Obama lançou 600 BILHÕES, de dólares, de dólares, e a presidente Dilma precisa examinar concentradamente essa providência. Só internamente, “devemos” 2 TRILHÕES E 300 MILHÕES. Não pode CONCORDAR PASSIVAMENTE.

Helio Fernandes

Obama exagerou ao assumir a responsabilidade total, completa e absoluta pela derrota para os Republicanos, na Câmara. Não precisava ser tão incisivo e definitivo contra ele mesmo, a Câmara tem Poderes, mas não da forma como deixou entrever.

De qualquer maneira, mil vezes melhor o presidente que assuma a culpa de tudo, do que alguém que tente se livrar da responsabilidade, procure jogar a culpa nos outros, mistifique e se omita, dizendo, “não tive culpa de nada, tentei fazer, não deixaram”.

Um presidente (ou primeiro-ministro, em regimes parlamentaristas) pode tudo, não tem limites, sua vontade ou convicção está acima de restrições. O próprio Obama acaba de provar o fato, lançando no mercado, 600 bilhões de dólares. Para quê? E esse dinheiro chegará ao povo? Qual o efeito previsto ou o que será alcançado?

O presidente lançou no “mercado”, 600 BILHÕES de dólares. Isso, 48 horas depois do que chamou “a surra que levei nas urnas”. Foi represália? Já havia decidido fazer esse despejo de dólares, mesmo antes da eleição? Examinou a questão sob todos os ângulos, já que ela é altamente polêmica? Digamos, no mundo inteiro, metade dos que podem opinar estão a FAVOR, a outra metade CONTRA.

A justificativa do presidente tem vários itens, não precisava de nenhum. Está naquilo que registrei no início dessas notas, é o “PODER DO PRESIDENTE”. Seja da Matriz ou daqui da Filial. Pretende estimular o consumo, reduzir os juros, melhorar os serviços, o comércio, a indústria, e logicamente criar empregos.

Perguntinha inócua, inútil, ingênua: por que não fez antes? Não tinha certeza do efeito, mas tem agora, depois da derrota? Receava os efeitos colaterais, quase sempre destrutivos? O fato de economistas do mundo inteiro terem simultaneamente apoiado e rejeitado a medida, nenhuma importância.

Pelo menos 50 por cento desses economistas não usam a cabeça, preferem seguir as ordens dos bancos, seguradoras, empreiteiras, os que dominam o mundo financeiro e todo o resto, consequência do movimento (circulação) do dinheiro.

A primeira constatação favorável: o dinheiro no mercado favorece o consumo, e só a alta do consumo leva ao desenvolvimento. É claro que mais dinheiro é positivo, mas tem que ser completado com outras medidas. Investimentos em infraestrutura, estradas, portos, educação, saúde, segurança, saneamento, tudo que já deveria ter sido feito há muito tempo.

Transferindo os problemas e as possíveis soluções da Matriz para a Filial, pois antes de tudo e além de tudo, eles são universais, vejamos o que a presidente eleita e ainda não empossada, poderia, ou melhor, deveria fazer. Imediatamente, ir planejando quase 2 meses antes de chegar ao Planalto, para consumar assim que já ostentasse a faixa de presidente, com o poder que essa faixa (e os quase 50 milhões de votos) lhe concede.

Além da falta de planejamento no investimento, tudo no Brasil está ligado ao desperdício de dinheiro. Verdadeira loucura, que tem que ser curada. E o desperdício de dinheiro, aqui, está INEQUIVOCAMENTE ligado à DIVIDA EXTERNA, e hoje, principalmente, à DÍVIDA INTERNA. Tenho escrito muito sobre isso, há mais de 30 anos, e vejo esse crime de multiplicar com todos os governos.

Na campanha eleitoral, os dois candidatos tiveram o cuidado de não tratar de coisa alguma que se parecesse com isso. Enquanto discursavam e se hostilizavam, o dinheiro ia desaparecendo nos cofres gigantescos dos bancos, nos lucros vergonhosos das seguradoras, nos preços superfaturados das empreiteiras, que dominam o Brasil (por si e por seus herdeiros) há mais de 60 anos.

Dona Dilma precisa se convencer que é presidente de fato, que mesmo sem programa e sem projeto, foi eleita e tem o mesmo Poder que o presidente Obama. Não existe a menor dúvida de que não votei nela, como também não há em relação à sua vitória. Que analisei como irrefutável e irrevogável. Muito antes do 3 de outubro e do seguinte 31.

Só que nenhum desses dois itens influirá no meu comportamento. Também não ficarei neutro, não é o meu estilo, não representa nem de longe o meu perfil. Só que não vou TORCER para ela acertar, (como dizem alguns tolos), TORCER não faz parte do arsenal de um presidente. Vou examinar item por item as suas prioridades, e não deixar que se esqueçam.

A prioridade das prioridades está concentrada nas duas DÍVIDAS, sobre as quais utilizei e repeti a palavra IMPAGÁVEL. Embora tenha duplo sentido em português, preferimos o sentido dramático e não o humorístico.

Haja o que houver, não conseguiremos nos livrar do atraso e até do retrocesso (royalties para FHC), se seguirmos na trilha e no caminho pedregoso, projetado e transitado pelo seu mentor, Luiz Inácio Lula da Silva.

***

PS – Dilma presidente, recebe um acervo de mentira, mistificação, imprudência, omissão e culto à rotina, que não consigo compreender que não fosse do seu conhecimento.

PS2 – Prefiro a constatação: não podia fazer nada, era a segunda e não a primeira. Agora que é a primeira, não pode deixar de fazer, de tentar resolver o problema, afinal é ele que está nos devorando e consumindo.

PS3 – 2 TRILHÕES DA DÍVIDA INTERNA, (números do governo, não meus), 260 BILHÕES DA DÍVIDA EXTERNA, não ajudam o progresso e a prosperidade. E Dona Dilma adora usar essas duas palavras.

PS4 – Por várias vezes, em diversos governos, defendi: “Devemos EMPRESTAR dinheiro recebendo 3 a 4 por cento de juros, em vez de tomar EMPRESTADO e pagar 12,75%”. (E já pagamos de juros no governo FHC, 44 POR CENTO, crime de lesa pátria, mais um).

PS5 – Acabando com os juros nesse tamanho desgraçado, resolveríamos uma parte da chamada crise cambial, tudo é interligado.

PS6 – Amanhã continuo, não uso nem a palavra CONCLUO. É muita coisa para um dia só. Se Dona Dilma começar a resolver esse problema de TRIPLA FACE, pode até marcar o seu governo. Com REEELEIÇÃO ou sem ela.

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