Opções de Dilma: recessão ou dólar nas alturas e juros idem

Vicente Nunes
Correio Braziliense

Diante da farra fiscal nos últimos quatro anos, Dilma Rousseff terá que decidir o tamanho da fatura que jogará no colo da sociedade para tirar o país do atoleiro em que se encontra. Há duas opções em jogo, diz o economista Tony Volpon, da Nomura Securities: impor uma recessão ao Estado, o que nada mais é do que um ajuste fiscal consistente; ou deixar que os agentes econômicos façam o serviço sujo, jogando os preços do dólar nas alturas e forçando o Banco Central a elevar os juros. Nesse caso, a recessão atingirá em cheio as empresas e os trabalhadores. E, com certeza, a conta será bem mais salgada.

Na opinião de Volpon, não haverá escapatória. “A deterioração das contas públicas chegou a tal ponto, que qualquer saída será difícil. O que fará a diferença será o tamanho do custo. Ou seja, a decisão está com o governo”, diz. Para ele, a sensação que se tem hoje, ante os primeiros sinais emitidos por Dilma, é de que “alguma coisa vai ser feita”, mas nada muito contundente. Isso só piora a situação, pois agrava a onda de desconfiança que varre o país.

“A presidente falou em fazer o dever de casa, mas não tem a credibilidade que precisa para reverter o pessimismo. Por isso, a sensação de que se elegeu um Aécio Neves piorado”, complementa.

CORTAR GASTOS

Para o país, seria muito melhor que o governo cortasse gastos e desse um arrocho severo na máquina pública. Se, num primeiro momento, a economia sentiria o tranco, em seguida, a confiança seria retomada e o setor privado trataria de impulsionar o crescimento. Dessa forma, os empregos seriam preservados e, com certeza, o ano de 2016 estaria salvo.

“O primeiro ano do segundo mandato de Dilma já está comprometido. O que se tem que decidir é se terminaremos 2015 em situação de começarmos 2016 bem ou mal”, assinala. “Não podemos ter uma repetição de 2014 para 2015”, acrescenta.

Pelo raciocínio de Volpon, os agentes econômicos não serão complacentes com Dilma, devido aos erros que ela cometeu no primeiro mandato. Ele ressalta que não é o mercado financeiro que está punido a petista reeleita, mas o empresariado, responsável pelos investimentos produtivos que movem o Produto Interno Bruto (PIB). Em 2002, quando havia uma desconfiança do que seria um governo Lula, o mercado realmente fez o estrago ao jogar o dólar para R$ 4. Mas, neste ano, a moeda norte-americana andou comportada em boa parte do tempo, a bolsa de valores acumulou valorização por um bom período e os juros futuros cederam. Os investimentos produtivos, contudo, estagnaram, jogando a economia na recessão.

META INATINGÍVEL

A tendência mais provável, no entender do economista da Nomura, é de que o governo faça um mix de cortes de gastos com aumento de impostos. Mesmo assim, será impossível atingir a meta mínima de superavit primário de 2% do PIB prevista na proposta de Orçamento da União de 2015. Sendo assim, o melhor é que Dilma saia do país das fantasias e anuncie, claramente, o tamanho do ajuste que o governo fará no ano que vem. Que seja de 0,5% ou 1% do PIB. Mas que seja consistente, sem truques, sem mágicas, sem maquiagens. Ninguém aguenta mais tanta insegurança quanto aos rumos da economia.

 

10 thoughts on “Opções de Dilma: recessão ou dólar nas alturas e juros idem

  1. Como é que é?? Se elegeu um Aécio piorado !! Aécio piorado,deve ser opinião deste Vicente,não é? O economista não iria falar esta besteira,não é? Se o Aécio passou 3 meses da campanha,falando dos problemas econômicos deste País, e já com um ministro da fazenda engatilhado,não é justo ou admissível,na visão deste paquiderme, o Aécio seja só, um pouco melhor que a Dilma. O Aécio meu caro jornalista é de qualidade infinitamente superior a esta anta de duas patas, alias, se brincar quase todos candidatos eram melhores, é evidente que a Luciana Genro,tá fora. Vicente,você provavelmente é um vermelho cor de rosa,com saudades do Lula lá safado da vida

    • De acordo Sr. Walter.
      Aécio é infinitamente mais preparado do que essa presidente sem neurônios.
      Anda atrás de um ministro da Fazenda que salve o governa dela, e não encontra.
      O país atolado numa recessão, com as contas que não fecham , o governo anda querendo modificar a lei da responsabilidade fiscal.No Congresso, quem comanda essa palhaçada é o indefectível senador Romero Jucá.

