O que escondem e o que revelam os escândalos

Sandra Starling

O principal aspecto a ser verificado agora, quando vêm à tona os escândalos na Petrobras, é o fato de que o sistema político brasileiro faliu completamente. Na raiz do processo, a malfadada exigência constitucional de dois turnos – supostamente capazes de garantir a governabilidade, já que o chefe do Executivo sai das urnas com ampla maioria –, o que impõe a construção de um leque de alianças. Ademais, aos poucos, mas inexoravelmente, a campanha eleitoral passou a depender exclusivamente do horário eleitoral e dos debates na TV, que são, ambos, espetáculos de falsificação em matéria de confronto de ideias. Para isso também a sopa de letrinhas por detrás da coligação serve para dar a esse ou àquele candidato preciosos minutos a mais para se apresentar. Sumiram do mapa os comícios; acabaram os encontros nas universidades ou em outros locais públicos para discussão de propostas. Quando muito, o candidato aparece para conversar com os empresários, com representantes de igrejas e coisas assim.

Então, a fatura já vem de antemão assegurada: a repartição de crachás de diretores a quem nada tem de competente, na feliz expressão de Ildo Sauer, ex-diretor da Petrobras, defenestrado de seu posto para abrigar Graça Foster, que caiu nas boas graças da presidente. Basta ser, então, apenas abençoado por um forte padrinho de uma das agremiações embaralhadas.

MAIOR PROVEITO

Aí o busílis da questão: cada padrinho e seu respectivo partido almejam tirar o maior proveito possível do que logrou alcançar. De forma que, quando a confusão vem à tona, todos podem jogar o errado no colo uns dos outros.

Vejam bem o que respondeu a atual presidente da República quando confrontada com o desastre de uma negociação nos Estados Unidos, na compra de uma empresa de petróleo. Diz ela, em nota de próprio punho, não ter sido informada, no memorando apropriado, de certos aspectos técnicos e jurídicos da negociação. E que, por isso, tanto ela quanto os demais membros do conselho votaram às escuras cláusulas altamente danosas aos interesses da Petrobras. O presidente da empresa na época afirma que as tais cláusulas eram usuais nos negócios internacionais daquele período (2006). Fica tudo muito estranho quando se sabe que o Conselho de Administração recebe com antecedência a pauta e os documentos relativos. De forma que um conselheiro atento pode, na hora da votação, tanto pedir esclarecimentos sobre um assunto quanto pedir vista da matéria.

Segundo a declaração da presidente do Conselho e de vários de seus integrantes, ninguém teve essa iniciativa. Erro atrás de erro, a começar pelo erro de eleitores que procuram votar em quem tem maior apoio, erro de quem fechou o negócio e, o pior, erro na aprovação dele por parte de quem, além de presidente do conselho da estatal, ocupava o cargo de ministro da Casa Civil – justamente a pessoa encarregada de examinar com lupa a legalidade dos atos do presidente da República. Por aí já dá para imaginar quanta coisa passou no ralo naquele tempo… (transcrito de O Tempo)

