O terrorismo e o assassinato da liberdade

Pedro do Coutto

O hediondo e brutal assassinato de dez jornalistas na redação da revista Charlie Hebdo, e mais dois policiais na sequência do vandalismo, atingiu o grau máximo em matéria de violência, absurdo, alucinação,e desprezo pela existência humana. Sob o pretexto de um fanatismo religioso, três homens praticaram o homicídio durante uma reunião de pauta da publicação, evidentemente planejado friamente com passos premeditados e executados movidos por um ódio cuja motivação não se consegue definir ao certo. Os terroristas – um deles se entregou – e dois deles estão sendo caçados pela Polícia Francesa que já os identificou – apresentam-se estupidamente em nome da religião Islâmica, que, exatamente ao contrário, a exemplo do cristianismo, prega a harmonia, a tolerância, o sentimento fraterno e a paz entre os seres humanos.

É verdade ser difícil classificá-los como seres humanos, a partir da volúpia demonstrada no assassinato coletivo. Mas como considerá-los, então? Bestas humanas, recorrendo-se ao título (no singular) de famoso romance de Emile Zola. Os terroristas, de fato, com base em suas próprias ações, inserem-se nessa imagem, aliás uma das mais fortes para definir o terrorismo, não só na França, onde atingiu o auge agora, mas em todos o universo. O ódio pelo próprio ódio, a destruição pela destruição, a morte por princípio.

O terrorismo motiva-se pelo assassinato da liberdade, de imprensa no caso do Charlie Hebdo, e pela explosão do direito de viver. Em muitos casos, como aconteceu na maratona de Boston, sem explicação alguma, restrito somente ao ímpeto no sentido e sob inspiração da vontade de destruir. Neste ponto, terror e terrorista entram na contradição mais profunda: unicamente a destruição no lugar da construção. Sim. Porque, no fundo, não se voltam em favor de mudança alguma, como tentam fazer crer, detestam todos, homens e mulheres, os seres humanos, de modo geral, simplesmente porque na realidade detestam a si mesmos. Os atentados se repetem em diversos países, não escolhendo nacionalidade, etnia, cultura. Trata-se do mal pelo próprio mal, prazer em matar ou mutilar, deixando rastros sinistros no roteiro de si mesmos.

LIBERDADE E FRATERNIDADE

No episódio de Paris, região da Bastilha, símbolo da liberdade e fraternidade, como é o lema dos franceses, os covardes assassinos causaram uma fortíssima reação universal, desabando, portanto, o argumento falsamente usado de que agiram para resgatar o efeito de uma das charges publicadas pela revista, aliás pelo mesmo motivo falso, a redação fora vítima de atentado a bomba em 2011.

Com sua loucura, expuseram a própria religião que dizem hipocritamente professar. É essencial que todos nós repudiemos a tragédia de Paris, bem como o terrorismo de forma geral, porque ele expõe a vida humana a atos imprevisíveis que partem de fontes nas quais a simples lógica não determina os limites.

E, falando em limites, todos eles foram ultrapassados nos assassinatos praticados no Charlie Hebdo. Ficará o episódio na história universal, incorporando-se ao capítulo destinado a lembrar para sempre a covarde alucinação que armou as garras dos assassinos. Alguém ou alguns fornecem as armas, os assassinos fornecem o ódio e a destruição. Os cadáveres são o legado de sua fúria bestial.

17 thoughts on “O terrorismo e o assassinato da liberdade

  1. Me inclua fora desa lista de ofendidos. Liberdade de expressão não é desculpa para abusos de tamanha natureza como eram cometidos pelo periódico. Todas as liberdades TEM seus limites, porque a liberdade de expressão não teria? Alem disso, a liberdade de expressão está sendo confundida com a liberdade de imprensa, que são tambem coisas diferentes, e por isso devem ter limites diferentes. Embora eu não seja favorável aos assassinatos cometidos, temos que pensar: qual seria uma solução para os crimes que o jornal vinha cometendo a bastante tempo?

