Onde os horizontes são nuvens foragidas…


O político, médico, pintor, tradutor, biógrafo, ensaísta, romancista e poeta alagoano Jorge Mateus de Lima (1893-1953) mostra que como o andarilho descobriu que não conhecia a “Tarde Oculta no Tempo”, onde os horizontes são nuvens foragidas.
TARDE OCULTA NO TEMPO
Jorge de Lima
O andarilho sem destino reparou então
que seus sapatos tinham a poeira indiferente
de todas as pátrias pitorescas;
e que seus olhos conservavam as noites e os dias
dos climas mais vários do universo;
e que suas mãos se agitaram em adeuses
a milhares de cais sem saudades e amigos;
e que todo o seu corpo tinha conhecido
as mil mulheres que Salomão deixou.
E o andarilho sem destino viu
que não conhecia a Tarde que está oculta no tempo
sem paisagens terrenas, sem turismos, sem povos,
mas com a vastidão infinita onde os horizontes
são as nuvens que fogem.
         
          (Colaboração enviada por Paulo Peres – site Poemas & Canções)

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