O rejuvenescimento de Dona Dilma, mais do que visível, antes mesmo de assumir. Como diz sutilmente Jorge Bastos Moreno, prepara o neto de 1 ano para disputar a Presidência em 2064, com quem? Lógico, com José Serra.

Helio Fernandes

A mudança é completa, total, súbita e digamos, inesperada. Trombeteavam seu estilo duro de “administrar, comandar e até de se relacionar”. Chefe da Casa Civil, ministros (como ela) chamados, iam, não podiam deixar de ir, assustados. E muitos, duramente recriminados.

Isso era tido e havido como fazendo parte do seu perfil e estilo, identificação referendada ou pelo menos não contestada, até por amigos.

Não mudou nada nem mesmo na campanha. Foi uma espécie de tormento coletivo, para conselheiros, assessores e marqueteiros. Agora, parece outra pessoa, personagem diferente, não digo nova Dilma, porque é a mesma Dilma. Mudança na roupagem, maquiagem, uma espécie de vernissage. (Desculpem).

Poderia discorrer longamente sobre essa mudança, mas todos estão vendo, ou não? Nessa tumultuada e tormentosa transição, tem se comportado serena e tranquilamente. Ministros são convidados no Planalto, desconvidados ou com ministério modificado, só vão saber quando chegam ao aeroporto.

Estabelece com derrotados, que precisam de recuperação ou compensação, conversa sem o menor constrangimento. E muitos saem do encontro, sem cargo, mas sem a menor raiva. (Manterá essa disposição depois de 1º de janeiro?)

Na fila dos cumprimentos-bajulação, (na diplomação) conversou com todos, até mais tempo do que devia, os de trás, irritados. (Na mesma fila, arrogante e pretensioso, Michel Temer, numa das raras vezes em que apresenta a segunda mulher, 28 anos mais moça).

Finalmente, na despedida de Lula, no Alvorada (com entrada franca), ficou longe, sentada, exibindo grande satisfação. Nem chegou perto de onde estava o presidente Lula, não queria interpretação duvidosa. Não podia deixar de ir, foi mas sem tentar de jeito algum ofuscar o ainda presidente.

***

PS – Registrando, ressalvando e reiterando, principalmente para muitos iconoclastas ou trogloditas (aproveitando o anonimato da internet, dirão: “O Helio aderiu à Dilma”).

PS2 – Não aderi, nem eu nem ela precisamos. Se fizer as reformas que o Brasil espera, será elogiada obrigatoriamente. Se não fizer, terá que ser criticada ou sofrer restrições, também obrigatoriamente.

PS3 – Ninguém poderá mudar a situação. Se não estiver no auge depois dos oito anos (uma eleição e uma reeeleição), não terá condições de eleger o neto contra José Serra em 2064.

PS4 – Royalties para o jornalista Jorge Bastos Moreno, no seu estilo sutil e agradável para os amigos, “incompreensível” para os inimigos.

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