Odebrecht aceitou R$ 120 bilhões para manter esquema de propina do PT

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Charge do Amâncio (Arquivo Google)

Danielle Nogueira e Jeferson Ribeiro
O Globo

Aos olhos de Emílio e Marcelo Odebrecht, a empreiteira da família se envolveu em quatro empreendimentos que não teriam ido adiante se não houvesse tráfico de influência ou se o objetivo não fosse o de alimentar o esquema de corrupção no governo petista, revelam as delações. Juntos, esses investimentos — Sete Brasil, Belo Monte, Arena Itaquera e Porto de Mariel, em Cuba — somam quase R$ 120 bilhões.

Os dois últimos já estão de pé e em funcionamento. Belo Monte deve ser inaugurada em 2019, com quatro anos de atraso. Já o futuro da Sete Brasil é incerto. Criada em 2010 para gerenciar a construção de 28 sondas para o pré-sal e entregá-las à Petrobras, a empresa enfrenta graves dificuldades financeiras. Das 28 sondas, estimadas em US$ 27 bilhões ou R$ 85,6 bilhões, apenas cinco estão em construção. A conclusão depende do plano de recuperação judicial, que será votado em assembleia de credores nesta semana.

MAIS PROPINA – Fontes do setor avaliam que, no caso da Sete Brasil, são fortes os indícios de que a criação da companhia visava a irrigar o sistema de propina da Petrobras. Em outubro de 2009, a Petrobras chegou a enviar cartas-convite a estaleiros para que participassem da licitação das duas primeiras sondas, segundo documento ao qual o Globo teve acesso. Pouco tempo depois, o leilão foi cancelado, e a Sete foi criada para intermediar as encomendas.

A Enseada Paraguaçu (BA), que pertence à Enseada Indústria Naval, empresa da qual a Odebrecht é sócia, foi erguida para atender a Sete. Hoje em recuperação extrajudicial, a Enseada também tem como sócios a OAS e a UTC, ambas investigadas pela Lava-Jato, e a japonesa Kawasaki. De acordo com fontes, a Odebrecht não tinha interesse na construção das sondas, tamanha sua complexidade, mas queria operá-las. Por isso, acabou aderindo à sociedade da Enseada.

“Era um jogo de cartas marcadas, para favorecer aqueles que aceitavam entrar no esquema de corrupção” — diz um ex-executivo de um estaleiro que foi barrado na licitação.

BARUSCO E FERRAZ – O núcleo duro da Sete era comandado por João Carlos Ferraz e Pedro Barusco, ex-executivos da Petrobras que estão entre os primeiros delatores da Lava-Jato. Barusco já devolveu mais de R$ 180 milhões aos cofres da estatal. Ele é apontado como uma pessoa-chave no petrolão, com tentáculos que se estendiam à Sete. De acordo com delatores, enquanto as diretorias e a propina da Petrobras eram divididas com PMDB e PP, na Sete os recursos iam direto para o PT, num esquema sob coordenação de João Vaccari, ex-tesoureiro do partido.

O modelo de negócios da empresa, que pretendia encomendar sondas com 55% a 65% de conteúdo nacional, foi questionado por Marcelo Odebrecht em sua delação. A política de conteúdo local havia sido uma promessa de campanha do ex-presidente Lula para reativar a indústria naval. Executivos e especialistas do setor dizem que a política em si não era um problema. Mas questionam o fato de o Brasil não ter experiência na construção de sondas, usadas na fase exploratória, quando é preciso perfurar poços e dimensionar reservas.

“A Coreia do Sul, país que lidera a construção desses equipamentos, trabalha com índices de conteúdo local de 35% a 40%. Faria sentido termos um índice de conteúdo local de 20% talvez, jamais de 60% ou 65%” — disse Maurício Almeida, presidente da Associação Brasileira de Engenharia de Construção Onshore, Offshore e Naval (Abecoon) e sócio da Sigma Consultoria.

DIZ A SETE BRASIL – Segundo a Sete Brasil, sua atual direção, que assumiu em maio de 2014, “tem todo o interesse que os fatos em apuração pela Lava-Jato sejam esclarecidos”. A empresa informou que as cinco sondas em construção têm conteúdo local médio de 58%. A Petrobras não comentou.

