O saco de maldades contra o consumidor de energia elétrica está cada vez mais repleto

Editorial
Instituto Ilumina

O Jornal Valor Econômico do dia 1 de outubro noticia que “As distribuidoras poderão usar empréstimo para bancar o risco hidrológico”.

Quem lê, sem informação básica sobre o setor, até acha que é uma boa notícia. Puxa, que ótimo! Empresas vão bancar através de empréstimos feitos para melhorar a gestão do negócio o risco de hidrologias severas!

Nada disso! O empréstimo quem tomou foi você, consumidor! Quem vai pagar juros sobre kWh consumido é você, consumidor! Conseguimos algo inimaginável antes das desastrosas “reformas” feitas no setor elétrico. Na realidade, as empresas distribuidoras não conseguem mais bancar os custos e ser ressarcidas por uma tarifa fixa, como acontece com qualquer serviço público que se preze.

Ai você perguntaria: Ué? Todas as distribuidoras do país não conseguiram gerir o seu negócio? Claro que não foi uma epidemia de má gestão! As empresas ficaram descontratadas porque o governo não fez leilões viáveis para contratar fornecimento de energia no lugar de contratos que expiravam em 2013.

LEILÃO VAZIO

E por que não conseguiu? As autoridades acharam que poderiam obter preços semelhantes aos que foram firmados em 2004, quando a carga tinha encolhido 15% por conta dos efeitos póstumos do racionamento. O “mercado”, que é uma espécie de eminência parda para o atual modelo, não concordou e o leilão ficou vazio.

O mercado estava errado? Não! Eles simplesmente avaliaram que, dadas as condições atuais de oferta, o sistema apresentava sinais de que os preços iriam se elevar. Sabiam também que, ao contrário de todos os mercados de energia no mundo, o brasileiro pode apresentar diferenças de 7.000% e espantosos ganhos poderiam ocorrer. Seriam os agentes desonestos? Não! Esse é o jogo que está montado no setor elétrico brasileiro. Mesmo após as reformas de 2004!

NÃO HÁ CONTRATOS?

Risco hidrológico? O que é isso? Não há contratos? Como esse risco veio parar nas costas das distribuidoras, quer dizer, dos consumidores? Como a tarifa brasileira só faz subir desde 1995, o governo, sem fazer nenhum diagnóstico, resolveu fazer uma intervenção não ortodoxa no mesmo sistema de “mercado” que ele tanto preza. Para baixar tarifa, o governo resolve impor irrisórios custos às usinas antigas, quase todas da Eletrobras, que está praticamente quebrada. Junto, no pacote, transfere o risco hidrológico dessas usinas para as distribuidoras, quer dizer, para os consumidores.

Mas, afinal de contas, o que é esse risco? Nesse ponto toda a virtualidade do modelo emerge grandiosa. As usinas têm um número mágico que é a energia que ela deve produzir. Está escrito na turbina? Não! Está nos geradores? Não! Está nos manuais? Também não! É uma decisão do dono da usina? Por incrível que pareça, também não! É uma conta de escritório feita por um modelo computacional do governo que, como todo modelo, pode estar errado. Pois bem, agora os consumidores também vão pagar juros sobre esse “erro”.

Fechando o pacote com chave de ouro, vem ai a bandeira tarifária. A maldade é a seguinte: Reservatório meio vazio? Consumidor paga! Reservatório vazio? Consumidor paga mais! E se os reservatórios estiverem cheios? Algum desconto? Claro que não! Afinal, porque deteriorar o saco de maldades? (artigo enviado por Mário Assis)

 

One thought on “O saco de maldades contra o consumidor de energia elétrica está cada vez mais repleto

  1. A questão não é bem assim. O problema do aumento da energia, está diretamente relacionada ao crise hídrica que assola o país, por conta da seca, então, por conta desse caos, as geradoras não geram a quantidade de energia elétrica suficiente para atender a demanda. Então, por conta desse déficit, as usinas termelétricas – que tem um custo do megawatts/hora de energia elétrica mais caro, em função do tipo de insumo utilizado, que é o carvão mineral, gás, etc….
    Espero ter esclarecido, um bom dia

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