  2. Sempre achei que o respeito é bom, bonito e cabe em qualquer lugar. Estes chargistas franceses, já sabiam
    antecipadamente, que algum dia teriam que se defrontar com a barbárie. Esse dia chegou.
    Muitos não fazem charges contra o Islã, justamente por medo da reação, porém contra o catolicismo, são
    extremamente contundentes. Sabem que os cristãos não reagem, é como chutar cachorro morto.
    Imagino que a tal liberdade de expressão, deva ser para informar, nunca para avacalhar. Já imaginaram se
    este Charlie Hebdo fosse em São Paulo e que sistematicamente avacalhasse com o Corinthians ou os corin-
    tianos? O que será que aconteceria? Certamente não seriam fuzilados, imagino eu, porém o prédio do jornal
    já teria incendiado.
    Insistiram no deboche, atraíram a ira dos fanatizados e a tragédia que já era anunciada, se concretizou.
    A liberdade de dizer o que se pensa a qualquer preço, deve ser repensada. Se não pode ser proibida, mas pelo menos que haja responsabilidade sobre o que se divulga, pois quando se mexe com o passional, a coisa fica perigosa e não ha força no mundo que possa fazer um insano recobrar a razão.

  3. O atentado contra o jornal satírico Charlie Hebdo em Paris, foi o mais repugnante ato contra a civilização ocidental, desde o 11 de setembro. Um grupo de canalhas descarregaram chumbo grosso contra 12 pessoas indefesas, sem piedade, eliminando-as.
    Esse mesmo grupo de pilantras pertencem a uma seita nefasta que proíbe a audição de música, proíbe a ingestão de qualquer bebida alcoólica, elimina cidadãos ocidentais enviando as respectivas imagens para as TVs, cerceia as liberdades das mulheres, mata cristãos por perseguição religiosa, tenta impor normas cruéis e medievais ao mundo civilizado.
    O jornal Charlie é composto por sátiros que apelam para o humor cáustico sobre todos os temas. Fizeram deboche do Papa, dos Muçulmanos, dos comunistas, de tudo. E dái? Deveriam morrer por fazer comédia com temas “sagrados”, por ser hilários? Por questionarem valores, dogmas, com humor negro, ácido?
    Não, não deveriam ser eliminados, não fizeram por merecer. Afinal, ninguém é obrigado a ler o jornal Charlie. Como a França é um estado laico, aqueles que lá moram e não acreditam em Deus, têm o direito de expressar o seu descrédito em religiões.
    E não venham com essa conversa de temas sagrados, pois sem o direito de questionar todas as coisas, o homem ainda estaria achando que a Terra é o centro do Universo.
    Desde que o mundo é mundo , graça a Deus, existem os sátiros. Desde a Grécia comediógrafos faziam chacotas com os filósofos, aqueles que leram a comédia “As nuvens” podem ver como vários filósofos são ironizados por Aristófanes. Os sátiros, de qualquer tipo, são o oxigênio da democracia, e por vezes mostram a imensa hipocrisia que perpassa a vida religiosa, politica , social.
    Se fossemos matar escritores que tem escrito horrores contra as religiões, teríamos que eliminar homens como Bertrand Russel, Voltaire, Sade, Schopenhauer, Diderot, entre outros.
    A grande prosperidade Ocidental, que culminou no desenvolvimento das artes, ciências, filosofia, nunca experimentada em nenhuma outra parte do globo, foi resultado do respeito às liberdades. Agora estas conquistas estão sendo ameaçadas por fanáticos, que devem ser rechaçados com toda força.
    O humor é prova da inteligência humana, é sábio rir de si mesmo. Tudo merece uma piada, inclusive, a vida.

  4. Violência gera violência até que uma das partes seja aniquilada ou renuncie à vingança unilateralmente e resignadamente. Complacência com o ultraje e perdão aos inimigos é comportamento fundamental cristão, pelo exemplo do próprio Cristo. Porém o mundo não estava preparado para o Verbo. Quando estará?
    Compreendo que para os crentes muçulmanos, o ultraje à religião e ao seu profeta é imperdoável. Porém, entendo também que o assassinato é crime contra sociedade e esta deve julgá-lo em um tribunal.
    Assim, o terrorismo neste episódio entrou na pauta por oportunismo midiático e o mundo gosta da polarização do bem contra o mal. Ainda estamos no Coliseu, vendo os gladiadores e torcendo por algum deles.
    Vivemos tempos difíceis na vida de gado.
    Quando eu era menino de oito anos, xingar a mãe era uma terrível provocação à violência e muitas brigas sangrentas começavam por este fato. Hoje, poucos consideram isto uma ofensa grave. Por quê? Esta é uma boa questão.

