O tempo pode ser apenas um disfarce, na visão de Paulo Mendes Campos

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O jornalista, escritor e poeta mineiro Paulo Mendes Campos (1922-1991) revela como passou a entender “O Sentimento do Tempo”.

SENTIMENTO DO TEMPO
Paulo Mendes Campos

Os sapatos envelheceram depois de usados
Mas fui por mim mesmo aos mesmos descampados
E as borboletas pousavam nos dedos de meus pés.
As coisas estavam mortas, muito mortas,
Mas a vida tem outras portas, muitas portas.
Na terra, três ossos repousavam
Mas há imagens que não podia explicar: me ultrapassavam.
As lágrimas correndo podiam incomodar
Mas ninguém sabe dizer por que deve passar
Como um afogado entre as correntes do mar.
Ninguém sabe dizer por que o eco embrulha a voz
Quando somos crianças e ele corre atrás de nós.
Fizeram muitas vezes minha fotografia
Mas meus pais não souberam impedir
Que o sorriso se mudasse em zombaria
Sempre foi assim: vejo um quarto escuro
Onde só existe a cal de um muro.
Costumo ver nos guindastes do porto
O esqueleto funesto de outro mundo morto
Mas não sei ver coisas mais simples como a água.
Fugi e encontrei a cruz do assassinado
Mas quando voltei, como se não houvesse voltado,
Comecei a ler um livro e nunca mais tive descanso.
Meus pássaros caíam sem sentidos.
No olhar do gato passavam muitas horas
Mas não entendia o tempo àquele tempo como agora.
Não sabia que o tempo cava na face
Um caminho escuro, onde a formiga passe
Lutando com a folha.
O tempo é meu disfarce.

5 thoughts on “O tempo pode ser apenas um disfarce, na visão de Paulo Mendes Campos

  1. Esse sentimento do tempo de Paulo Mendes Campos me leva aos 13 prisioneiros da Caverna da Tailandia, que correm contra o tempo e contra as águas . Cada vez que leio acho mais complexo o resgate.
    “Os socorristas tentam reduzir o nível da água de forma suficiente para que as crianças não precisem mergulhar ou que tenham que mergulhar por pouco tempo.

    “Esta manhã preparamos os 13 equipamentos de mergulho para poder fazer o resgate de maneira urgente”, disse Osotthakorn.

    Mas o governador recordou que um mergulhador experiente precisa de 11 horas para ir e voltar do local onde estão as crianças: seis horas na ida e cinco horas na volta, aproveitando a corrente.

    A volta da chuva, prevista para sexta-feira, na temporada de monções, poderia precipitar a operação de resgate, pois existe o risco de que as tempestades inundem a caverna.”

    Nunca estive numa caverna, não faço a menor idéia como é lá dentro. Os tailandeses dizem que a Caverna, agora conhecida no mundo, pela tragédia, é um ponto turistico, muito visitada.
    Que façamos, todos um pensamento positivo que leve ao resgate de todos que lá estão presos. A força do pensamento é uma fortaleza.

  2. “Mas a vida tem outras portas, muitas portas.”
    Que haja ao menos uma porta de saída para as pessoas que estão presas na caverna da Tailândia.

  3. Acho que essa turma fumava alguma coisa. Nunca vi tanto absurdo em espaço tão pequeno. Vejamos:

    Os sapatos envelheceram depois de usados
    Mas fui por mim mesmo aos mesmos descampados
    E as borboletas pousavam nos dedos de meus pés.
    As coisas estavam mortas, muito mortas.

    Análise: fato extraordinário seria os sapatos ficarem mais novos com o uso, alguém ir a algum lugar por outrem (“Fui por mim mesmo”!); as coisas estarem POUCO mortas (muito mortas?!).
    Fico por aqui para não falar das borboletas, coitadas, que preferiram os dedos (talvez sujos) do autor em vez de possíveis flores under the rainbow!

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