O que dizem as colunas de O Globo e Época sobre o momento político

Resultado de imagem para bolsonaro e haddad charges

Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Mário Assis Causanilhas

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1 –
O Lula de 2018 está mais próximo do de 1989 do que daquele de 2002, que foi eleito presidente numa guinada de centro. Hoje, da cadeia, ele comanda a campanha de seu “poste”, que não se vexa em assumir abertamente esse papel. Haddad, diante da possibilidade real de chegar ao segundo turno, ensaia transformar-se em candidato “paz e amor”, que combina bem com seu jeito “tucano” de fazer política, mas não corresponde à realidade.

O PT de Lula só quer saber de pacificação circunstancialmente, por pragmatismo eleitoral. Eleito, Haddad fará um governo na linha petista ditada por Lula, radical e antidemocrática. O PT de 2002 na verdade nunca existiu, era só uma fachada para o grupo político chegar ao poder e atravessar os primeiros anos sem turbulência.

Já atuava fora da lei nos governos municipais que ganhara anteriormente à chegada ao Palácio do Planalto. E levou para Brasília os métodos viciados da baixa política sindical, comprando votos no Congresso, distorcendo a democracia. Quando se sentiu forte, voltou à sua origem, e gerou, na sequência de Lula e por causa de políticas populistas que se iniciaram quando Palocci saiu do Ministério da Fazenda, a maior recessão que o país continua a viver.(Merval Pereira)

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2 –
“No começo, quando perdia eleições, o PT ainda não havia conseguido pintar sua imagem como a do partido da inclusão social, era apenas de esquerda. Na primeira eleição este papel coube ao caçador de marajás, e nas outras duas foi cumprido pelo criador do Real. Somente depois de Collor e FHC, o PT conseguiria somar ao seu eleitorado de esquerda aqueles que queriam e os que precisavam de um Brasil mais justo.

O PSDB, que havia conduzido com sucesso um dos mais importantes programas de distribuição de renda do mundo, não conseguiu capitalizar o Plano Real e deixou-se transformar aos olhos dos eleitores num partido da elite branca. Cometeu muitos erros, como o da polêmica emenda da reeleição, que contribuíram para que a sigla que construiu a estabilidade da economia acabasse com a imagem de partido paulista.

O “nós contra eles” não foi uma invenção de Lula, existe desde a primeira eleição presidencial. O que Lula fez foi dar uma coloração de classe ao termo. O “nós” são os pobres e as minorias, e o “eles” são os ricos. Discurso simples para um eleitor majoritariamente simples. Discurso que funciona.” (Ascânio Seleme)

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3 –
Paulo Guedes também rebateu críticas do chefe da equipe econômica da campanha de Alckmin, Pérsio Arida. Disse que não se dedicou mais à vida acadêmica nem teve uma produção intelectual maior, conforme Arida mencionou em entrevista, porque foi obrigado a trabalhar cedo — o que teria lhe permitido fundar um banco (Pactual). Guedes disse não ser de “direita nem de esquerda”, mas uma “planta diferente, mais sofisticada”. Disparou contra o Partido dos Trabalhadores, que, segundo ele, fez “merda na economia”. (Murilo Ramos)T

33 thoughts on “O que dizem as colunas de O Globo e Época sobre o momento político

  1. “Haddad e Alckmin são mais rejeitados do que Bolsonaro”

    A pesquisa da XP mostra que Fernando Haddad e Geraldo Alckmin são mais rejeitados do que Jair Bolsonaro, com 60% cada um, contra 57% do candidato do PSL.

    Marina Silva, nesse ponto, é insuperável: 67%.

  2. Esse Ascânio Seleme foi aquele que outro dia quis provar que a Lava Jato teria sido muito benéfica para o PT e para Lula. O fato de Lula estar condenado criminalmente e preso é melhor pra ele e seu partido do que ele estivesse solto disputando pessoalmente a eleição?
    http://www.tribunadainternet.com.br/como-seria-o-brasil-sem-lava-jato-e-com-as-empreiteiras-comandando-a-politica/

    E em fevereiro Seleme falava de cátedra sobre como Bolsonaro ficaria fora do segundo turno. Só não disse quem estaria no lugar dele. O Alckmin? Os candidatos fabulosos inventados pela mídia que não se apresentaram? Jornalistas deviam se ater mais a fatos e menos a suas convicções pessoais.
    http://www.tribunadainternet.com.br/entenda-por-que-bolsonaro-vai-cair-e-nao-conseguira-ir-para-o-segundo-turno/

  3. “O TSE advertiu ontem que a inclusão de informações, como a do número do candidato no preenchimento da folha de votação, pode configurar crime eleitoral passível de reclusão e multa, tal como previsto no art. 350 do Código Eleitoral: omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia constar, ou nele inserir declaração falsa ou diversa da que deveria ser escrita para fins eleitorais prevê pena de até cinco anos de reclusão e de 5 a 15 dias multa, se o documento é público.”

    polibio.com

  4. Textos excelentes, só não entende quem não quer. Felizmente apesar de todo ódio em que mergulhamos ainda tem gente que põe a razão antes da emoção. Ainda resta alguma esperança.