  5. Não houve assassinato de liberdade, e sim de chargistas que atentavam contra as crenças e liberdade religiosa, com o propósito de comercial (capitalista) de vender insultos, por isso é importante colocar os pontos nos is… Ao que parece serão impressos um milhão de exemplares do cartum besteirol. Há sempre capitalistas sagazes a lucrar com a oportunidade, da morte. Quanto a tal ‘liberdade de imprensa” convém frisar que os “jornalistas” se arvoram no direito supremo de reportar os fatos, de escamotear a verdade, de destruir reputações, de insultar convicções… fazem vitimas aqui e acolá… De quando em quando, também são vítimas. A tal de “liberdade de imprensa”, marotamente verbalizada como “liberdade de expressão” deve-se ater-se a parâmetros éticos, seja de fulcro deontológico ou teleológico (ética da responsabilidade). Jornalistas e policiais são as ocupações profissionais que mas se movem “pelo espírito de corpo”: mexeu com um; mexeu com todos. E as “reações corporativas” são desproporcionais aos fatos. Espero que os chargistas mortos tenham a eternidade para refletiram sobre a “morte que tanto evocaram” ao debochar das religiões. Nessas sempre haverá os fanáticos que agem movido pelo sentimento de vingança. Pathos esse tão estranho às crenças religiosas. Na realidade eu estou interessado é informações fidedignas quanto aos rumos da economia brasileira (e mundial).

    • Brilhante como sempre. Quer dizer que quem cometeu atentados foram os cartunistas… E quantas vítimas ele fizeram com papel e nanquim, com o “propósito capitalista de vender insultos”?

      Aliás, um jornaleco semanal de 30 mil exemplares de tiragem, conhecido por sua militância na extrema-esquerda ter “propósitos capitalistas” fica meio estranho, você não acha? Um dos dois está errado, ou o Charlie Hebdo ou você, e eu fico com a segunda hipótese.

      É melhor mesmo que você fique com a sua busca de “informações fidedignas quanto aos rumos da economia brasileira e mundial” e esqueça o resto. Quem sabe dá uma dentro?

  6. E agora Dona Esquerda, aonde a senhora vai se pendurar?

    Por ironia, quis o destino que as bestas-feras islâmicas tivessem escolhido o Charlie Hebdo, um veículo de comunicação de extrema-esquerda, como alvo. A origem política e artística dos principais nomes do semanário remonta aos anos 1960 na França. Charb, o chefão, também cartunista, era conhecido por seu engajamento com bandeiras ditas “progressistas” na França. Atuou diretamente em campanhas do Partido Comunista Francês e da Frente de Esquerda. No Brasil, o trabalho de Charb ficou conhecido pelas ilustrações no livro “Marx, manual de instruções”, onde há uma charge especialmente marcante intitulada “Nem todos os barbudos são Marx”, onde retrata o encontro de Marx com um islâmico radical.

    Tanto o atentado foi contra a esquerda, que no título de um artigo publicado no blog da Boitempo, João Alexandre Peschanski, integrante do comitê de redação da revista “Margem Esquerda: Ensaios Marxistas”, dá a entender que danem-se as vítimas humanas: “Atentado contra a extrema-esquerda na França”.

    A rigor, todo mundo sabe, os esquerdistas são os facilitadores do avanço islâmico no Ocidente. Os partidos de esquerda normalmente apoiam a causa muçulmana e a França, toda vida, tem sido esquerdista. A esquerda usa isso para aumentar o controle policial sobre os cidadãos, quando o certo seria mudar tudo, a começar pela política de desarmamento civil, que reduz a população a alvo fácil de toda sorte de facínoras, que nunca estão desarmados.

