O tempo é das utopias mínimas

Leonardo Boff

Não é verdade que vivemos tempos pós-utópicos. Aceitar essa afirmação é mostrar uma representação reducionista do ser humano. Ele não é apenas um dado que está aí fechado ao lado de outros seres. Ele é também um ser virtual. Esconde dentro de si virtualidades ilimitadas, que podem irromper e concretizar-se. No fundo, é um projeto infinito, à procura de um objeto que lhe seja adequado.

É desse transfundo virtual que nascem os sonhos, os projetos e as utopias. Sem elas, o ser humano não veria sentido em sua vida. Uma sociedade sem uma utopia deixaria de ser sociedade, não teria um rumo.

Os últimos séculos foram dominados por utopias maximalistas. A utopia iluminista, que universalizaria o império da razão contra todos os tradicionalismos e autoritarismos; a utopia industrialista, de transformar as sociedades com produtos tirados da natureza e das invenções técnicas; a utopia capitalista, de levar progresso e riqueza para todo mundo; a utopia socialista, de gerar sociedades igualitárias e sem classes; as utopias nacionalistas, sob a forma do nazifascismo; a utopia de um único mundo globalizado sob a égide da economia de mercado e da democracia liberal; a utopia de ambientalistas radicais, que sonham com uma Terra virgem e o ser humano totalmente integrado a ela; etc.

Essas são as utopias maximalistas. Propunham o máximo. Muitas delas foram impostas com violência ou geraram violência contra seus opositores. Temos hoje distância temporal suficiente para confirmar que essas utopias maximalistas frustraram o ser humano. Entraram em crise e perderam seu fascínio. Daí falarmos de tempos pós-utópicos. Mas o “pós” se refere a esse tipo de utopia maximalista.

ÂNIMO HUMANO

Mas a utopia permanece porque pertence ao ânimo humano. Hoje, a busca se orienta pelas utopias minimalistas, aquelas que, no dizer de Paulo Freire, realizam o “possível viável” e fazem a sociedade “menos malvada e tornam menos difícil o amor”.

Não pode continuar a absurda acumulação de riqueza como jamais houve na história. Há que se pôr um freio à ferocidade produtivista que assalta os bens e serviços da natureza em vista da acumulação e que produz gases de efeito estufa que alimentam o aquecimento global, que, ao não ser detido, poderá produzir um armagedon ecológico.

As utopias minimalistas, a bem da verdade, são aquelas que vêm sendo implementadas pelo governo atual do PT e seus aliados com base popular: garantir que o povo coma duas ou três vezes ao dia, pois o primeiro dever de um Estado é garantir a vida dos cidadãos. São os projetos Minha Casa, Minha Vida e Luz para Todos, o aumento significativo do salário mínimo, o Prouni, os “pontos de cultura” e outros projetos populares que não cabe aqui elencar.

UTOPIAS VIÁVEIS

No nível das grandes maiorias, são verdadeiras utopias mínimas viáveis: receber um salário que atenda as necessidades da família, ter acesso à saúde, mandar os filhos à escola, conseguir um transporte coletivo que não lhe tire tanto tempo, contar com serviços sanitários básicos, dispor de lugares de lazer e de cultura e uma aposentadoria digna para enfrentar os achaques da velhice.

A consecução dessas utopias minimalistas cria a base para utopias mais altas: aspirar a que os povos se abracem na fraternidade e que se unam todos para preservar este pequeno e belo planeta Terra, sem o qual nenhuma utopia maximalista ou minimalista pode ser projetada. O primeiro ofício do ser humano é viver livre de necessidades, gozando um pouco do reino da liberdade e, por fim, poder dizer “valeu a pena”.

 

7 thoughts on “O tempo é das utopias mínimas

  1. O CASO DO MENINO BERNARDO. Portanto, Senhores e Senhoras, os mais antenados já perceberam que tudo faz parte do conjunto da obra, desde a origem e genéticas envolvidas até os dias atuais, considerando que somos ainda um caldeirão racial em ebulição em busca de um produto final a ser batizado de raça brasileira, que, permita Deus, seja o “Novo Homem” ( de paz, amor, perdão, conciliação, união e mobilização pela Mega-Solução), que o mundo precisa, em que pese a máxima segundo a qual, no mundo, “quanto mais se reza e ora mais assombrações aparecem”. Movido pela curiosidade nata, de neto do encontro de diversas raças (espanhol, calabrez, quiçá judeu, português, afro, índio e cia), não é de hoje que me dedico à observação do bailão racial existencial e o que mais me assusta é o fato de eu talvez ter razão quanto à possíbilidade de termos chegado ao desenvolvimento de um tipo dominante capaz de mudar a consistência de todo o rebanho e que, a meu ver, é o pior tipo possível, tal seja o psicopata apaixonado por dinheiro e poder e que faz de tudo e qualquer coisa para conseguí-los, tipo esse que, infelizmente, tenho detectado em todas as classes e segmentos sociais ( não sei se já perceberam, mas devo ter pronunciado esse infeliz achado mais de mil vezes na rede, tentando chamar a atenção à gravidade da problemática social, e se me ouvem não estão dando a mínima ao problema, ao que parece, não obstante centenas e milhares de vidas já interrompidas). E é isso que me apavora e que, face ao adiantado da hora, me leva a forçar a barra no sentido de reinventarmos o Brasil, provocando um grande impacto capaz de redirecionar tudo isso, não por mim, posto que já me considero em estágio de hora extra sobre a terra, mas pelas novas gerações de inocentes que já estão por aí, pagando o pato, como me parece ” o caso do menino Bernardo”, e das futuras gerações que não têm culpa nenhuma do enorme hospício que está formado há muito tempo, que nos está sendo legado, que estamos legando às gerações vindouras, e que ninguém entre os principais responsáveis pelo velho nosocômio se encoraja a demolí-lo e reconstruí-lo, para que tenhamos pelo menos alguma chance de mudar o curso da nau à deriva, não obstante os até excessivos sinais sociais diários. E depois ainda vem o maluco do froes e diz que o louco sou eu. Talvez até seja eu mesmo por ousar tentar mudar o Mega-Hospício, mas não devo ser o único.

