O surfista que leu Marx, o marxista que gosta de futebol e torce pelo clube da elite. Quem pensou a vida inteira em ser presidente, quem não pensou, mas pensa (?) que ganha na PLEBISCITÁRIA

Na eleição que caminha para ser plebiscitária e até pode ser decidida no primeiro turno, desesperadora a situação do cidadão-contribuinte-eleitor. Plebiscito lembra decisão ou escolha de alguma coisa que precisa ser ratificada ou negada, como decidir entre dois representantes que não se comprometem com coisa alguma?

Não são representantes nem representam ideias, projetos , compromissos, plataformas (como se dizia até 1930), pela razão muito simples de que não gostam de se definir e não têm o que definir diante de quase 130 milhões de eleitores.

Assim, haja o que houver, o grande enganado, ludibriado, decepcionado, frustrado e miseravelmente desprezado, será aquele que deveria ser o mais importante, aquele que sairá de casa, com chuva ou sol, enfrentará possíveis filas, para colocar na urna (agora apertar botões) sua vontade que não significará o mínimo que seja de importância.

No regime pluripartidário como é o nosso, implantado a partir da Constituinte de 1933/34, sem o voto independente, que permitiu as candidaturas de Rui Barbosa em 1910 e 1918, (sem contar a de 1914, quando desistiu para preservar a Constituição redigida e relatada por ele) nada mais contraditório do que o voto unitário e plebiscitário.

Com 29 partidos registrados, e mais grave ainda, recebendo os recursos altíssimos do Fundo Partidário e aparecendo vastamente na televisão, deveriam existir obrigatoriamente, 29 presidenciáveis. Um por partido, lógico, no primeiro turno.

Aí haveria o segundo turno definidor e esclarecedor, ganharia quem tivesse melhores condições de convencer o cidadão. Isso, naturalmente depois da indispensável reforma política. Os partidos que não elegessem deputados ou senadores, deixariam de existir ou participar do banquete do Fundo Partidário.

(Seria mantido o voto independente, não escravizado às cúpulas dominadoras. Como existe nos mais diversos países. Na Alemanha, o Partido Verde não existiu durante muito tempo, hoje é uma força. Nos EUA, são mais de 40 partidos, só dois obtêm votos. Na Inglaterra, quase sempre apenas Trabalhistas e Conservadores. Durante algum tempo aparecia o Liberal-Democrata, que agora novamente tenta se colocar entre os dois tradicionais).

Considerando que Ciro Gomes como candidato tinha tudo para favorecer sua candidata, Lula atraiu o cearense-paulista (ou vice-versa) para ser o terceiro nome. Passou o tempo e voltando à “tese plebiscitária”, Lula fez tudo para afastá-lo. E pressionando os falsos socialistas do PSB, conseguiu que retirassem a legenda do Ciro.

Até o irmão Cid (governador do Ceará já reeeleito) teve que receber emissários lulistas que queriam que “intercedesse junto ao irmão, para desistir”.

Cid nem tomou conhecimento, às vezes dizia, lamentando o comportamento do Lula e conselheiros: “Não vou falar nada, o Ciro é indomável”. E mostrou logo. Vetado pela intervenção do presidente, Ciro criticou-o imediatamente. E disse textualmente: “Serra é melhor do que Dilma em tudo”. E “inventou” a restrição: “Ela só é melhor como pessoa”. Ha!Ha!Ha!

***

PS – Não sei a quem esse voto plebiscitário irá favorecer. Na certa a primeira prejudicada será Marina Silva. Ficará sem mandato, a não ser que desista em julho-agosto. E mantenha a cadeira no Senado, mais importante para a voz dos verdes do que a candidata sem candidatura.

PS2 – Heloisa Helena, em 2006 tentou esse sacrifício cívico. No início apareceu com as mesmas “expectativas” de Marina agora. Foi diminuindo, a força partidária é muito grande.

PS3 – Decifrem o que coloquei no título, e constatem a falta de visibilidade e de credibilidade que está mais do que real hoje, a realidade que se confirmará em 3 de outubro.

PS4 – Para terminar, não esqueçam de condenar a contradição do PSB: vetaram Ciro, dizendo: “Queremos eleger 10 governadores e 7 senadores”. Ha!Ha!Ha! Jamais terão essa representatividade. Mas para ficarem mais próximos, o melhor seria um candidato a presidente que corresse o país todo.

PS5 – O PSB representa o mesmo que o PMDB em matéria de falta de caráter político. Só que não tem votos.

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