O que est por trs da inflao e da desacelerao do crescimento do pas desafia os candidatos

TRIBUNA DA INTERNET | Piada do Ano! Guedes, o otimista, diz que inflao cair para 7% no acumulado at o fim do ano

Charge do Cazo (Arquivo Google)

Vandr Kramer
Gazeta do Povo

As expectativas em relao inflao, taxa de juros e ao crescimento da economia brasileira, tanto em 2021 quanto em 2022, esto se deteriorando h vrias semanas. O problema no est s nas previses: os nmeros mais recentes indicam que a economia est mesmo em desacelerao. Pelo menos cinco choques alguns com origem externa e outros prprios do Brasil explicam esse movimento.

As projees para a inflao neste ano esto em alta h 33 semanas, segundo levantamento do Banco Central. O ponto mdio (mediana) das expectativas das instituies financeiras est em 10,12% o que significaria uma leve melhora em relao ao IPCA acumulado em 12 meses at outubro (10,67%). Para o ano que vem, cuja projeo sobe h 18 semanas, a sinalizao mais recente de uma alta de 4,96% nos preos.

CRISE INDUSTRIAL – Para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2021, cujas projees caem h seis semanas, a mediana aponta para alta de 4,8%. Para 2022, o mercado espera crescimento de apenas 0,7%, aps sete semanas de rebaixamentos.

Os ltimos dados do desempenho do PIB no foram os mais animadores: no segundo trimestre, o indicador recuou 0,1%. E o ndice de Atividade Econmica do Banco Central (IBC-Br), construdo a partir de dados de diferentes setores, encolheu 0,14% no terceiro trimestre.

A desacelerao, segundo a Secretaria de Poltica Econmica do Ministrio da Economia, se deve retrao da indstria prejudicada principalmente pela falta de matrias-primas e componentes e do comrcio e da estabilizao da produo agropecuria, ao passo que os servios ainda crescem.

PREVISES DSPARES – O governo federal busca se afastar dos prognsticos mais pessimistas, mas tambm andou ajustando suas projees e agora espera um pouco mais de inflao e um pouco menos de crescimento. Ainda assim, o cenrio desenhado pela equipe econmica continua mais favorvel que o do mercado financeiro.

Os cinco choques que explicam o avano dos preos e a piora da atividade econmica e da percepo de empresas, consumidores e investidores so os seguintes, segundo o economista Samuel Pessa, scio e diretor do Julius Baer Family Office (JBFO):

O aumento nas commodities; as presses fiscais; o descompasso entre oferta e demanda de bens; a desorganizao do setor de servios; e o baixo nvel dos reservatrios e o alto preo da energia.

AUMENTO NAS COMMODITIES – Um fenmeno que surgiu antes da crise da pandemia e que se acentuou com ela foi o aumento no preo das commodities. As razes esto na recomposio do rebanho suno na China, que enfrenta casos de peste suna africana desde 2018. E, essa mudana veio com uma transformao: granjas altamente industrializadas ocuparam o espao de uma produo mais simples, demandando mais milho e soja.

Dados da Secretaria do Comrcio Exterior (Secex) mostram que entre janeiro e outubro, a segunda maior economia mundial comprou US$ 25 bilhes em soja brasileira, 22% mais que no mesmo perodo do ano passado.

Outra commodity que teve forte expanso foi o minrio de ferro. O material demandado principalmente pelas siderrgicas chinesas, que produzem ao para a indstria da construo. Nos dez primeiros meses do ano, o pas asitico importou US$ 25,6 bilhes em minrio de ferro, 77% mais do que no mesmo intervalo de 2020.

FERRO E PETRLEO – Mas, nos ltimos tempos, a crise no mercado imobilirio e a reorientao da poltica econmica chinesa fizeram com que o preo do ferro posto na China tivesse uma queda de quase 20% em 12 meses, de acordo com o jornal britnico Financial Times (FT).

Mas um dos maiores impactos e que at agora est sendo sentido no preo do petrleo. O desarranjo entre oferta e demanda mundial causou uma alta de 111% em dlar nos ltimos 12 meses no barril do tipo Brent, segundo o FT.

A alta do petrleo levou a sucessivos reajustes dos preos dos combustveis no Brasil. A gasolina ficou 43% mais cara em um ano, segundo os dados mais recentes do IBGE, de outubro. O diesel subiu 41%. E o gs de cozinha, 38%.

COTAO DO REAL – O mecanismo que assegurava a valorizao das moedas locais dos pases emergentes frente ao dlar durante o ciclo de alta nas commodities, como ocorreu na primeira dcada do sculo, no funcionou desta vez.

Do incio do ano at o fim de outubro, o real perdeu quase 7% do seu valor frente moeda norte-americana. O esperado seria que o real se valorizasse, dada a entrada de dlares no pas provocada pelas exportaes.

