Obsessão de Bolsonaro contra a vacina é quase inacreditável, um desastre eleitoral

Charge do J. Bosco (oliberal.com)

Pedro do Coutto

A posição radical do presidente Bolsonaro contra a vacinação para imunizar o país da Covid-19 é quase inacreditável, não fossem os fatos públicos que a confirmam numa série de ocasiões e intervenções inexplicáveis. Começou com o veto à vacina Coronavac chinesa, identificada como um instrumento comunista e de propaganda antidemocrática.

No episódio, Bolsonaro ignorou que a China é a nossa maior parceira comercial, logo, se infiltração comunista houvesse ela não seria desencadeada isoladamente no caso das vacinas, mas sim permanentemente através do comércio entre os dois países.

OBSTÁCULOS –  Depois foi a vez da Pfizer, que ofereceu a venda de quantidade expressiva de vacinas contra o coronavírus e o presidente tentou obstaculizar. No meio do negativismo, surgiu uma vacina indiana cujo fornecimento para o Brasil seria intermediado pela firma Precisa, numa etapa que logicamente dispensa intermediações.

O ministro Pazuello chegou a recusar a vacina chinesa, falando a famosa frase “um manda e o outro obedece”. O caso da vacinação em massa não é um problema do sim e não, mas do problema do viver ou não viver, conforme os números comprovaram.

Agora, o presidente voltou-se contra a vacinação de crianças de 5 a 11 anos e o Ministério da Saúde convocou uma audiência pública, que teve a presença de bolsonaristas, a exemplo da deputada Bia Kicks. Ficou flagrante que o objetivo da chamada audiência pública era contornar a posição de Bolsonaro, sobretudo porque ele poderia se irritar com a iniciativa de apoiar a vacinação em crianças do ministro Marcelo Queiroga.

AUDIÊNCIA – Queiroga se expôs ao ridículo convocando a audiência para apreciar uma decisão técnica da Anvisa. Um dos obstáculos colocados por Bolsonaro era a necessidade de receita médica. Um absurdo completo e total. Impossível de ser atendido pela população a procura de médicos no país dispostos a receitar a vacina, uma obrigação pública.

A dispensa de receita foi aprovada. A matéria está focalizada em reportagens de Raquel Lopes e Matheus Vargas, Folha de S. Paulo de quarta-feira, e no O Globo, por Constança Tatsch, Giulia Vidal e Melissa Duarte. Esperamos agora o início da vacinação infantil. Importantíssimo.

No Rio, o prefeito Eduardo Paes suspendeu os blocos de rua, mas manteve o desfile na Sapucaí, reivindicação da hotelaria da cidade, pois sem as escolas de samba os turistas não têm motivo para vir ao Rio de Janeiro.

INVASÃO – Voltando ao assunto da vacina, verifica-se que há mais de três semanas o site do SUS, do Ministério da Saúde, sofreu uma invasão de hackers, segundo o ministro Queiroga, e ainda não foi restabelecido integralmente. Aí faltam dados que agravam o cenário da pandemia, agora acrescida pelo Ômicron e pela gripe Influenza.

O apagão da Saúde agrava a campanha de imunização. É muito estranho que um bloqueio de um site causado pela invasão de hackers demore tanto tempo para ser restabelecido.

VETO – O presidente Fernando Henrique Cardoso, pouco após assumir em 1995, publicou um decreto que previa renúncia fiscal pela cessão do horário de propaganda partidária no rádio e na televisão. Agora o Congresso Nacional, reportagem de Marianna Holanda e Ranier Bragon, Folha de S.Paulo de ontem, focaliza a decisão presidencial  que vetou a compensação fiscal e o início da reação das emissoras de rádio e TV.

No Congresso, foi desencadeada uma campanha para derrubar o veto do presidente da República. Bolsonaro, como facilmente se constata, praticou mais um erro político logo em sua campanha eleitoral: desagradou suas lideranças no Senado e na Câmara, atingiu as emissoras de TV e rádio e fica evidente no episódio que haverá reflexos na opinião pública.

4 thoughts on “Obsessão de Bolsonaro contra a vacina é quase inacreditável, um desastre eleitoral

  1. Fica difícil elencar todos os barracos promovidos por Bolsonaro.
    O Barraqueiro já interpretou de tudo. É um palhaço sem graça mas merece nosso aplauso pelo esforço. Afinal já se foram três anos e acho que já protagonizou mais de cem barracos.
    Bem que a NETFLIX poderia fazer um seriado.

  2. Não existe adjetivos que classifiquem este cidadão.
    Não sou coveiro.
    E daí.
    Não faço milagres.
    Todos morrem um dia.Tais frase foram ditas por este ser estranho, demonstrando sua total falta de apreço pela vida do outro. Quando se trata da sua própria vida e de seus ignóbeis interesses políticos, gasta o dinheiro Público a rodo e faz livre mostrando suas debilidades, com intuito de causar comoção e com isso, cativar e atrair eleitores. Pelo que se vê, ninguém vai mais neste engodo. Está bebendo do seu próprio veneno.

  3. Essa cronologia contra as vacinas e a favor do Tratamento Precoce, chegou as raias do Absurdo, ação macabra, medieval, porque envolve vidas humanas perdidas para a Covid. Será que essas pessoas Negacionistas insufladas pelo ódio Bolsonarista conseguem dormir com tantos óbitos de Brasileiros?
    E o pior, é que continuam achando que estavam certos, mesmo com os fatos comprovando que as vacinas tiveram dia eficácia, pois hoje, as pessoas vacinadas quando contaminadas pelo vírus, ficam com febre, tosse, mas não são entubadas e internadas em CTI.
    As contaminações por Covid e agora com a variante Omicron, se devem aos 20% que resistem a tomar a Vacina, indo na onda de Bolsonaro e seus médicos asseclas.
    Estou começando a ficar com medo de ir a médicos. Vá lá, que encontro pela frente, um desses Negacionistas? Aí, que fazer?
    Estamos vivendo, um cenário de horrores, que só tem paralelo, no Negacionismo do século 18, quando não queriam tomar a vacina da Febre Amarela. Me parece, que hoje está pior. Conclusão: retrocedemos 200 anos em apenas três anos, sob o regime Bolsonarista.
    Imagine alguém, em sã consciência, se ELE conseguir mais um mandato de quatro anos, o Estrago nas nossas vidas que vão fazer?
    Que paura nos dá esses tempos difíceis.

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