O que tem a ver a saída da Ford com o abandono do Fundo Científico e Tecnológico?

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Ford deixa um rastro de desemprego em plena pandemia

Fernando Peregrino
Estadão

As indústrias em geral, como a automobilística, há muitos anos (vide “Tempos Modernos”, filme do Carlitos) estão cada vez mais robotizadas e, com isso, conseguem maior produtividade, ganhos de escala e custo menor. Isso só se consegue com tecnologia e mercados planetários.

Nosso país, entretanto, não investiu em tecnologia o suficiente para abastecê-las ao longo de décadas. Historicamente, o investimento nesse segmento gira em torno de 1% do PIB, quando de deveria ser de 2% a 3% do PIB.

MONSTRO BUROCRÁTICO – Isso para não falar do monstro da burocracia feroz que impede a ligação da universidade com a indústria, contra a qual o Conselho Nacional das Fundações de Apoio às Instituições de Ensino Superior e de Pesquisa Científica e Tecnológica (CONFIES) tanto se bate!

Resultado, embora com subsídio, a fábrica automobilística deixou de ser competitiva no mercado mundial (capitalismo não tem apreço pelo social, mas pelo lucro), vis a vis outras instalações como as do México! A Ford foi embora do Brasil. Com ela 5 mil empregos diretos. 15 mil indiretos.

Outras irão.

MAIS VETOS, MENOS VERBAS – Enquanto reclamava da Ford, o mesmo presidente Jair Bolsonaro ontem vetava artigos cruciais do PLP 135 e reduzia em R$ 5 bilhões os investimentos em pesquisa pelo FNDCT (Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico)! E deu como razão do veto o interesse público (sic)! De quem podemos reclamar? Da Ford ou do Governo?

O País caminha acelerado para seu destino: ser uma pobre periferia do capitalismo! Qual a vacina para isso?

6 thoughts on “O que tem a ver a saída da Ford com o abandono do Fundo Científico e Tecnológico?

  1. Uai, não entendi nada sobre o que lí na matéria!
    O aparato tecnológico utilizado pelas multinacionais no território brasileiro, como a americana Ford, deve ser financiado e desenvolvido pelos recursos da própria empresa, e não pelos recursos dos pagadores de impostos do pais onde operam. As pequenas e micro empresas submetidas ao Lokdawm do governador Dória, somente em São Paulo, Geraram muitos mais desempregos de que essa multinacional americana. E o articulista nada diz sobre isso!

  2. Um país somente se desenvolve se tiver investimento em P&D e em longo prazo para gerar resultados. O Brasil parece condenado a ser fornecedor de produtos sem valor agregado.

    Claro, se o setor público tem pouca grana para investir diretamente, o setor privado deveria receber incentivos fiscais, além de diminuir a burocracia, para parcerias com universidades, a fim de aumentarmos nossa capacidade tecnológica própria. Mas não vejo algum plano para isso.

    E deveríamos olhar o mundo, no que diz espeito ao direcionamento de recursos e ao modo como eles criam condições para aumentar sua capacidade tecnológica.

  3. A questão é complexa. Mas sem dúvida depende do governo Federal. Lembram que em 2002 a indústria naval estava TOTALMENTE sucateada?
    Foi só a Petrobrás deixar de comprar plataformas e navios de Singapura e comprá-los no Brasil.
    Passamos a ter uma forte indústria naval em Rio Grande, em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, na Bahia, e em Suape.
    Sem contar com a fábrica de submarinos em Itaguaí.

  4. Vamos e venhamos, sejamos bem sinceros, há muito que o Brasil se tornou um país da periferia, o que melhor fazemos e plantar e colher, engordar o gado e vendê-lo e o que mais? Sim temos a terceira maior fábrica de aviões do mundo, na verdade ela é uma montadora de aviões, porque na verdade internamente são pouquíssimos os fornecedores de peças para uma indústria tão sofisticada. E só. As montadoras só montam carros tecnologicamente atrasados, lá nas matrizes estes carros não são mais montados. Não digo que deveríamos nos conformar com tal estado de coisas, mas devemos em primeiro lugar determinar quais tecnologias são as mais necessárias e urgentes para o nosso progresso e, a partir daí começarmos a sonhar mais alto.

  5. A imprensa brasileira é a maior sabotadora do nosso desenvolvimento!

    Duvidam?!

    Em dezembro de 2020, a Marcopolo anunciou que começará a fabricar VLTs. Em entrevista ao Valor Econômico, o presidente do IPEA Carlos von Doellinger, que foi subsecretário de Fazenda do RJ e presidente do finado Banerj no desgoverno Moreira Franco (sogro de Rodrigo Maia, bom lembrar), disse que “não somos bons em produzir materiais de transporte, não somos bons nisso” e sugere que o Brasil se concentre em agricultura e extrativismo.

    Eu entendo isso como uma ameaça à Marcopolo, e ao desenvolvimento tecnológico brasileiro, uma das poucas empresas nacionais no ramo que resistem, após Collor e FHC terem triturado Mafersa, Fábrica Nacional de Vagões e Santa Matilde.

    A Marcopolo que se cuide para não ser arrasada pela Lava-Jato como a Odebrecht e as outras empreiteiras foram. O Governo Federal, o Ministério Público e o Judiciário estão comprometidos em não deixar nenhuma indústria brasileira prosperar. Ordens de cima. Do Titio Sam.

    E isso prova q a imprensa brasileira está junto dessa trama, pois nunca contesta esses “entendidos” sobre essa sabotagem contra o Brasil. Só bocós não percebem q a imprensa brasileira é a favor do caos no Brasil.

    Como a imprensa brasileira tem a tendência de apoiar direta ou indiretamente esses “entendidos”, entende-se o silencio dos nossos grupos midiáticos.

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