Com dívida superior a R$ 19 bilhões, a Sete Brasil pediu recuperação judicial há um ano. Seus sócios, que incluem grandes bancos como Santander, BTG e Bradesco, além de fundos de pensão de funcionários da Caixa Econômica Federal (Funcef) e Petrobras (Petros), acumulam perdas bilionárias. Em depoimento, Marcelo estimou prejuízo de até R$ 2 bilhões com o projeto. A Enseada Indústria Naval ressaltou, no entanto, que a unidade de Paraguaçu continua operando.

Marcelo Odebrecht também cita a Arena Itaquera e o Porto de Mariel, em Cuba, como projetos nos quais a empresa não tinha interesse e em que teria se envolvido após conversas entre Lula e seu pai. As obras no porto foram feitas pelo grupo Odebrecht para ampliar e modernizar o terminal. O investimento teve financiamento do BNDES de US$ 682 milhões (R$ 2,1 bilhões), com juros entre 4,44% e 6,91% ao ano e 25 anos de prazo de amortização, o mais longo já concedido na linha que financia projetos de engenharia no exterior, segundo dados do site do banco que remontam a 1998. O crédito foi concedido em cinco parcelas, contratadas entre fevereiro de 2009 e maio de 2013.

COM HUGO CHÁVEZ – Em depoimento na Lava-Jato, Emílio Odebrecht conta que teve uma primeira conversa sobre o projeto com o então presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que tinha interesse no porto pelo fato de Cuba ser um governo aliado. Ao responder se Lula teve ingerência sobre o BNDES para liberar o financiamento, Emílio disse que “não tem dúvida” de que isso ocorreu. A suspeita de tráfico de influência de Lula em favor da Odebrecht é alvo de inquérito do Ministério Público Federal em Brasília.

Segundo o BNDES, o prazo de 25 anos para o crédito do porto foi aprovado no âmbito da Câmara de Comércio Exterior (Camex). O banco diz ainda que “a operação contou com cobertura de Seguro de Crédito à Exportação (SCE) para 100% dos riscos políticos e extraordinários” e que a concessão do SCE teve lastro no Fundo de Garantia às Exportações (FGE), tendo sido aprovada pelo Comitê de Financiamento e Garantia das Exportações (Cofig) e pela Camex. O Cofig é o órgão interministerial que avalia financiamento a exportações brasileiras.

Recentemente o BNDES criou uma comissão interna para apurar denúncias feitas no âmbito da Lava-Jato e que constam em duas petições do Supremo Tribunal Federal (STF), mas nenhuma delas está relacionada ao Porto de Mariel.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Cuba não pagará um centavo pelo Porto de Mariel. O peso cubano não vale nada, é mais leve do que uma pluma. Quem pagará tudo será o povo brasileiro. O assunto é explosivo, a Tribuna da Internet está aguardando informações exclusivas a respeito, e vamos entrar no assunto esta semana. (C.N.)

7 thoughts on “Odebrecht aceitou R$ 120 bilhões para manter esquema de propina do PT

  1. Não podemos permitir que o PT continue funcionando. O desgraçado do partido ainda ameaça lançar um candidato para 2018. Viramos palhaços? Não mesmo, eles têm que reembolsar o estado pelo roubo monstruoso e fechar as portas – pra sempre! O mesmo se aplica ao PMDB. E que os ministrecos do STF, protetores de bandidos, não tenham a audácia de tentar proteger os amigos.

  2. Para Monica Moura, a Odebrecht era o Quarto Poder, pois a empresa “pagou todo mundo”. E aqui, a Odebrecht tenta empurra para o PT a responsabilidade e só falta dizer que a empresa “foi corrompida” pelo partido.

    Lorota que não faz a mínima lógica com tudo o que já foi revelado. A corrupção é uma via de mão dupla. Não há inocentes nesta história.

    Mas como o poder econômico esta do lado dos empresários, que pagam e multiplicam os lucros com a corrupção, a maior responsabilidade deveria recair sobre os controladores das empresas.

    Mas não é o que temos visto. Os milhares de trabalhadores das empresas envolvidas amargam demissão, e os controladores saem do processo rindo de nossa cara, e ainda tratados como heróis.

  3. CN,
    Receio que suas análises não são levadas a sério pelo império americano que, tão logo o Brasil iniciou uma estreita parceria econômica com Cuba, os EUA romperam correndo o isolamento da ilha de Fidel imposto por eles mesmos há décadas!

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