Odebrecht e AG pagavam propinas no exterior, diz a força-tarefa

Eduardo Militão
Correio Braziliense

As construtoras Norberto Odebrecht (CNO) e Andrade Gutierrez (AG) pagavam propinas no exterior, num esquema “sofisticado” de desvio de dinheiro da Petrobras. A afirmação foi prestada pelo delegado regional de Combate ao Crime Organizado da Polícia Federal no Paraná, Igor Romário de Paula, e pelo procurador regional da República Carlos Fernando dos Santos Lima, ambos investigadores da Operação Lava-Jato.

Segundo os investigadores, o operador da Odebrecht é o Bernardo Freiburghaus, que fugiu do país e hoje vive na Suíça, e o da Andrade Gutierrez é Fernando Baiano, preso. As ações de hoje envolvem fechar o ciclo apurado na Lava-Jato. Os crimes de cartel e fraude em licitação estão bem delineados na participação das duas empreiteiras, disse Carlos Fernando, conforme antecipou o Correio nas edições de 24 de março e 1º de junho. Agora, disse ele, foi comprovado documentalmente o esquema de corrupção.

Segundo Carlos Fernando, colaboradores indicaram contas bancárias onde o dinheiro foi transferido, para países como Suíça, Mônaco e Panamá. Os valores foram identificados pela grupo de procuradores e policiais federais que atua em conjunto na Operação Lava-Jato.

SEM PRIVILÉGIOS

Para os investigadores, a ação contra as duas gigantes da construção mostram que não há privilégios para criminosos

O delegado Igor Romário estima que as propinas pagas pela Odebrecht e AG tenham chegado a R$ 700 milhões aproximadamente. Apenas os contratos alvos dessa fase da Lava-Jato somam R$ 26 bilhões (sendo R$ 17 bilhões da CNO). Como a taxa de suborno indicada pelos delatores era de 1% a 3%, a corrupção seria de R$ 510 milhões para a Odebrecht e pouco mais de R$ 200 milhões para a Andrade Gutierrez.

Carlos Fernando lembrou que as duas empresas participaram de esquemas de cartel e fraude em licitação também fora da Petrobras, como nas obras da usina nuclear de Angra 3, no Rio de Janeiro.

SALVAR AS EMPREITEIRAS…

O procurador Carlos Fernando destacou que “o governo” quer salvar as empreiteiras e punir apenas os executivos. Segundo ele, o Ministério Público, a PF e a Receita Federal pensam diferente. “Devemos punir todos os responsáveis de acordo com sua responsabilidade, seja civil, improbidade e penal”, afirmou. “Devemos punir todos, isso aqui é uma República. A lei deve valer para todos ou não deve valer para ninguém.”

A Odebrecht e a Queiroz Galvão lideravam o cartel e empresas junto com a UTC para combinar licitações, segundo depoimento inédito de um dos donos da Engevix Gérson Almada. Ele afirmou que as obras eram divididas em reuniões marcadas por Márcio Faria, da Odebrecht, Ricardo Pessoa, da UTC, e Othon Zanoide, da Queiroz Galvão.

8 thoughts on “Odebrecht e AG pagavam propinas no exterior, diz a força-tarefa

  1. Isso já se sabe há décadas. A Mendes Junior, por exemplo, fazia isso na época de seus canteiros de obras aqui e no Iraque, quando nosso embaixador em Bagdá era um general e o Sarney estava na presidência. O Helio Fernandes foi o campeão dessas denúncias, todas nos anos 80 censuradas pelos jornalões, rádios e TVs, engavetadas e não investigadas prá valer. Agora, pelo menos se começa a trabalhar. Resta saber se agora é à vera ou vai ficar no “deixa isso pra lá…eu não estou fazendo nada…”, como no passado.

  2. Li esta notícia no site do JB:

    Ministro da Justiça contesta ‘abuso de poder’ do juiz Sérgio Moro
    Cardozo demonstra irritação com a tese de Moro sobre risco de corrupção no programa de concessões

    Pela primeira vez desde o início da Operação Lava Jato, que já atingiu praticamente todas as grandes construtoras brasileiras, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, decidiu se posicionar contra o juiz Sergio Moro, do Paraná.

    Em entrevista à jornalista Célia Froufe, do Estado de S. Paulo (leia aqui), Cardozo contestou a tese apresentada por Moro para prender os empresários Otávio Azevedo e Marcelo Odebrecht, presidentes da Andrade Gutierrez e da Odebrecht, as duas maiores construtoras do País.

    Segundo Moro, a prisão dos empresários se fez necessária, entre outras razões, porque o governo não proibiu sua participação em futuras licitações. Assim, haveria o risco da repetição de práticas corruptas.

    “As empreiteiras não foram proibidas de contratar com outras entidades da administração pública direta ou indireta e, mesmo em relação ao recente programa de concessões lançado pelo governo federal, agentes do Poder Executivo afirmaram publicamente que elas poderão dele participar, gerando risco de reiteração das práticas corruptas, ainda que em outro âmbito”, argumentou Moro, no despacho em que prendeu os dois empresários.