  5. O mercado financeiro sobe quando Jair Bolsonaro sobe.
    “O mercado repercute positivamente nova rodada de pesquisas eleitorais”, diz o Infomoney. “Nas sondagens desta semana, Jair Bolsonaro segue na liderança isolada, com Fernando Haddad mostrando crescimento menos acelerado.”
    (O Antagonista).

  6. Os momentos político, social, criminal e econômico estão ótimos. E só vao melhorar:

    ” A Quinta Turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça) decidiu nesta quinta-feira (15) que desacato a autoridade não pode ser considerado crime porque contraria leis internacionais de direitos humanos.”

    Os ministros votaram com o relator do caso, Ribeiro Dantas. Ele escreveu em seu parecer que “não há dúvida de que a criminalização do desacato está na contramão do humanismo porque ressalta a preponderância do Estado -personificado em seus agentes- sobre o indivíduo”.

    “A existência de tal normativo em nosso ordenamento jurídico é anacrônica, pois traduz desigualdade entre funcionários e particulares, o que é inaceitável no Estado Democrático Estado Democrático de Direito preconizado pela Constituição Federal de 88 e pela Convenção Americana de Direitos Humanos”, acrescentou.”

    -E o que eu falo: se ainda tem gente preocupada com a saúde dos bandidos, só pode ser porque eles estão matando pouco!

  7. Essas explosões sob o comando da amygdala, parte do sistema límbico do cérebro (tou parecendo os babacas do STF!), são perigosas. A pessoa, dependendo da educação, pode até morder a parte que a ameaça. O mesmo ocorre com o cachorro. Vivendo e aprendedo…

  8. “O PSDB, que havia conduzido com sucesso um dos mais importantes programas de distribuição de renda do mundo, não conseguiu capitalizar o Plano Real e deixou-se transformar aos olhos dos eleitores num partido da elite branca. Cometeu muitos erros, como o da polêmica emenda da reeleição, que contribuíram para que a sigla que construiu a estabilidade da economia acabasse com a imagem de partido paulista.”

    Se houve distribuição de renda no governo FHC, não sei dizer, mas isso não foi percebido de forma alguma na vida cotidiana. Para a maior parte da população a era FHC foi um período de desemprego crescente, perda de poder de compra, desindustrialização e desmantelamento do patrimônio nacional. A propalada estabilidade econômica desmoronou no dia seguinte à reeleição de FHC.
    O governo Fernando Henrique foi um desastre que pesa até hoje sobre o PSDB.

    A reeleição para cargos do executivo foi uma das piores coisas que se fez na política brasileira, mas seguiu o espírito do anos 90, quando Fujimori e Menem mudaram as leis de seus países para se reelegeram, em nome estabilidade. Não foi só obra da vaidade de FHC.
    E sem reeleição o PSDB não teria cara de “partido paulista” ou de “elite”? Se não tivesse podido se candidatar, provavelmente FHC usaria a máquina pública para eleger o Serra ou o Covas como sucessor. A economia quebraria do mesmo jeito em 1998/1999 e o país ficaria à espera de Lula em 2002.

    • Concordo plenamente com o comentário pois o Plano Real só foi bom no início em 1994 e no ano da reeleição 1998 já estava em crise.

      Com a desvalorização do real em janeiro de 1999, acabou-se ali o segundo mandato de FHC que foi criticado durante todo esse mandato.

      Lembrem-se que FHC foi solenemente ignorado nas campanhas do PSDB em 2002 com Serra, 2006 com Alckmin e 2010 com Serra novamente, só vindo a ser lembrado, de forma rápida, em 2014 na campanha de Aécio Neves.

      FHC chegou a querer mudar o nome da Petrobrás para Petrobrax para facilitar a sua privatização. Muita gente se lembra disso.

      O fracasso retumbante do segundo governo FHC pavimentou a chegada do PT à Presidência em 2002, com Lula. Aquela eleição foi basicamente plebiscitária e todo mundo sabia que Lula seria o próximo presidente, apesar de não idéia do que viria pela frente.

      Parabéns Pedro Meira!!!

    • Concordo plenamente com o autor deste comentário.

      O fracasso do segundo governo FHC com a desvalorização do Real, pavimentou a chegada do PT ao poder a partir das eleições de 2002.

      Entre os presidentes eleitos do Brasil,
      está entre os mais impopulares de todos os tempos.

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