O surgimento do funcionário-fantasma Fred Dias demonstra que, em matéria de corrupção, o céu era o limite no Ministério dos Transportes de Lula, Alfredo Nascimento e Luiz Antonio Pagot.

Carlos Newton

Era só que faltava. Um ministério (Transportes) em que o verdadeiro ministro era um deputado federal (Valdemar Costa Neto) e um funcionário-fantasma (Frederico Augusto de Oliveira Dias) atuava como “assessor da diretoria-geral” em reuniões com prefeitos e autoridades, apesar de nunca ter sido nomeado pelo Governo. 

A oportuna denúncia foi feita pelo jornal “Correio Braziliense”, que também mostrou que servidores do Ministério dos Transportes recebem por empresas terceirizadas. No caso de Frederido Dias, ele não é concursado e não ocupa função comissionada (cargo preenchido por indicação política). No DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), ninguém sabe informar quem paga o salário do “assessor da diretoria-geral”.

Na definição de Luiz Antonio Pagot, diretor afastado do DNIT, Frederico Augusto de Oliveira Dias é apenas um “boy”, um “estafeta” (mensageiro). Na prática, porém, Fred Dias , como é conhecido, tem sala própria e e-mail oficial do órgão, é filiado ao PR e foi indicado para o “cargo” pelo deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP), que também tinha sala própria no ministério, vejam a que ponto chegamos.

O mais incrível é que, pelo menos uma vez, o “boy” Fred Dias integrou uma comitiva do atual ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos. Foi em novembro de 2010. Passos chefiava o ministério interinamente e viajou a Salvador discutir obras do DNIT naquele Estado, acompanhado do “assessor”. Na ocasião, Fred participou de um encontro com a chefe da Casa Civil da Bahia, Eva Chiavon, e posou para fotos na mesa de reuniões.

Como “representante” ou “assessor” do diretor-geral” Luiz Antonio Pagot, o esforçado Fred cumpre extensa agenda em prefeituras e governos estaduais desde 2008. Em janeiro deste ano, por exemplo, recebeu o superintendente do DNIT em Mato Grosso, Nilton de Brito, para uma reunião oficial em Brasília. Discutiram suspeitas de superfaturamento em obras.

Fred também participou de encontros ao lado do padrinho Valdemar Costa Neto no interior de São Paulo, quando confirmavam a liberação de recursos do DNIT. Nessa excursão, Fred teve agenda com prefeitos de Ribeirão Preto, Araraquara, Barretos, Mogi das Cruzes, Votuporanga e Vinhedo, entre outros.

Foi ele quem representou o governo na celebração de convênio de R$ 24,8 milhões com Mogi das Cruzes, reduto eleitoral de Valdemar. Várias prefeituras registraram em seus sites encontros dos prefeitos com o “assessor da diretoria-geral do DNIT, Frederico Dias”. Câmaras de Vereadores chegaram a presenteá-lo com títulos de cidadão honorário das cidades, vejam sóque figuraça.

As desembaraçadas estripulias do funcionário-fantasma Fred Dias demonstram o grau de esculhambação que contamina o governo federal. É estarrecedor. Mas o pior é saber que ninguém tomará previdências, nada irá acontecer. E relembrando Francelino Pereira, surge a pergunta que não quer calar: “Que país é esse?”

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