Obama parece bem consciente dos limites do que os EUA podem fazer para retaliar contra a Rússia

MK Bhadrakumar
Indian Punchline

Quando um especialista em Rússia, de grande reputação, Stephen Cohen, da New York University, diz que os EUA estão a dois passos de uma Crise dos Mísseis de Cuba e, pela primeira vez, a três passos de uma guerra contra a Rússia, as coisas parecem sombrias. Cohen insiste: “Temos de conseguir pôr em andamento uma negociação…

Mas os EUA estão-se preparando para confronto militar com a Rússia? Parece, mais, que está em andamento uma campanha diplomática para isolar a Rússia. Os telefonemas do presidente Barack Obama a seus contrapartes, o chinês e o cazaque, na 2ª-feira, não são coisas de rotina.

Os EUA esperam empurrar China e Cazaquistão para posição de neutralidade. Obama tocou numa corda sensível para ambas as capitais, Pequim e Astana – a santidade da integridade territorial dos estados-nações.

Significativamente, Obama conclamou o presidente Nurusultan Nazarbayev, do Cazaquistão, a assumir papel “ativo” na crise da Ucrânia. Depois disso, a imprensa-empresa norte-americana tem insinuado que Nazarbayev teria cancelado visita marcada a Moscou, na 3ª-feira.

“LEGITIMAÇÃO”

No que tenha a ver com os EUA, a visita do primeiro-ministro do governo de Kiev, Arsenyi Yatsenyuk, à Casa Branca e ao Capitólio na quarta-feira, é o fecho da história, quero dizer, significa que o novo governo de Kiev recebeu legitimação internacional.

Em resumo: a partir desse ponto, se o referendo na Crimeia seguir adiante como planejado, haverá pouco o que discutir com a Rússia. Na 5ª-feira, Yatsenyuk deve falar ao Conselho de Segurança da ONU em New York, ao mesmo tempo em que uma delegação do Congresso dos EUA, liderada pelo irascível senador McCain chega a Kiev.

Preveem-se discursos fortes. Outra vez, o real significado da Resolução aprovada na Câmara de Deputados dos EUA na 3ª-feira, condenando a “intervenção” russa na Crimeia, está no grande apoio que recebeu. Baseado nisso, o establishment político de Washington exige que Obama seja duro no caso da Ucrânia.

Mas até aqui, além de declarações fortes, há bem pouco que os EUA possam fazer para deter a Rússia. Até aqui, as sanções não têm capacidade para realmente cortar fundo.

SOBERANIA

Enquanto isso, o Parlamento em Kiev invocou as promessas de segurança feitas por EUA e Grã-Bretanha em 1994, como garantidores da soberania da Ucrânia, para que usem todas as medidas, inclusive militares, para conter a “agressão” da Rússia. Tecnicamente, se militares de EUA e/ou Grã-Bretanha se envolverem, a OTAN estará automaticamente envolvida.

Na 2ª-feira, a OTAN também anunciou sua intenção de mobilizar equipamento aéreo embarcado de reconhecimento [orig. AWACS] na Polônia e na Romenia, “para aumentar o conhecimento situacional da aliança”. Na 3ª-feira, a Rússia iniciou manobras massivas envolvendo uma divisão aérea embarcada em condições de combate simulado.
Mas… o que mais podem fazer EUA ou OTAN?

O fato que não podem alterar é que o exército ucraniano não obedecerá ordens dos novos líderes em Kiev.

Mais importante: os comandantes militares ucranianos que foram treinados na Rússia  e mantêm relação muito próxima com seus contrapartes russos, jamais combaterão contra forças armadas russas.

INTERVENÇÃO MILITAR???

Isso significa que, se EUA ou OTAN quiserem intervir militarmente em futuro próximo, terão de agir eles mesmos, quer dizer, terão de pôr os próprios coturnos em solo, como se diz.

Dito em termos simples, é ideia inconcebível, num momento em que dois terços da opinião pública britânica opõe-se a qualquer intervenção do Reino Unido na Ucrânia.
Em termos ainda mais claros, portanto, se o referendo na Crimeia decidir a favor de uma integração à Rússia, e se Moscou aceitar a integração, nada haverá que EUA ou seus aliados da OTAN possam fazer para impedir. O governo Obama parece bem consciente dos limites do que os EUA podem fazer para retaliar contra a Rússia.

(artigo enviado por Sergio Caldieri)

6 thoughts on “Obama parece bem consciente dos limites do que os EUA podem fazer para retaliar contra a Rússia

  1. Helio Fernandes, em muitas ocasiões, lembrou a frase do Einstein:
    “Se acontecer a Terceira Guerra Mundial, a Quarta será lutada com paus e pedras”
    Como seja: não sobrará nada para ninguém.
    Quem sabe? Seria isto uma obra divina? Acabar com esta eterna brigalhada que só sabe matar e matar? Bilhões de pessoas não têm sequer o que comer …

  2. Mas a terceira guerra não, necessariamente, terá que ser atômica. Acho até que pelo fato de a Rússia e a China estarem com arsenal termonuclear, não mais haverá guerra atômica. Aliás, a guerra do Vietnam não foi nuclear, e os Estados Unidos amargaram uma derrota. Logo após a chamada segunda guerra mundial, houve a guerra da Coréia, também sem confronto nuclear. E não houve vitória total dos dois lados.
    O mundo nunca esteve, nem jamais estará em paz, mesmo o Papa rezando pela paz. O próprio Filho do Homem declarou: “não penseis que vim trazer a paz, mas a espada”.
    EUA retaliando contra a Rússia, não significa exatamente guerra termonuclear, mas uma de grandes proporções. Como o povo gosta de dizer, briga de cachorro grande.

  3. É até ingenuidade acreditar que a Rússia vai perder sua influência na importantíssima Criméia, de onde a marinha russa tem base e domina o mar negro com saída para o mediterrâneo. O General Putin está mostrando que é um homem inteligente, preparado e tem liderança militar. Alguém tem que dizer para o Obama que a Rússia está muito mais forte do que era no tempo da antiga URRSS. A Rússia fornece energia para a Europa, domina as ciência da matemática, física, da química, da engenharia, tem influência cultural e liderança bélica na região sob sua influência. A Síria é um exemplo de país que tem o apoio bélico da Rússia , não é à toa que Assad está vencendo a guerra criada pelos americanos para depor o Assad e no seu lugar botar um títere.

  4. Goste se ou não d a rússia de putin, fatos são: trata se do maior produtor de gás natural (1/4 da produção mundial, vendida a europa através de dutos localizados na ucrânia), trata se do 2º maior produtor mundial de petróleo, trata se de poderio bélico, somente comparável ao dos eua, trata se de um país q pelos motivos expostos, vem, ao lado da China, continuamente questionando a hegemonia do dólar como moeda mundial de referência… Não compreender tais fatos é não compreender conflito atual

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