O racismo, a escravidão e o nazismo são as páginas mais hediondas da história universal

Rastros da escravidão estão contidos na política de exploração do trabalho

Pedro do Coutto

No Brasil, o mês de novembro marcou a passagem da Consciência Negra que felizmente está se impondo cada vez mais. Porém, as suas conquistas têm exigido o passar do tempo, embora tenham se acelerado nos dois últimos anos como comprova a presença do sangue negro, majoritário no país, em posições de destaque, incusive no jornalismo, como no caso da TV Globo e da GloboNews, por exemplo

Na realidade, a maior parte da violência do ser humano contra os seus semelhantes tem origem ou base no racismo, no impulso de escravizar e de desprezar seres como se fossem desiguais e inferiores. O racismo não se restringe à raça negra, mas sem dúvida alguma tem na raça negra o seu principal ponto de contestação e objeto de domínio.Seja disfarçado, como ainda ocorre hoje, seja explícito como ocorreu a partir da era colombiana e se estendeu por trezentos anos no percurso entre a África e o Brasil, e entre a África e os Estados Unidos.

MILHÕES DE VÍTIMAS – No caso brasileiro, começou ainda nos anos de 1500 e só terminou, referindo-me ao tráfico, trezentos anos depois. Foram transportados do continente Africano, sobretudo de Angola, para o Brasil, mais de três milhões de seres humanos iguais a todos nós, mas subjugados por interesses econômicos imundos e hediondos. O problema racial, entretanto, nao se restringiu à raça negra, mas também se estendeu a outras etnias e à escravização e o assassinato de seis milhoes de judes pelo nazismo de Hitler. Havia campos da morte e violação total e absoluta de quaisquer direitos humanos pelos nazistas e fascistas.

Nos Estados Unidos houve até a Guerra da Secessão de 1860 a 1864 quando o país era presidido por Abraham Lincoln, um abolicionista. Foi a vitória do Norte contra o Sul e que trouxe consigo a morte de 600 mil americanos. No Brasil não houve guerra, mas um longo período de escravização que atravessou todos o Império, inclusive o de Pedro II que estendeu a escravatura somente abolida pela pressão política  liderada por Joaquim Nabuco, um aristocrata, e rejeitada na alvorada de 1888 pelas forças militares que se recusaram a exercer a função de captura de escravos rebelados. Entre eles, Zumbi dos Palmares, sem dúvida alguma, um herói que abriu o caminho para a abolição.

Mas a escravidão deixou rastros que estão contidos na política de exploração do trabalho. Em nosso país, no meio agrário, as famílias trabalham em grupo e só o chefe das unidades consegue receber uma importância em dinheiro. Mulheres, filhos e filhas trabalham pela comida. Está aí configurada, como se verifica no noticiário, os regimes de semi-escravidão, 133 anos após ela ter sido abolida.

INICIATIVA INGLESA – A partir de 1831, já com a escravatura transcorrida em seu terceiro século, é que houve, internacionalmente, por parte da Inglaterra, uma iniciativa contra o tráfico negreiro. Navios ingleses torpedeavam os navios. Esse lado da escola foi ensinado muitos anos nos colégios brasileiros como um marco contra a escravidão. Mas, examinando-se bem o quadro, verifica-se que ocorriam assassinatos de negros inocentes nos porões dos navios. Somente a partir de 1845, a lei inglesa foi alterada e os navios negreiros eram considerados piratas e passaram a ser apreendidos.

Os ingleses lutavam também pelo aumento do mercado para seus produtos manufaturados, já que os escravos trabalhando pela comida não possuíam poder de compra. Muito menos direitos humanos. Eram tratados como um animais, vendidos em praças públicas do Rio de Janeiro, como se fossem mercadorias.

Depois da chamada Lei do Tráfico, aí a legislação brasileira incluiu a Lei do Sexagenário, depois também a Lei do Ventre Livre e finalmente a Abolição, forçada pelos fatos e que foi  à véspera da Proclamação da Repúblicara. Mas a escravidão ainda existe no país. Conforme disse, principalmente nos meios rurais, mas encontra também exemplos nas favelas dos grandes centros urbanos.

VALORES IRRISÓRIOS – Pessoas empregam outras pagando valores pouco diversos de uma escala que começa em zero e termina muito distante da necessidade de sobrevivência de quem presta os serviços. Esta é a realidade de hoje, diversa do panorama colonial de ontem, mas ainda deixando muito a ser feito. Pessoalmente creio que será uma tarefa para pelo menos um século, já que, mais de um século depois da libertação, os seres humanos no Brasil permanecem escravos de uma situação tão econômica quanto social. Uma vergonha para todos nós.

Infelizmente, ainda resistem no mundo, inclusive no Brasil, posições extremadas à direita que lembram e até se inspiram nos repugnantes princípios nazistas.  É triste que o tema ainda seja ponto importante de debate nas universidades, do mercado de trabalho e na vida social de modo generalizado. Um absurdo, basta ver a extraordinária presença negra na arte popular, na música americana, nos esportes, no cinema. Acentuo, mais uma vez, que o racismo, apesar de debilitado, ainda está presente nos fatos porque, na realidade, para mim só existe uma raça, que é a humana.

12 thoughts on “O racismo, a escravidão e o nazismo são as páginas mais hediondas da história universal

    • Derretendo..!!!

      A arrogância, prepotência, petulância, desfaçatez, deboche, mentiras compulsivas, trairagem, covardia, assaltos, roubos, corrupção acabaram com o Partideco Mais Corrupto do Universo.
      E eu avisei…..

      eh!eh!eh!eh

  1. O conceito de hediondo do autor é cegueta de um olho. Inclui o nazismo entre as piores desgraças da humanidade, mas exclui o marxismo-leninismo (socialismo), a ideologia do extermínio das classes sociais e irmã siamesa do fascismo, responsável direto por uma montanha de cerca de 100 milhões de cadáveres, 15 vezes mais do os mortos do nazismo. Nazismo é hediondo, já o socialismo …

    Rola na net uma foto de um casal americano com o seu filho, cada um com uma frase na sua camiseta. A do marido, homem negro, diz “Vidas brancas importam”; a da esposa, mulher branca, diz “Vidas negras importam”; a do filho, diz “Todas as vidas importam”. O ilustrador da TI tem muito o que aprender.

    • Pensei em acrescentar, mas você já o fez. Marxismo-leninismo = comunismo.
      Na minha avaliação, Stalin foi maior carniceiro que Hitler. O que ele fez na Ucrânia, matando milhões de fome não tá no gibi. O evento ficou conhecido como Holodomor. Em ucraniano esse termo significa morte pela fome.

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