O Samba do Advogado Doido

Técio desrespeitou a linhagem dos Lins e Silva

Sebastião Nery

RIO – Em 12 de dezembro de 1964, o “Correio da Manhã” publicou: – “Justiça Reintegra Cassados na Bahia” – “O Tribunal de Justiça da Bahia concedeu por unanimidade mandado de segurança a Ênio Mendes e Sebastião Nery, para que regressem aos mandatos de deputados. Tiveram os mandatos cassados por determinação do comando da 6ª Região Militar”.

“O deputado Orlando Spínola, presidente da Assembleia, foi chamado à 6º Região e ouviu do general João Costa que os deputados Ênio Mendes e Sebastião Nery não podem reassumir seus mandatos, “pois foram cassados pela Revolução, cujos atos só podem ser julgados pela história”.

“Era a primeira vez, desde o golpe de 31 de março, que um Tribunal do pais anulava um “ato revolucionário” e por unanimidade. O relator foi seu presidente, o desembargador Renato Mesquita, antigo líder integralista, homem integro e respeitado em todo o Estado. Os advogados eram os consagrados professores Josafá Marinho e Milton Tavares”.

Depois de vários meses preso em três quartéis (Barbalho, na verdade um campo de concentração, Mont Serrat e 19º BC), sem uma só acusação séria contra mim, foram obrigados a me soltar. Mas avisaram:

– “O senhor está proibido de sair de Salvador e toda semana deverá comparecer ao quartel da Marinha, em Amaralina. Se recorrer à justiça para voltar à Assembleia, será preso novamente”.

Desafiei-os. Recorri ao Tribunal de Justiça. Sabia que eles jamais deixariam a Assembleia cumprir a decisão judicial. Quando o Tribunal decidiu, a Auditoria Militar decretou novamente minha prisão.

Deram batidas em todo canto e não me encontraram. E pior: cercaram a Assembleia, humilhando os acovardados deputados.

Em 13 de dezembro, o “Correio da Manhã” continuava:

– “Bahia: – Comando Veta Posse de Deputados” – “O Comandante da 6ª Região Militar reafirmou ontem que os deputados Sebastião Nery e Ênio Mendes, beneficiados com mandado de segurança concedido unanimemente pelo Tribunal de Justiça, “não podem reassumir seus mandatos e a decisão do Tribunal não pode ser cumprida”.

Na ditadura era assim. Hoje, o leviano presidente do IAB (Instituto dos Advogados do Brasil) diz que “a Lava Jato é pior do que na ditadura”.

FERNANDO LEITE MENDES

No dia 17, o “Correio” trazia manchete de primeira página: – “Deputados Baianos Cassados Novamente”.

– “O fundamento da nova formula foi “falta de decoro parlamentar”, “não no sentido moral, como explicou ao “Correio da Manhã” o deputado Orlando Spínola, presidente da Assembleia, mas, numa interpretação mais ampla do texto constitucional, no sentido da inconveniência da permanência dos dois deputados no exercício de seus mandatos, face à situação atual e ao ambiente revolucionário. Os votos contrários à cassação foram dados pelo PSD, PL e PST. O primeiro a falar foi o deputado João Borges do PL, contra a nova cassação. No dia seguinte, 18 de dezembro, o talentoso jornalista e cronista e escritor baiano de Ilhéus, Fernando Leite Mendes, escreveu no “Correio” uma crônica magistral, inesquecível:

– “Decoro e Decoração” – “É tempo de muita palavra com sentido novo, nestes dias de lexicógrafos fardados incursionando pela semântica, com a baioneta das neodefinições. O presidente da Assembleia baiana teve o cuidado de informar à reportagem que seus pares haviam “ampliado o conceito de decoro parlamentar que, no caso, seria a inconveniências de permanecerem na Assembleia os dois deputados face à situação atual e ao ambiente revolucionário”. Isto quer dizer que para os legisladores baianos quebra do decoro é, simplesmente, não concordar com o estado de coisas instaurado no País. Pois, pelo critério baiano, os deputados servem para ornamentar a cena política com os seus de-acordos e os seus améns”.

REPÓRTER PETROBRAS

À noite, o “Repórter Petrobrás”, da Rádio Sociedade da Bahia, o de maior audiência do Estado, divulgou violenta entrevista minha dizendo que os militares “não respeitam a Justiça e a Assembleia não se respeita”.