    Pior é que a complacência dos governantes do mundo civilizado, muitas vezes atados a compromissos com políticas esdrúxulas de direitos humanos, tira-lhes a força necessária para barrar o avanço do islam, cuja população se multiplica estupidamente. A ocupação do islam na Europa se faz através das maternidades.

    Por isso a minha pergunta: aonde a esquerda vai se pendurar, já que há muito lhe tiraram a escada e agora foi-se também a brocha?

    • É isso aí Froes. Se é uma coisa que a extrema-esquerda sempre apoiou foram quaisquer movimentos radicais contra o ocidente democrático. Na URSS eram todos treinados para o terror. Comunistas e islâmicos são aliadíssimos, quando se trata dessas ações hediondas.

    • Cartunista de extrema-esquerda que vive de vender cartum besteirol! Ehhh, ilustre Ricardo Fróes tua métrica ideológica expressa tua dissonância cognitiva. Usa e abusa de adjetivações, o que é típico de mentes incapazes de raciocínio analíticos (raciocínios dialéticos então, impossível). Com efeito, teus comentários figadais! Incapaz de correlacionar eventos (que é algo disto de fatos). Modere-se na ingestão etílica.

  7. Houve assassinato de pessoas perpetrado por fascistas apoiados por outros fascistas que dizem que a culpa é de quem opina.
    Isso é barbárie e não é necessário procurar palavras intelectualmente desnecessárias para entender.
    Enfiar o crucifixo no ânus em um evento cristão é passível de execução sumária e fuzilamento em praça pública?
    Terá o apoio dos “acadêmicos” que culpam os cartunistas franceses?
    O texto do Veríssimo é curto, prolixo e sintetiza muito bem o que está ocorrendo.
    Sem ter que recorrer a rebuscamento semântico.
    http://oglobo.globo.com/mundo/choque-entre-reverencia-irreverencia-14995425

    • Perfeitas suas observações. Pessoas de elevado padrão intelectual estão se chocando mais com as charges do que com os assassinatos. O 11/09/2001 foi motivado por “deboche”? As degolas feitas por esses monstros covardes – que cobrem suas caras – e exibidas nas TVs e noutras mídias também o são? Bombas em embaixadas por acaso foram motivadas por charges? Podemos dizer que enfrentamos uma guerra: um lado usa papel e caneta, sob forma de sátiras e, também, por meio de críticas mais sisudas; o outro, bombas, tiros, decapitações etc. Querem o quê os comentaristas? A volta da censura? Pondere-se: o que é “razoável”? O que “pode” ou “não pode” ser exibido? Não nos esqueçamos de que, para os nazistas, escorados em um estado de direito (nada democrático) era “razoável” a ideia de extermínio do povo judeu. Por fim: muitas religiões são meros partidos políticos, formados por loucos fanáticos, acobertados o manto do “sagrado” e do “sobrenatural”, para que sejamos forçados a “respeitar” sua sanguinolência, praticada sem qualquer motivação, só por prazer mórbido.

  8. Que o ato terrorista contra os jornalistas e policiais franceses foi abominável, é indiscutível, agora, considerá-lo como
    “o mais repugnante ato contra a civilização ocidental, desde o 11 de setembro.”, conforme escreveu o Valente, acho um certo exagero, respeitosamente.
    A questão se resume em publicação, tão somente.
    Por ter sido contra a imprensa, evidente que a notícia ganhou o mundo, ainda mais que o jornal era famoso pelas suas charges ofensivas e agressivas contra quem entendesse ser o alvo de seus achincalhes, mas crimes contra a cidadania e de pessoas que não são famosas, como eram os franceses, existem às centenas, que não são manchetes.
    Importante eu frisar que não estou diminuindo a gravidade do ato condenável e repudiável em todos os aspectos, mas temos que ter o cuidado de não endeusar este tipo de “liberdade de expressão” que, a meu ver, está muito distante do verdadeiro significado e abrangência que deve ser compreendida.
    Liberalidade de opinião seria mais certo, e rabiscos mal feitos e de péssimo gosto complementariam a “arte” discutível que é produzida no jornal, que resultou no brutal atentado.
    Acho que deveríamos aproveitar este trágico acontecimento para discutir com seriedade e responsabilidade a liberdade de expressão e o papel da imprensa neste sentido, de publicações que atentem contra a crença das pessoas, o respeito que se deve ter à forma como milhões de seres humanos professam suas religiões.
    Mais a mais, por favor, a charge da Santíssima Trindade é um atentado ao pudor e uma das publicações mais abjetas, indecentes e intoleráveis que já vi na minha vida!
    Decididamente não pode ser catalogada como arte e liberdade de expressão ou, então, queimemos os clássicos da literatura mundial e as grandes obras dos pintores mais famosos porque absolutamente sem graça, ora.

