costumam chamá-los de “ilegítimos” e “fascistas”, protestos desse tipo fazem, sim, parte da democracia, assim como os aplausos e elogios. Somente em regimes democráticos, autoridades podem ser questionadas na lata, cara a cara, sem que o autor seja punido. Em Cuba, na China ou na Coreia do Norte, com certeza, não seria recomendável.

ANTES ERA PIOR

Há de se considerar também que protestos verbais, ainda que grosseiros e lamentáveis, são mais admissíveis e fáceis de assimilar do que aqueles que os adversários do PT costumavam sofrer quando estavam no governo.

Em 1991, por exemplo, manifestantes da CUT e do MST, aos gritos de “filho da puta” e “ladrão”, atiraram pedras, ovos e lama em Collor em Santa Catarina. O então presidente, hoje aliado de Lula, por pouco não foi atingido. Quatro anos depois, cena parecida ocorreu na Paraíba, quando simpatizantes do petismo apedrejaram o ônibus que conduzia FHC. Dois auxiliares do presidente foram atingidos por uma pedra e estilhaços de vidro.

Os petistas que, no entanto, não querem correr o risco de enfrentar cenas explícitas de insatisfação não precisam, de modo algum, se abster de sair de casa. Como ensinam os artistas, jogadores de futebol e celebridades “BBBs”, gorro, peruca e óculos escuros são extremamente úteis para quem não deseja ser reconhecido em local público.

9 thoughts on “O PT e a síndrome do restaurante cheio

  1. Chamar Lula,Dilma e Collor de ladrões, é pouco.
    Essa gangue petista já devia estar enjaulada pagando pelo de muito ruim que fez pelo Brasil.
    Pega os políticos do PT e seus assemelhados, leva para um local onde tenha areia movediça, e joga todos dentro para ser tragado pela imundice.Tenho dito.

  2. Eu também se encontrasse esta petralhada em qualquer ambiente também faria uso deste meio de protesto que são as vaias. Por que respeitar uma cambada de corruptos e ladrões que estão destruindo este país. Estes caras não merecem somente vaias, mais qualquer ato que signifique o desprezo por esta quadrilha.

  3. Nada como um dia depois do outro. É muito bom ver os petistas passando um cortado, pois quando estavam na oposição aprontaram muitas e boas. Agora, sorvendo um pouco do mesmo veneno, terão um tempo para meditar. Espero que o façam.

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