O vento eleitoral

Sebastião Nery

Em 1965, Negrão de Lima disputou pelo PSD-PTB as eleições para governador da Guanabara com o professor Flexa Ribeiro, deputado da UDN e excelente secretário de Educação do governo Carlos Lacerda, que terminava. Havia outros candidatos: Aurélio Viana (PSB-PDC), Amaral Neto (PL), Hélio Damasceno (PTN). Acompanhei para o Diário Carioca.

Até às vésperas da eleição, Flexa Ribeiro liderava as pesquisas. No fim, Negrão teve 582 mil votos (52,68%) e Flexa 442.363 (40,04%). Os outros, juntos, fizeram 7,28%. Eleito Negrão, um dia lhe perguntei:

– Governador, como o senhor explica aquela virada?

– Nery, você está chegando agora ao Rio. Aqui é diferente da sua Bahia e da nossa Minas, onde os eleitores vão se decidindo com mais antecedência. No Rio, sempre sopra um vento eleitoral nas duas últimas semanas e sobretudo na última. O vento soprou. Podia ter soprado para o Flexa. Mas soprou para mim. E eu ganhei.

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PROMETENDO MAIS

O coronel Adeodato era dos tempos de Rui Barbosa, JJ Seabra, João e Otávio Mangabeira, na política baiana do começo do século passado. Rábula brilhante e famoso, enfrentou Rui em escaramuças judiciárias. Mas o que ele era mesmo era chefe político. Mansa sabedoria, conversa de manteiga e decisão de aço, um dia um amigo chegou sem jeito:

– Coronel, me desculpe, mas eu vou me bandear.

– Bandear para quem?

– Para seus adversários. Eles estão me prometendo mais.

– Tudo bem. Pode ir. Você querendo se bandear, se bandeie. Mas uma coisa eu garanto: aqui na Bahia ninguém dá mais do que eu prometo.

Governos sempre pensam que ganham eleição, porque, como coronel Adeodato, ninguém pode prometer mais do que eles. E às vezes perdem.

É o vento eleitoral,

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