4 thoughts on “O que escondem e o que revelam os escândalos

  1. Democracia de verdade tem que ser a expressão da vontade da maioria do povo, e não da imposição de interesses e conveniências de reles minoria de caciques partidários. Muitos companheiros, militantes do PSOL, foram à plenária do mandato do Dep. Federal, Ivan Valente, em SP, no dia 22/03/2014, esperançosos de que alguma coisa Nova e diferente do andar da carruagem imposto pelo partido pudesse acontecer por lá. Até que aconteceu, porém, quase como uma transgressão face à ditadura partidária-elleitoral que impôs ao Fato Novo de Verdade apenas 2 (dois) minutos, o qual lá se dignou comparecer e dizer a que veio . Fala sério PSOL. “O Brasil, extra-partidariamente, livre, consciente e decididamente, em Junho de 2013, saiu à ruas, rugiu igual Leão, evitou o gollpe, falou e disse o que quer doravante. E , portanto, não evitará a Revolução em outubro de 2014, se necessária, e se assim continuarem as coisas, com o partidarismo-elleitoral e o gollpismo-ditatorial, velhacos, e seus tentáculos, operando na contramão da vontade popular, ao mais velho estilo do mais velho oportunismo, velhaco, vazio, artificial, covarde e leviano, produzindo apenas factóides de ocasião elleitoral, blá-blá-blá, trololó, mata-mata, queima-queima e o pior do pior que é o irresponsável “quanto pior, melhor”, que nos conserva arraigados ao velho lugar comum, à mercê de 171s, típicos do velho continuísmo da mesmice, do velho tudo como dantes no velho quartel de Abrantes. Sob o teto do modello que aí está, vencido há muito tempo, nome por nome,partido por partido,não existe nada melhor e nem mais novo do que Dilma e PT no cenário partidário-elleitoral.E basta de ilusões vãs.” De duas uma: ou ouvimos o rugido das ruas, abrimos o partido e coloquemos o partido a disposição Dele, ou perdemos o Novo TreMM da História. E de nada adianta o Chico Alencar, Dep. Federal, PSOL, RJ, dizer que “ o povo ruge nas ruas igual Leão e vota igual jumento nas urnas”, se o próprio partido não coloca o Leão como candidato para o Povo Votar. E por falar nisso.“ Dois candidatos nanicos foram os presidenciáveis com maior crescimento na última pesquisa Ibope: o Pastor Everaldo, do PSC (legenda do deputado Marcos Feliciano), chegou a 4% das preferências e o jovem senador Randolfe Rodrigues, do radical PSOL, começou a aparecer na corrida com 1,0% das intenções de voto.” O que e é isso companheiros, o PSOL perdendo até para o Marcos Feliciano. Tá feia a coisa, hein ? O PSOL está esperando mais o que para mudar o candidato, o discurso e o percurso ?

  2. O PT se encontra em uma encruzilhada: ou troca Dilma e coloca Lula no lugar, ou perderá a eleição. Digo isso como eleitor de Lula e Dilma que fui. Mas confesso, não deu com Dilma. A presidente não tem a mínima apetência para o jogo político; e nunca terá. Não é da natureza dela, a conversa e a negociação política. Não digo só que há uma rebelião na base aliada do governo, e essa rebelião tem um só motivo: Dilma e suas sucessivas intervenções desastrosas na área política. E como ela não delega, é um desastre atrás do outro. Não se trata só da base aliada. Quando parte expressiva da bancada federal do PT na Câmara se reúne e dentre outros adjetivos impublicáveis à presidente, se ouve a frase: Essa mulher é um horror!…então, algo de muito grave acontece no governo e que fatalmente levará à derrota do PT nesse ano! O que nem a oposição e a mídia golpista conseguiram, Dilma conseguirá: Dilma Roussef derrotará o governo do PT, que, nos 08 anos de governo Lula mudou a cara do Brasil! Dá tristeza constatar isso, mas é a verdade!

  3. É meu caro, você tem razão, o Lula realmente mudou a cara do Brasil. Só para citar alguns exemplos, citamos a corrupção que antes do Barba era localizada, hoje é generalizada, liberou geral, o país atravessa uma crise moral sem tamanho, mentir virou algo normal a violência explodiu em todos os cantos do país, nunca se matou tanto no Brasil; os criminosos debocham de todos. Realmente mudou o Brasil, para pior. Espero que ele exploda antes de voltar.

  4. Dilma não falha só na área política;também na economia.Inflação alta,contabilidade criativa,juros subindo,estatais desmoronando em seus valores de mercado (preço dos combustíveis está muito abaixo do custo,sangrando a Petrobras e fazendo a alegria do setor privado),crescimento pífio,nada na área social de expressivo, e o assédio moral grassando na administração pública, pois Dilma, em todas as situações, acusa os funcionários por todos os problemas (o apagão era falha humana, o seu erro como conselheira da Petrobras era falha de subalternos, enfim ela nunca falha, só os subordinados), etc. Mas tudo isso ainda é muito menos ruim que o período FHC, com indicadores péssimos em todas as áreas mais diretamente ligadas ao povo – para a elite, não,até que estava ótimo. Só que FHC era muito mais esperto que Dilma.Nunca FHC faria uma carta como a que Dilma fez ao Estadão dizendo que assinou isso ou aquilo porque alguém errou.FHC ficaria em silêncio,falando muito e não dizendo nada.Assim como aconteceu na tentativa de CPI para a compra de votos para a sua reeleição, CPI que jamais foi convocada.Transparência zero num dos fatos mais obscuros da história recente da República.Mas Dilma,autoritária,acusadora,vaidosa, escreveu o que não devia, inflando a candidatura do até então morto PSDB.”Parabéns” Dilma,por sua prepotência.Um autêntico tiro no pé.

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