O Senado não é imune ou intocável, Sarney não é o culpado de tudo, mas é o estorvo direto para todos

No seu discurso de “explicação” e “defesa”, o pior dos seus cinco mandatos, (que, na certa, quando deixar o mandato de presidente, mandará cortar dos anais) Sarney implorou num tom de lamento deplorável mas inquestionável: “Não me submetam à humilhação, não mereço”.

É possível, provável, admissível quase certo, que não seja culpado de tudo. Mas a partir do seu discurso na volta do recesso do tempo e da implantação do recesso da moralidade, da dignidade, da responsabilidade, da credibilidade, não há como deixar de afirmar: “Com Sarney na presidência, não haverá convivência”.

Sem ele também não, mas é doloroso assistir a degradação de uma instituição como o Senado, e a decadência de um presidente da República, que nem de longe era um estadista, mas não se deixou humilhar ou se autohumilhou deliberadamente como Sarney nesses episódios de agora.

Agressões, hostilidades e palavrões

Pensei que ontem já tivesse dito tudo, quando coloquei no título e na matéria: “A BAIXARIA DA SEGUNDA-FEIRA, SE REPETE MAIS GRAVE NA QUINTA-FEIRA”. Mas é preciso relacionar mais, mesmo envergonhado, constrangido e assombrado com o que está acontecendo.

Além do mais, desde a Constituinte de 1946 acompanho o Congresso, tenho mais tempo de “cobertura” jornalística do que muitos senadores têm de idade. São 63 anos, como só podiam começar no Senado com 35 anos, teriam que ter 98. Podiam ter começado mais cedo em cargos menores, se é que hoje, os senadores possam dizer que estão em cargos maiores.

Mas nesta semana violentaram todas as regras políticas, incluindo as da convivência. E isso tramado, planejado e executado com a complacência ou a indecência de 54 senadores que estão no fim de mandato (provavelmente nem a metade se reelegerá) e 20 suplentes que sem votos, sem povo e sem urna, tentarão se abrigar com alguém que para se eleger ou reeleger, precise de financiamento.

A HUMILHAÇÃO que Sarney não quer,
a RENÚNCIA-REVOLTA seria seu grande gesto

Assisti e escrevi sobre muitas crises brasileiras, até mesmo com repercussão no Senado, pois este sempre foi importantíssimo.  Pois dos presidentes civis, quase todos saíram do Senado ou dos governos estaduais, e depois de cumprido o mandato presidencial voltavam para o Senado, ou eram outra vez governadores. (Principalmente na Primeira República, chamada de “República Velha”, até 1930. Depois quase tudo foi ditadura, de generais apoiados por civis, de civis garantidos por generais).

Mas o de ontem foi o fim de uma Era e de um sistema, o ponto central é o presidente da “casa” José Sarney. Seu discurso dói a HUMILHAÇÃO imposta por ele mesmo por palavras. O de ontem foi a HUMILHAÇÃO, novamente imposta por ele, agora pela OMISSÃO.

Não podia se submeter ao acordo de aceitar a combinação, “o senador Renan vai falar com o Sarney na presidência, assim falará o tempo que quiser”. COMBINADO E CUMPRIDO.

Como tudo isso era revoltante, o desfecho teria que vir depois que Sarney exibiu a BAIXARIA de 1 hora e 20 minutos, e continuou a BAIXARIA, no plenário. Sarney sentado na Mesa, não presidindo nada, de cabeça baixa, sem uma palavra ou até um movimento. O que eu esperava é que Sarney se levantasse, JOGASSE LONGE O MANTO DE PRESIDENTE, E ULTRAJADO E REVOLTADO ABANDONASSE TUDO.

O senado é importante mas não eterno,
o sistema unicameral, vitorioso em vários países

Não, Sarney ratificou tudo com seu silêncio, retificou o pedido da NÃO HUMILHAÇÃO, ele mesmo se humilhou e se imolou em nome da indignidade do comportamento. Quando o senador Jereissati advertiu o presidente que estava sendo “agredido por um cidadão das galerias”, Sarney olhou para o chão, mais cabisbaixo do que antes.

Quem respondeu foi Renan, e deu uma “idéia genial”, que deveria ser seguida. Afirmação do líder (?) do PMDB: “Deixem as galerias participarem da sessão histórica”. Em vez do clássico, “galeria não se manifesta”, abririam o plenário para o povo, não precisariam ir às urnas, REPRESENTARIAM, PESSOALMENTE muito melhor os seus estados.

A chamada crise política-eleitoral não tem saída. Não quero repetir os palavrões, prefiro ressaltar, registrar e ressaltar, o clima de ódio, de vingança, de violência implícita e explicita. E de efeito retardado. Na BAIXARIA de segunda repetida ontem, quinta, o desfecho das renúncias (com várias interpretações) de senadores que deixaram a presidência da “casa” para não serem cassados.

AVE, Sarney, o passado ESCABROSO do qual você participou, vai encerrar um ciclo. PERIGOSO individualmente que se salve a Instituição, que não é IMPRESCINDÍVEL.

Os países que não têm senado, (UNICAMERAL) são maioria e vivem muito bem. E viver é renovar, como já disse, a vida não é  ESTÁTICA e sim DINÂMICA.

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