O PT não amarelou

Carlos Chagas                                                                  

O PT resolveu topar a parada, quer dizer, não ceder à pressão do governador Sérgio Cabral e do PMDB para que o senador Lindbergh Farias desista  de concorrer  ao governo do Rio de Janeiro.  Pelo contrário, o partido dos companheiros dispõe-se a blindar o candidato, poupando-o do confronto direto com o governador, mas reafirmando sua disposição de disputar o palácio Guanabara. A decisão adotada pelo presidente do PT, Rui Falcão, certamente teve o apoio de Dilma e do  Lula, que em nenhum momento vão ceder às ameaças de Cabral, mesmo se ele vier   a bandear-se para a campanha de Aécio Neves, abandonando a reeleição da atual presidente.

Caso tivesse amarelado, o PT correria o risco de a moda fluminense pegar, ou seja, de outros governadores do PMDB exigirem a retirada de candidatos petistas ao governos locais. Tudo indica que em muitos estados serão montados  dois palanques, ou até três ou mais, porque partidos da base oficial, como PSB, PTB e PDT também pretendem lançar seus candidatos.

A pergunta que se faz é o quanto esses embates poderão prejudicar a reeleição. A resposta por enquanto surge nebulosa, tendo em vista que a maioria do eleitorado  inclina-se pelo segundo mandato de Dilma Rousseff sem maiores considerações com as disputas estaduais. O clima, no entanto, pode mudar.

FALTA UMA EXPLICAÇÃO

Continua a Caixa Econômica Federal sem responder à indagação maior no episódio da falsa  extinção do bolsa-família: como irrigou 150 milhões de reais em suas agencias em todo o país  na sexta-feira, 17, se os boatos que atingiram o benefício apenas começaram no sábado, 18? Já sabiam da lambança, antes?

Há perguntas suplementares: sem estímulo, as redes sociais e os telefones celulares teriam mobilizado quase um milhão de beneficiados, temerosos de não mais receber o benefício? Que empresa de telemarketing  encarregou-se de espalhar o boato? Quem a contratou?

Enquanto a Polícia Federal não deslindar o caso, ficam as responsabilidades em aberto. Ao governo não interessava a confusão. Às oposições, também não. Mas grupos descontentes de um lado e de outro bem que poderiam ficar felizes com a crise…

SEMANA MURCHA

O feriado da quinta-feira não resultará apenas na eliminação da sexta como dia de trabalho no Congresso. Supõe-se que hoje, terça-feira, será bem menor o fluxo de deputados e senadores a Brasília, porque amanhã, quarta, teriam de retornar a seus estados. Por conta disso ou por coincidência, nenhum projeto de vulto estará em pauta na Câmara e no Senado. As comissões técnicas vão funcionar de mentirinha,  assim como os plenários.

RESPALDO NAS URNAS?

Quando  o hoje falecido Raul Alfonsín disputou a presidência da República, na Argentina, sua mensagem principal nos palanques era de que, se eleito, enviaria ao Congresso projeto  modificando a Lei de Anistia aprovada pela ditadura militar, isentando de punição torturadores e assassinos, ou seja, eles mesmo.  Dito e feito, a população em peso votou em Alfonsín, que na Casa Rosada promoveu intensa responsabilização dos culpados. Generais-presidentes foram parar na cadeia, até  uma junta militar inteira viu o sol nascer quadrado, bem como esbirros de toda ordem.

Entre nós,   prevalece a Lei da Anistia que livrou de punição tanto os agentes do estado travestidos de assassinos e torturadores quanto os terroristas do outro lado, igualmente criminosos. Apesar de amarga, a solução ensejou a passagem quase pacífica para o regime democrático, tendo o Supremo Tribunal Federal confirmado efeitos e consequências da solução adotada pelo Congresso.

Agora, integrantes da Comissão da Verdade, mas não todos, querem a revisão da Lei da Anistia para que a Justiça possa punir os culpados pelos execráveis abusos de certos detentores do poder de exceção. Passaram-se 34 anos, a maioria dos algozes morreu ou envelheceu. Levá-los ao banco dos réus, apenas através de um movimento popular como o argentino, com um  Raul Alfonsin caboclo. Algum dos candidatos já falados para as eleições do ano que vem se disporia a  discurso igual? Nem Dilma, nem Aécio, nem Marina nem Eduardo Campos. Sequer Fernando Gabeira…

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6 thoughts on “O PT não amarelou

  1. Seria uma enorme mediocridade se o PT cedesse no Rio para apoiar um Pez’ao Qualquer vem j’a vem com o CARIMBO DA CORRUPC’AO na cara.
    O PT cometeu esse erro em Recife, j’a cometeu como Serra, dispensando dividas de Sao Paulo, em vespera de eli’cao.

  2. Caro articulista,
    Já disse muitas vezes, aqui mesmo neste espaço democrático, que votar no PT é o pior que pode acontecer ao Brasil.
    Quando o PMDB acordar e vê que o objetivo do PT é ter o poder totalitário, sem dividi-lo com qualquer “base aliada”,entendendo que eles (PMDB),estão sendo momentaneamente usado para tais fins…Então, o país terá uma oportunidade de mudança. Se continuar a cegueira,será atropelado pelo PT quando este achar conviniente.

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