Oito lambões mantiveram a lambança

Carlos Chagas

Uniram-se os oito deputados distritais de Brasília incursos no inquérito do mensalão do DEM, responsável  pela prisão de um governador e a renúncia de dois parlamentares. Sem exceção, os flagrados botando dinheiro podre no bolso e na bolsa e os que conseguiram fugir das câmeras, todos votaram em Rogério Rosso para ocupar o governo local até 31 de dezembro. Como a vitória do candidato do PMDB deu-se por  treze votos, a conclusão surge óbvia: os oito lambões decidiram a parada.

Importa pesquisar por que. Teriam obtido garantias do novo governador de que não serão incomodados? De que tudo continuará como nos tempos do indigitado, preso e renunciado ex-governador José Roberto Arruda? Manterão seus feudos de influência no Distrito Federal, fortalecidos na tentativa de reeleição?  Vão continuar recebendo aqueles pacotes de milhares de reais como compensação por sua fidelidade?

Quanto a Rogério Rosso, sabe-se que ocupou importantes funções nos governos de Joaquim Roriz e de José Roberto Arruda, os dois maestros da corrupção que abalou a capital federal. Há quem  diga que Roriz, quatro vezes governador, inclinava-se pela candidatura de Wilson Lima,  governador em exercício até as dez horas da manhã de hoje. Há dúvidas, apesar da certeza de que foi traído. De qualquer forma, o palco parece montado para  mais uma pantomima, a ser encenada nas eleições diretas de outubro. Roriz lidera as pesquisas. Tudo continuará como anda há décadas, a não ser…

A não ser que o Supremo Tribunal Federal, dentro de poucos  dias, vote a intervenção federal em Brasília, suspendendo a ação dos poderes Executivo e Legislativo locais.  Com o suposto  interventor  mandando agilizar inquéritos e processos.

Campanha para valer?

Surgem sinais de que tanto José Serra quanto Dilma Rousseff  acordaram e começam a preparar seus  programas de governo. Porque até agora são candidatos postados frente ao espelho, preocupados apenas com suas imagens. Estaria na hora de anunciar o que pretendem, noves fora chavões como “poder fazer mais” ou “continuar a obra do Lula”. Do que o eleitorado quer saber é de seus planos concretos para enfrentar mil e uma questões que assolam o país, do aumento da criminalidade e da violência à recuperação do sistema de saúde pública, das reformas tributária e agrária, das realizações em infraestrutura e quanta coisa a mais?

Não  basta que  Dilma cite o PAC ou que Serra reconheça acertos no atual governo. É preciso detalhar e particularizar.

Expectativa no Itamaraty

Fervilham os corredores do Itamaraty na antecipação dos rumos não propriamente da política externa brasileira, mas da escolha dos personagens em condições de executá-la.

Corre que se José Serra for eleito, escolherá entre Rubens Barbosa e Sérgio Amaral o futuro chanceler. Já  Dilma Rousseff teria como favorito Marco Aurélio Barbosa. São especulações, que nem por isso deixam de ser feitas.

Uma decisão maior também precisará ser esclarecida: o futuro presidente manterá a  diretriz adotada pelo presidente Lula, de escolher na carreira diplomática o seu ministro de Relações Exteriores? Ironicamente, Serra parece mais próximo de continuar na linha adotada por Fernando Henrique Cardoso e pelo Lula. Dilma já não seria assim tão ortodoxa.

Amuado e afastado

José Sarney anda cheio de amuos diante do presidente Lula, menos porque o primeiro companheiro arrancou do vice José Alencar o sacrifício de não se candidatar em outubro, de forma a substituí-lo em suas viagens ao exterior, mais porque o PT do Maranhão insiste na candidatura própria em vez de apoiar a reeleição de Roseana Sarney.

O ex-presidente não fazia questão de reocupar momentaneamente o palácio do Planalto, mas exige que para o bom andamento da aliança PMDB-PT, o partido do Lula recolha os flaps e apóie sua filha. Caso contrário, o Maranhão se juntará a Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e outros estados onde o PMDB se vê atropelado pelo PT nas escolhas de candidatos a governador.

Poder de fogo José Sarney possui, ainda que raramente acione  suas baterias. Mas vai um aviso: Michel Temer que se cuide…

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