    Abuso de poder

    Segundo Cardozo, se o governo federal seguisse a lógica do juiz paranaense, estaria cometendo um crime: abuso de poder. “Eu diria que seria claramente ilegal e inconstitucional qualquer ato administrativo que, sem um processo que se garanta o contraditório e a ampla defesa, afastasse de licitações as empresas”, disse ele. Ele argumentou que não se trata de uma decisão governamental afastar ou não empresas investigadas pela lei. “Se um ato administrativo afastar empreiteiras apenas investigadas, sem direito à defesa, será revisto pelo Poder Judiciário e será abuso de poder por parte da administração pública”,afirmou. “O Judiciário seria o primeiro a nos punir por isso.”

    Cardozo também demonstrou irritação com a tese de Moro sobre risco de corrupção no programa de concessões. “Este plano de concessões é fundamental para o País. Ele é fundamental para o desenvolvimento econômico e social e será realizado com absoluta transparência, com absoluta lisura, acompanhado por todos os órgãos de fiscalização”,afirmou. “Teses que possam utilizar esse lançamento para indicar qualquer situação ilícita, não podemos aceitar”.

    Desde o início da Operação Lava Jato, mais de 100 mil empregos foram perdidos no setor de construção. Três empresas, OAS, Galvão e Alumini, entraram em recuperação judicial. Sem crédito, a Mendes Júnior praticamente paralisou as obras do Rodoanel, enquanto a UTC demitiu um terço de seus funcionários. Neste sábado, a agência Moody’s anunciou que deverá rebaixar a classificação de risco da Odebrecht e da Andrade, duas empresas com forte atuação no exterior.

    Ou seja: mesmo sem ter proibido a participação de construtoras brasileiras no programa de concessões, o governo terá dificuldades para encontrar investidores nacionais dispostos a participar do plano de investimentos.

    Como um burro e incomPTente abra a boca para falar isto. Como pode defender estas construtoras que ganharam bilhões de reais coma corrupção. Dizem para não misturar as empresas com os dirigentes. No fundo as empresas e os dirigentes são uma única coisa. Uma coisa não funciona sema outra parte.

    Gostaria de perguntar a este idiota, em vez de ficar falando merda não vai solucionar o caso da amante do Barba , Brahama. Que se arrsta há muito tempo e até hoje não teve solução.

    • Tem toda a razão, ele deveria estar atrás dos inúmeros crimes que o Pizzolato cometeu em sua fuga. A lei de licitações ( 86663/93) prevê para esses casos multa de 20% do valor da obra e a suspensão do direito de fornecer ao Estado durante 2 anos. Acobertador.

  3. Se advier alguma manobra para salvar as empreiteiras corruptas, o arcabouço jurídico do país desmorona. No inconsciente coletivo do povo ficará claro que o crime compensa. As pessoas honestas terão a sensação de que agiram como bobas a vida toda e que o certo é mamar nas tetas gordas do Estado.

    Quanto mais ilícitos, mais a certeza da impunidade, pois sobrarão recursos para pagar os advogados de alto escalão, aqueles mesmos que no Mensalão protagonizaram o espetáculo teatral egolátrico perante os ministros da Corte Constitucional. Alguns não conseguiram a absolvição de seus clientes, mas estão todos cumprindo prisão domiciliar.

    Se persistirem e se tornarem realidades os rumores que rondam o cenário contra as ações moralizadoras do juiz Sérgio Moro, podem estar certos de que o país sairá desmoralizado perante o palco das nações. A partir da salvação de executivos e de empreiteiras corruptas deverão ser abertas todas as trancas das cadeias do país, até para ser cumprido o preceito constitucional, cláusula pétrea, da ISONOMIA de tratamento.

  4. Vai chegar mais dinheiro desviado que se encontram em contas na Ásia, sem contar com os documentos do Itamaraty, que vão mostrar as andanças de bebum pela África. Não esqueçamos que a PF encontrou 54 diamantes com o Ceveró e Angola, para tanto a Rose ia, é o um dos maiores produtores, Coisa de amantes…

  5. MARCELO ODEBRECHT, PRESIDENTE DO GRUPO ODEBRECHT, PRESO NA LAVA JATO
    Em 01.02.2010 o jornal O Estado de São Paulo publicou uma entrevista com o mesmo, em que foi publicado: “ Empresário de opiniões fortes, Marcelo fala sobre sua relação com o pai e o avô, corrupção e ligações com o governo”.
    Entrevista publicada na página N6, do Caderno Negócios. Tenho a página do jornal impresso no meu arquivo.
    Manchete da entrevista: BOTA QUEM TEM CULPA NA CADEIA (FRASE DE UMA RESPOSTA DELE, MARCELO)

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