Com isso, a populao ficou s com a parte ruim da alta das matrias-primas a inflao. O aumento das commodities acabou sendo repassado ao bolso do consumidor, diz Samuel Pessa.

PRESSO FISCAL – O principal motivo, segundo o economista, foi a forte presso fiscal que a maioria dos pases teve para atender s necessidades geradas pela pandemia. No caso do Brasil, ela chegou a 10% do PIB.

Pessa diz que a desvalorizao do real tambm foi acentuada por ameaas ao equilbrio das contas pblicas, como a questo dos precatrios, o teto dos gastos e as discusses sobre o Oramento de 2022. Sabia-se da necessidade de um extrateto, mas no se imaginava um ataque ao teto de gastos como o que ocorreu.

O economista, entretanto, acredita que alguma correo de rumo deva ocorrer nas prximas semanas, j que a sociedade no admite mais a inflao como forma para driblar o conflito distributivo existente no Brasil. A PEC dos precatrios feriu o pagamento das dvidas de pequeno valor e mexeu nos parmetros do teto de gastos, de forma casustica.

Este cenriodeve fazer com que em 2023 haja uma discusso mais aprofundada sobre o ajuste fiscal. um problema que est sendo empurrado de um ano para outro, ressalta Pessa.

OFERTA E DEMANDA – Um dos primeiros reflexos da pandemia foi o distanciamento social. Foi quase um ano e meio ficando primordialmente em casa, diz Pessa. Isso gerou mudana de hbitos entre as famlias: o consumo de bens aumentou em detrimento do de servios, que foram afetados pela drstica reduo na mobilidade.

Segundo a Ebit/Nielsen, o comrcio eletrnico atingiu no primeiro semestre de 2021 o maior patamar histrico de vendas: R$ 53,4 bilhes, um crescimento de 31% em relao a igual perodo de 2020. O nmero de pedidos aumentou 7% e o valor mdio das compras teve um incremento de 22%.

Enquanto isso, o distanciamento social e as medidas restritivas tiveram um impacto negativo no setor de servios, que chegou a encolher 19% em maio do ano passado, comparativamente a igual poca de 2019, segundo o IBGE.

PERFIL DE CONSUMO – Pessa lembra que essa mudana no perfil de consumo foI acompanhada por um forte crescimento na procura por bens, o que ampliou a produo nas fbricas. A expanso acumulada na produo industrial teve um incremento de 6,4% nos 12 meses encerrados em setembro, comparativamente a igual perodo anterior.

Houve uma retomada em V e a indstria veio bombando. Isto exigiu mais chips, energia, infraestrutura porturia…., aponta ele. O problema que a quebra de cadeias globais, provocada tambm pela pandemia, impediu as manufaturas do mundo todo de dar conta dessa retomada em V.

O resultado a escassez global de matrias-primas e componentes, como os semicondutores, que obrigam fbricas que dependem deles como as montadoras de veculos a interromper a produo, com consequncias sobre a atividade econmica como um todo.

SERVIOS DESORGANIZADOS Outro impacto causado pelo isolamento social foi a desorganizao no setor de servios. Os prestados s famlias ainda no se recuperaram e acumulam uma retrao de 5,6% nos 12 meses encerrados em agosto, segundo o IBGE.

um fenmeno comum a todos os pases. As restries mobilidade desorganizaram os servios. E a normalizao da demanda est ocorrendo em cima de uma oferta desorganizada, diz Pessa.

Um dos reflexos o aumento nos preos dos servios. As passagens areas, impulsionadas pela alta nos combustveis, tiveram uma alta de 50% nos 12 meses encerrados em outubro; o transporte por aplicativo subiu 37% e os consertos e manuteno, 11%. Para a Associao Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), no momento, uma das principais dores de cabea do setor com a alta de preos de alimentos e bebidas, que atinge 12% em 12 meses.

ENDIVIDAMENTO SETORIAL – Outra preocupao com o endividamento setorial. Alm da inflao, continuamos preocupados com o alto nvel de endividamento das empresas. A alta da Selic trouxe problemas para quem pegou emprstimo na crise, principalmente os que aderiram ao Pronampe em 2020. Quem pegou o crdito a 3,25% de juros ao ano agora est pagando 9%, por causa da indexao Selic, diz o presidente-executivo da entidade, Paulo Solmucci.

A energia um dos fatores que contribuem para ampliar a inflao mundial. O preo do petrleo mais que dobrou nos ltimos meses. Mas, no Brasil, h um componente particular: o pior cenrio hdrico em 91 anos causou um aumento de mais de 30% na energia eltrica nos ltimos 12 meses, segundo o IBGE.

E a falta de chuva obrigou a um forte aumento na gerao termeltrica, muito mais cara, pressionando ainda mais a inflao. Esse cenrio foi um dos determinantes para que o Comit de Poltica Monetria do Banco Central (Copom) promovesse sucessivos aumentos na taxa bsica de juros, a Selic, o que deve ter reflexos negativos sobre investimento e consumo.

