O Supremo volta a se reunir na semana que vem, para decidir o caso Cesare Battisti. Afinal, o italiano deve ser extraditado ou não?

Carlos Newton

Um dos assuntos que mais despertam interesse aqui na Tribuna da Imprensa é o caso Cesare Battisti, envolvendo a decisão do então presidente Lula de não permitir a deportação dele. É impressionante o número de comentários, sempre que se toca no assunto.

O Supremo Tribunal federal volta a se reunir na semana que vem, com o fim do recesso do Judiciário, e vai decidir a questão. Como dizia o genial compositor Miguel Gustavo, “o suspense é de matar o Hitchcock”. Embora na sessão anterior, a maioria dos ministros tenha se pronunciado no sentido de que a decisão é da competência do presidente da República, há controvérsias.

Aqui mesmo na Tribuna, o articulista Pedro do Coutto, um dos melhores analistas políticos do país, defendeu a tese de que o Supremo errou. Pela Constituição, quem decide esse tipo de processo é mesmo o Supremo e não o presidente, explicou Coutto, citando os artigos e tudo o mais. E agora? Será que os ministros vão rever a posição anterior? É possível, mas altamente improvável.

Quanto aos comentários no blog, eles têm demonstrado uma realidade indiscutível: aqueles 87% de popularidade de Lula devem estar hoje escondidos nos armários de uma maioria realmente silenciosa, porque a maior parte dos comentários é de total desaprovação ao ex-presidente, defendendo a tese de que Battisti precisa ser extraditado.

Deve-se respeitar esse número enorme de comentários criticando a decisão de Lula, mas pessoalmente também sou contra a extradição, por três motivos: 1) Battisti foi condenado à revelia, sem a mínima defesa; 2) Quase todos os seus companheiros de militância já foram libertados pela Justiça italiana; 3) O repelente primeiro-ministro Silvio Berlusconi usa o caso Battisti para tentar se fortalecer junto à opinião pública italiana, porque está prestes a ser derrubado do poder.

Agora, divulga-se com estradalhaço o envolvimento de Berlusconi com prostitutas brasileiras. Como dizia o Barão de Itararé, era só o que faltava.

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