  2. Há mais na prática do imagina a nossa parca teoria.

    Boff é um elemento da teoria, onde os fatos em sua maioria são substituídos pelo que ele sente por uma “realidade” criada pela sua mente. Não conhecendo os fenômenos da mente, comete sistematicamente equívocos infantis. Chega até a chamar Fidel de “meu comandante”.

    A mente mente. Com ela a mentira. O ideal.

  3. Só faltou dizer que de fato o pt deixou de adotar a utopia socialista marxista-leninista, mas que apadrinhou uma outra muito mais sutil e perigosa, o Gramscianismo. Disso o exército de ideólogos petistas nem falam, faz de conta que Gramsci nem existiu, isso junto às massas incultas, mas qualquer um que tenha um pouco de tempo e se atrever a ler um pouco das ideias loucas de Gramsci verá a coincidência entre a gestão petista e os escritos daquele italiano doente. Será coincidência? Os ideólogos petistas tentam esconder sua fascinação por Gramsci com igual força com que relutam em negar o já julgado e condenado dito cujo mensalão. Este Boff, com todo respeito, como um homem desses se presta a escrever uma coisa tão sem sentido? Um senhor já, estudou tanto, deve ter rezado outro tanto, como é que uma criatura dessas vende suas ideias a serviço de defender um governo imundo desses? Não dar pra entender mesmo. O sujeito usa dos espaço lhe concedido pra escrever uma bobagem dessas. Um empregadinho ideológico do petismo. Que pena. Poderia estar escrevendo outras coisas, coisas livres, independentes, não precisava se rebaixar assim, tantos escritores bons por ai não têm espaço em grandes jornais sem precisar se adequar a padrões ideológicos. O Boff é uma pessoa reconhecida, qualquer diretor de jornal abriria espaço para ele, nem que fosse uma vez por semana, pois o nome dele tem peso, assim como tem peso outros grandes escritores, a citar João Ubaldo Ribeiro, Luiz Fernando Veríssimo, o próprio senador Cristóvam Buarque com a ladainha da federalização das escolas públicas, dentre outros. Boff poderia ser também independente. Não precisava se rebaixar tanto. Lamento muito. Escreveu bem sim, o escrito não é inteiramente mal, mas o que marcou o texto no fim das contas nem foi o interessante conteúdo filosófico, o que ficou do texto é a apologia barata ao governo incompetente do pt. Fala-se como o modo petista de governar fosse a luz do fim do túnel para o mundo todo. Ora, que investimento o pt fez em educação? Criou as cotas, só isso. Que investimento o pt fez na saúde? O mais médico? Suspeito e degradante conforme leis trabalhistas e tributárias… O senhor considera as cotas a alternativa para a deseducação? O senhor considera o mais médico a panaceia da saúde pública brasileira? Ah, mas o pt tirou vinte milhões da miséira… Quando? Em que país? Que parâmetro é considerado miséria? R$ 70,00 prum ser de osso e tripa e desejos comer 30 dias é coisa pra se dizer que esta pessoa agora é classe média? Oxente, mas é uma afronta muito da grande essa sua, seu Boff… Que as ideologia maximizadora como definistes foram terríveis para a humanidade, sem dúvida isso é verdade, não há o que negar. Mas o modelo pt não é algo novo, revolucionário, criado das brilhantes mentes bondosas como o senhor quis ponderar; na verdade o pt segue outra castilha…

  4. Sinceramente eu acho que algumas pessoas estão enlouquecendo,deixando que o clamor político os leve a desinformação,quando o assunto não me interessa ou não tenho conhecimento sobre o mesmo apenas leio os comentários e tento separar aquilo que serve pra mim,o restante deleto..Deixo claro que não conheço a obra literária do autor, Frei Boff,porém o mesmo merece no mínimo respeito por expor suas opiniões nesse espaço democrático.Eu acho que seria mais justo ao ler o texto a maioria contrária dizer é petista não presta e fim ,não ficar discorrendo sobre o tema tentando humilhar o autor. Se o mesmo é petista é problema dele, tem gente que é PSDB.

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