SEM RACIONAMENTO – O nvel dos reservatrios melhorou recentemente, o que, segundo o Operador Nacional do Sistema Eltrico (ONS), afastou o risco de racionamento e apages. Porm, a situao est longe de ser confortvel: na quinta-feira (18), os reservatrios do subsistema Sudeste/Centro-Oeste responsveis por 70% da capacidade de armazenamento do setor eltrico ocupavam somente 18,81% do volume mximo.

E o custo elevado da energia eltrica deve persistir. A perspectiva, por ora, de forte aumento de preos no ano que vem, uma vez que as cobranas de valores adicionais do consumidor, dentro do sistema de bandeiras tarifrias, no esto sendo suficientes para compensar o aumento de custos do setor. Um memorando da Agncia Nacional de Energia Eltrica (Aneel) indica a possibilidade de aumento de 21% na conta de luz em 2022.

(Artigo enviado por Mrio Assis Causanilhas)

5 thoughts on “O que est por trs da inflao e da desacelerao do crescimento do pas desafia os candidatos

  1. bvio que existe uma relao diretamente proporcional entre investimento do setor pblico e a produtividade relativa do Brasil, somente um cracudo mental poderia negar isso.

    at intuitivo: quando o governo usa seu poder estratgico de investimento – por definio maior que o de qualquer ente privado – para construir uma agncia do INSS, um posto de sade, uma rodovia, uma estao de tratamento de esgoto ou o que seja para melhorar a prestao de servios, ele contrata empreiteiras que, por sua vez, contratam fabricantes/fornecedores de material de construo, de EPI, de refeies, de banheiros qumicos etc., gerando uma srie de empregos diretos e indiretos, aumentando a renda nacional e criando as condies para mais investimentos, num crculo virtuoso.

    Num pas com tantas precariedades e desigualdades como o Brasil, em que mais da metade da populao no tem acesso a saneamento e moradia decente, aumentar continuamente o investimento pblico para resolver essas questes deveria ser um dogma, de preferncia junto a uma poltica de cotas progressivas de contedo nacional de diferentes regies para estimular a indstria local em todo o pas.

    Em vez disso, porm, o que vemos so nveis vergonhosos de investimentos pblicos (nas trs esferas federativas), ainda menores agora que em 2017, quando j eram os menores da histria, mesmo com o Brasil tendo uma populao significativamente maior que em dcadas anteriores. Nesse ponto, alis, todo o ps-Plano Real um vexame, pois o maior nvel alcanado, no ltimo ano de governo Lula foi, contudo, menor que o menor nvel do governo Sarney, que j era o menor em dcadas.

    Se o nvel do final do governo Lula j foi suficiente para elevar a produtividade relativa do Brasil, imaginem a densidade de desenvolvimento que uma poltica sria e planejada de investimentos pblicos massivos propiciaria. Mas, infelizmente, o que se faz o contrrio, constitucionalizando a excrescncia do teto de gastos. A cracolandizao das ruas a consequncia da cracolandizao mental das elites dirigentes do pas.

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    E tudo isso porque a elite brasileira que no brasileira se submete a ingerncias externa. A nossa soberania s depende de ns mesmos. Por isso a importncia de linhas de pensamento NACIONALISTA.

  2. Bolsonaro / Guedes esperam que a iniciativa privada tome as rdeas de tudo.
    Iro construir ferrovias, duplicar as BRs, Metros, Saneamento, Novas Refinarias tudo…
    Enquanto isso FORD e a GM, fecharam a EMBRAER s no fechou por que a BOEING teve outros problemas.
    A meta deles deixar tudo acontecer por si s. Se no acontecer porque a iniciativa privada no tem interesse. Fazer o que!?

  3. Os militares por pura ignorncia apostaram no bolsonaro e at agora no se acham por vencidos.
    De quebra ressuscitaram o Lula, de graa, sem dvidas, sem rancor, sem pendncias judiciais.
    Tem que bater palmas para esses notrios estrategistas.
    Se algum quiser afundar uma empresa, contrata um desses, em seis meses comeam a aparecer os resultados.
    Pior que fizeram isso com o prprio pas.

  4. No est preocupado com o Brasil, com os juros altos, o desemprego com a inflao. Mas, com as suas contas no paraso fiscal das Ilhas Britnicas Virgens, confirme descoberto pelo escndalo Pandorra Papers, isso ele est .
    Perdeu aquela arrogncia arbica e no fica mais arrotando o seu preconceito contra as empregadas domsticas e os filhos de porteiro. No sou eu que estou dizendo, isso pblico e notrio.

  5. Paulo Barata-Tonta Guedes est de parabns, est conseguindo realizar em 3 anos o resultado que o neoliberalismo levou 30 anos no Chile… A quebradeira s vai piorar com esse receiturio dessa turma do ME e do BC. No se combate incndio alimentando a combusto…

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