O esquema estava antecipadamente bem montado. Enquanto o “Repórter Petrobrás” punha no ar minha entrevista, gravada com minha voz, eu já chegava a Feira de Santana, escondido no banco traseiro de um carro, e ouvia a entrevista no rádio, de luzes apagadas. Naquela noite o Exército da Bahia, com algumas dezenas de patrulhas, revirou a cidade tentando pegar-me. Eu já estava longe. Humilhei-os no Tribunal e na fuga.

TÉCIO, O ESTRANHO

Quem viveu aqueles duros e turvos dias não pode tolerar que o estranho presidente do IAB (Instituto dos Advogados do Brasil), advogado Técio Lins e Silva, venha dizer que “a Lava Jato é pior do que a ditadura”).

Devia respeitar a memória do bravo ex-presidente do IAB, o inesquecível Hermann Baeta, morto semana passada, que tanto resistiu à ditadura.

7 thoughts on “O Samba do Advogado Doido

  1. Será que em outros povos, advogados como Técio seria considerado, ao menos, um jurista?? Creio que não. Quanto mais “um grande jurista” !!! Esse cara é da turma que admira Moreira Franco, Jader Barbalho, e Sergio Cabral Filho.

  2. Senhor Santos Aquino : Sua crítica ao jornalista Sebastião Nery não tem o menor sentido. Gostaria que o senhor indicasse um texto em que o autor se declara bandido, corrupto, ladrão e outras coisas mais. Leia os textos do Nery e nos alerte onde está a mentira.

  3. Sebastião Nery tem história para contar, porque viveu intensamente a vida do país e enfrentou como poucos a ditadura. Foi preso diversas vezes e torturado pelos covardes membros da ditadura civil militar. Levou um soco tão forte no nariz, que nunca mais se recuperou.

    Respeito muito o jornalista Sebastião Nery, que também é um escritor dos melhores do país. Lembro de Pablo Neruda com seu livro clássico: Confesso que vivi. Nery incontestavelmente viveu todas as histórias descritas em seus artigos. Nery não é poeta, se fosse poderia ser um fingidor, que finge que é dor, a dor que deveras sente, nas palavras de Fernando Pessoa.

    Ainda nos estertores do regime militar-civil, Nery pilotava um programa sobre temas políticos às 22:00h na TV Bandeirantes. No final do programa uma tesoura passava na tela simbolizando a censura. Assistia-o todas as noites, um oásis em pleno deserto televisivo. Pouco tempo depois, a ditadura exigiu o fim do programa, assim como, havia uma ordem expressa para impedir qualquer entrevista do jornalista Hélio Fernandes na televisão.

    Por esta razão, considero infeliz a comparação dos advogados em carta aberta aos jornais, ocasião em que compararam os tempos atuais da Lava Jato com os tempos da ditadura civil-militar. Será que nenhum dos signatários da tal carta, ao menos uma vez nos 21 anos de amordaçamento e falta de liberdades democráticas puderam visitar os porões da ditadura, na defesa de algum cliente? Em relação àquele negro período da história da nação, estamos hoje no melhor dos mundos. Tem corrupção é lógico que tem, porém, está sendo combatida e os corruptores punidos exemplarmente. Na época da ditadura, nunca soube de banqueiro, ex-ministro ou empreiteiro preso.

    Sebastião Nery, você é sensacional e sendo um homem além de seu tempo, a mínima homenagem que lhe dedico é afirmar que acredito em você de olhos fechados.

    Alea jacta est

  4. Ficava muito p. e muito incomodado quando o Nery escrevia aqueles artigos acusando o Sr. Brizola. E também os artigos do Sr Helio Fernandes também acusando o Sr. Brizola. Ficava muito p. torcendo para que ninguém lesse. E o que deu… caímos NA COMUNISTADA DA PETRALHADA E DE UMA OPOSIÇÂO TAMBEM ESCROTA AO MOLUSCO DE NOVE DEDOS. É CASTIGO DEMAIS. QUE MERDA!!! QUE MERDA!!!

  5. AINDA AQUI. PRECISAR SER UM IDIOTA E NAO SABER QUE PEGAR DINHEIRO PUBLICO DE QUALQUER MANEIRA E DE FORMA ESCROTA PARA COMPRAR DEPUTADO E SENADOR E JUIZ E O CARALHO QUE SEJA , IMPUNIMENTE, MORRA QUEM MORRER E VÁ PARA O INFERNO SEM HOSPITAL E SEGURANÇA PUBLICA E DEPOIS FIQUE GRITANDO QUE NEM UM RETARDADO: QUERO JUSTIÇA, QUERO JUSTIÇA, ORA VÃO PARA OS QUINTOS DO INFERNO, CAMBADA DE …………… CARNAVALESCOS E FUTEBOLISTICOS DE MERDA!!!!

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