O que é isso, Maia?

Carla Kreefft

O mundo ainda não acabou, e a correria, característica do fim do ano, continua. E, na política, não é diferente. Tem gente que quer votar cerca de 3.000 vetos em uma sessão plenária. Têm outros se esforçando para que não se vote nada e tudo continue exatamente do jeito que está. Ainda têm os que aceleram para colocar pelo menos uma dezena de petistas na cadeia. E, obviamente, têm petistas revoltados com a possibilidade de passar a enxergar o mundo quadrado.

Fim do mundo decepcionados politico maia

Mas, sem dúvida, o que já ocorreu em 2012 foi muito importante. O Supremo Tribunal Federal venceu um desafio ao concluir um julgamento que, se, do ponto vista jurídico, era difícil, politicamente, era quase impossível. A tarefa foi cumprida e com méritos, independentemente da aprovação ou da desaprovação do resultado do julgamento.

Ainda merece ser destacada nesse contexto a realização das eleições municipais em todo o país, sem nenhum atropelo, mesmo em um ambiente muito adverso. O julgamento do mensalão tomou conta das discussões políticas e poderia ter causado perturbações no processo eleitoral, o que, felizmente, não aconteceu.

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DEMOCRACIA

A democracia brasileira se agigantou, certamente. A tradição do engavetamento das questões que envolvem a elite política foi ultrapassada pelo Ministério Público e pelo Supremo Tribunal Federal. Mas é lamentável, diante de um quadro tão favorável, ver reações tão descabidas como a do presidente da Câmara, Marco Maia, que não elimina a possibilidade de abrigar na Casa os parlamentares condenados que venham a ter a prisão decretada pelo Supremo Tribunal Federal.

Um equívoco enorme. O país não vive um regime de exceção para que prédios, como o do Congresso Nacional, sejam utilizados para abrigar perseguidos políticos. Os deputados foram condenados por um tribunal livre e respeitável, o que é muito diferente da chamada perseguição política. Não há o menor motivo para se falar em qualquer tipo de golpe. Saídas assim são, no mínimo, antidemocráticas e autoritárias.

O PT já cometeu alguns erros graves. Alguns deles foram, recentemente, reconhecidos pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão de não caminhar com Tancredo Neves na disputa pela Presidência da República para fortalecer a campanha das Diretas Já foi um desses equívocos.

Agora, o que se espera de um partido que comanda o país e nasceu da classe trabalhadora são o respeito à lei e o reconhecimento da autoridade do Supremo Tribunal Federal. Não cabe nada diferente disso. Qualquer rumo diferente da legalidade, aí, sim, seria um duro golpe. O PT tem a chance de se recompor ou de destruir de forma definitiva o seu legado, que, apesar do mensalão, é respeitável.

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