  2. Esse jornalista é tao fhc que sonha com a volta dos tempos tucanos, com juros de 45% e inflaçao roçando os 13%. Esses anos nunca mais, nem contas CC 5, nem Pasta Rosa, nem Sivam, nem compra de Reeleição, nem engavetamento de 375 inqueritos contra Presidente e Ministros, nem PIB brasileiro na 16° posiçao no cenario mundial, nem lucrinho na Petrobras, Banco do Brasil e Caixa, nem salario minimo de 50 dolares, nem limtes da irresponsabildade, nem Diretor da Pol cia Federal dizendo “que tinha o homem em sua mao”, o Brasil exportando menos que uma Argentina, 60 bilhoes por ano
    Esses tempos nunca mais.

  3. A maior tarefa do futuro Ministro da Fazenda do Governo DILMA/TEMER é restabelecer a CONFIANÇA. É por isso que é necessário um Nome de grande experiencia e prática no Mercado. O Ministro GUIDO MANTEGA há quase 9 anos no cargo, fez um bom trabalho ( manteve baixo o DESEMPREGO, e a INFLAÇÃO dentro do teto da Meta), tanto que DILMA foi re-Eleita, mas o natural Desgaste pede um Sucessor.
    Resgatada a CONFIANÇA através de um respeitável e extenso Curriculum Vitae, o futuro Ministro da Fazenda deverá manejar a Política Fiscal ( reduzindo a Despesa Pública até o possível, e aumentando Impostos de Consumo, tendendo a eliminar a longo prazo o pesado Deficit do Gov. Fed. de 5% do PIB); a Política Monetária, ( mantendo-a levemente Expansiva): a Política Cambial, ( Desvalorizando o Real em relação ao US$ Dollar até +- 3 Reais por 1 US$ Dollar para ajudar a reativar a nossa Indústria e criar Superavit Comercial). Tudo isso calibrado para o País não entrar em Recessão, e mantendo a INFLAÇÃO dentro da Meta.
    O Brasil é um País ainda com muitas Fronteiras de Desenvolvimento, com muitas Potencialidades, um grande Povo de 210 Milhões de Habitantes (portanto um grande Mercado), e tem condições de executar com sucesso a difícil Tarefa.

  4. Sei não…

    No momento, a presidente está mesmo mais para dona de casa como aventou a leitora, senhora Dorothy…

    Enquanto não se conhecer o ministro que tomará as rédeas da economia do condomínio Brasil, não há como se esperar nada, partindo da dupla economista Dilma + Guido Mantega que, no barato, deixaram o país de ponta-cabeça…

    • Vale a pena assinalar que o banqueiro Luiz Carlos Trabuco, do BRADESCO já foi convidado mas recusou, pois deverá substituir o banqueiro Lázaro Brandão, que este ano faz 65 anos, e deverá ser substituído por Trabuco, no Conselho de Administração do banco.

      Outros nomes cogitados são os do ex-secretário executivo do ministério da Fazenda, Nelson Bastos, e Joaquim Levy – ex-secretário do Tesouro Nacional – na gestão de Antônio Palocci, coimo ministro da Fazenda.

      Pelo visto, fica mesmo, como “coringa”, o nome de Virgílio Tombini.
      Deve continuar no Banco Central ,,, ou ser indicado para a Fazenda.

      Resumo da ópera: procura-se um ministro da Fazenda… Dilma diz que amanhã.6a.feira, no máximo, o Brasil vai ter um nome anunciado.
      Vamos aguardar…

  5. Uma única certeza bem clara para mim:
    – NÃO HÁ A MINIMA CHANCE DE SOLUÇÃO COM A PRESIDANTA NO PODER! É IMPOSSÍVEL!

    A única saída institucional é a ascensão de Michel Temer a PRESIDENCIA, para isso é necessário um impeachment ou uma quase impossível renuncia da PRESIDANTA ou algum envento imponderável! Por muito menos Getúlio Vargas deu um tiro no próprio peito mas esse tipo de decisão corajosa e até certo ponto honrosa não existe mais nos governantes sem vergonha na cara de nossos dias.

    Paradoxal é o PMDB! Ao mesmo tempo é parte do problema mas é a única solução institucional para o impasse que se aproxima cada vez mais inexorável. A única certeza é que com o PT e principalemente com a Dilma não há solução possível, porque antes de mais nada a solução para se evitar uma ruptura institucional é politica e se houver essa ruptura ninguém tem mínima idéia das consequências.

  6. Acredito que qualquer que fosse o presidente eleito, os problemas seriam os mesmos, inflação acima do teto da meta, dólar nas alturas e baixo crescimento.
    Aos tucanos de plantão, sim sou petista e acho que qualquer atitude da presidenta deve ser feita com parcimônia afinal todo mundo enche a boca pra culpar o governo pelo seu total desgoverno diga-se de passagem mas acho que ninguém quer ficar desempregado vítima do efeito colateral medidas austeras que causam arrocho salarial, recessão e desemprego. Acredito que a presidenta eleita mostra disposição a enfrentar essa situação ao escolher uma equipe econômica de mercado.

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