Obama e Romney lembra o desfecho Kennedy e Nixon

Pedro do Coutto

Primorosa reportagem de Bernardo Barbosa, O Globo de domingo, acentua o enigma que envolve o desfecho das eleições de terça-feira pela presidência dos Estados Unidos. A média nacional das pesquisas aponta 47,5 pontos para o atual presidente e 47,2 para o candidato republicano. Em 60,, John Kennedy derrotou Nixon por 0,6%, mas não houve a mesma dificuldade em relação à soma dos colégios eleitorais. A decisão foi na Califórnia.

  “Let me try again…”

Mas a soma dos votos colegiais era outra porque o peso de cada estado varia de acordo com a população e, consequência do censo de 2010, Illinois, Massachussets, Nova Jersey e Nova York perderam posições, já que suas populações cresceram menos do que outros como o Texas e a Flórida. O Texas é republicano.

A reportagem de O Globo produziu o mapa eleitoral, dividindo o país entre o favoritismo dos democratas, o favoritismo dos republicanos e os duvidosos. As dúvidas estão em Nevada, Colorado, Iowa, Wiscousin, Michigan, Flórida, Pensilvânia, Virgínia e Ohio. Os votos certos para Romney somam 191 delegados, os certos para Obama 201. Mas o vencedor terá que atingir 270 pontos. A sorte está lançada.

Acompanhando os comícios finais pela televisão, especialmente a Globo News, pareceu haver mais calor nas manifestações republicanas, mas pode ser uma aparência, focalizando seus redutos tradicionais. De qualquer forma é um sintoma. As margens que assinalam as diferenças são muito apertadas. Ao longo da história houve vitórias amplas como as de Roosevelt e Lyndon Johnson, em 64 contra Goldwater, como a de Nixon sobre McGovern em 72, mais de dois terços, que acabou comprometida com o escândalo de Watergate. Não havia necessidade alguma, Nixon venceu disparado. Isso em 72 .

Mas em 1968, o mesmo Nixon venceu o democrata Hubert Humprhey por apenas 1 ponto. A decisão quase vai para o Congresso, pois George Wallace, governador do Alabama, dissidente democrata e que concorreu pelo Partido Independente, venceu no seu estado, além de no Kentucky, Arkansas e Louisiana. Vejam só como é a questão do colégio eleitoral. Ele alcançou 10 pontos no eleitorado em geral. Em 92, o bilionário texano Ross Perot teve 15%, mas não venceu em nenhum estado. Votos colegiados zero. Não afetou as posições de Bill Clinton e George Bush, pai. Pela legislação americana, quando a maioria absoluta dos colégios não é atingida, a decisão vai para o Congresso que escolhe um dos dois mais votados. Creio que, ao longo de 240 anos, somente houve um caso assim. Agora o páreo está restrito a Obama e Romney. Qualquer maioria portanto será absoluta.

Vale a pena acompanhar o desenrolar da apuração e da computação com base no mapa que O Globo publicou. Da mesma forma, a Folha de São Paulo publicou mapa idêntico na edição de 28 de outubro. Mas as eleições são na terça-feira. Aí então as urnas vão confirmar ou não as pesquisas. Entretanto é bom frisar que diferenças mínimas como as percentagens que as pesquisas apontam são sujeitas a mudanças de última hora. E vale notar que fatos impactantes demoram geralmente dois dias para serem transferidos do impulso à realidade prática. Vamos ver o que acontece.

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