  9. Os métodos absurdos Deus são estranhamente amorosos. ( copiado e colado para contribuir com os amigos que têm fé em Deus).

    Existe uma espécie de pássaro que a mãe faz tudo o que pode a fim de forçar os filhotes a sairem do ninho. Li que quando ela sabe que eles podem começar a voar e está preparada para fazê-los sair, começa a empurrá-los para fora do ninho. Quando um filhote teimoso recusa-se a deixar o ninho, . Ela literalmente começa a destruir o ninho. Ela pica o ninho parte por parte até desmanchá-lo por completo. Alguém chegou a imaginar como seria o diálogo entre o filhote e a mãe:

    Mamãe, grita o passarinho – o que você está fazendo ?
    Estou destruindo seu ninho
    porque você está fazendo isso ?
    Não adinat explicar agora , você não poderia entender
    Mas você não me ama ?
    É claro que amo. Mas meu amor exige que você voe e você não pode ficar sentado,confortavelmente, no ninho, o tempo todo. Por isso estou desfazendo o ninho.
    Não restando outra alternativa , o pássaro começa, de repernte, a bater as asas,Ao subir no se vôo, surpreso com sua habilidade até então desconhecida, olha para trás e exclama: Ei, mamãe ! Olhe para mim . Estou voanado ! Aprendi a voar ! É claro que está voando, diz a mãe, foi para isso que o ninho desapareceu. Nem sempre nos é permitido entender a razão do nosso desconforto e sofrimento. Na maioria das vezes, só nos resta confiar no Deus que nos ama e que sabe muito bem o que faz. O que eu faço, não sabes agora, mas de´pois entenderás. Os métodos absurdos de Deus têm um propósito, sempre. Deus espera fidelidade mesmo diante de nistérios indecifráveis, perguntas não respodiadas, contradições e silêncios cruéis quea vida de vez em quando nos impõe. O DEus que fala no silêncio nem sempre nos protege dos danos.
    O homem tem que acabar com a prepotência em supor que os justos, os filhos do rei, não podem conhecer a violência, a crise, a pobreza e a dor.

  10. EXTREMISTAS FEITO BOMBAS NO LIMITE DA INTOLERÂNCIA

    Há dois extremos nesta história que andavam feito bombas e um lado acabou estourando contra o outro desguarnecido. É covardia editar imagens contra uma legião de fiéis mirando alguns extremados, mas ainda mais covarde foi o ataque fatal em resposta às agressões editadas. Desmedido o exercício da profissão, injustificável a pena aplicada. Achei interessantes as palavras do cartunista Carlos Latuff, de quem copiei as seguintes observações:

    1. “Cada charge é um soco”, a revista parisiense claramente provoca os fiéis, enquanto no Brasil, os cartunistas estão mais preocupados em fazer graça do que crítica.

    2. Fui e continuo sendo contra as charges de Maomé, mas não posso aceitar a execução sumária de quem quer que seja por causa de suas opiniões.

    3. Em 2011, o veículo foi alvo de ataque após publicar sobre a religião islâmica. À época, o editor-chefe Stéphane Charbonnier, passou a sofrer ameaças de morte e andava sob escolta policial.

    4. Creio que soubessem o vespeiro onde estavam se metendo, mas não esperavam uma reação dessa proporção.

    FONTE: http://ultimosegundo.ig.com.br/…/nao-trabalharia-na-charlie… (íntegra)

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