Operação da PF investiga venda de sentenças no TJ da Bahia e esquema de grilagem de terras

Dois juízes e quatro desembargadores já foram afastados

Aguirre Talento
O Globo

A Polícia Federal deflagrou operação nesta terça-feira, dia 19, contra quatro desembargadores e dois juízes do Tribunal de Justiça da Bahia suspeitos de envolvimento em um esquema de venda de decisões judiciais e grilagem de terras. Dentre os alvos está o atual presidente do TJ da Bahia, desembargador Gesivaldo Nascimento Britto.

A operação foi autorizada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) e da PF. O STJ também determinou o afastamento dos quatro desembargadores e dois juízes do exercício de seus cargos. Dentre os afastados está o presidente Gesivaldo Britto.

MANDADOS – Cerca de 200 policiais federais estão cumprindo 40 mandados de busca e apreensão e quatro de prisões contra pessoas ligadas ao esquema. Magistrados tiveram pedidos de prisão negados.

A investigação do caso começou com suspeitas do envolvimento do presidente do TJ-BA em um esquema de grilagem de terras no oeste da Bahia, caso que também está sob apuração no Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Em petição ao CNJ, o deputado Valtenir Pereira, da Comissão de Agricultura da Câmara, afirmou que “mecanismos sistêmicos de grilagem (…) resultam na manipulação e inserção fraudulenta de dados nos registros públicos de terrenos rurais com vistas ao desapossamento de mais de trezentos agricultores”.

DECISÕES ILEGAIS – Segundo a petição, o presidente do TJ-BA tem designado juízes para as comarcas da região com o objetivo de obter decisões ilegais em prol do esquema de grilagem.

Em nota, a PGR informou que “as informações já reunidas no inquérito revelaram a existência de um esquema de corrupção praticado por uma organização criminosa integrada por magistrados e servidores do TJ-BA, advogados e produtores rurais que, juntos, atuaram na venda de decisões para legitimar terras no oeste baiano. O esquema envolve ainda o uso de laranjas e empresas para dissimular os benefícios obtidos ilicitamente”.

MOVIMENTAÇÕES – Segundo a PGR, a suspeita é que a área objeto de grilagem supere 360 mil hectares — o equivalente a 360 mil campos de futebol. Houve bloqueio de bens no valor total de R$ 581 milhões, após terem sido detectadas movimentações financeiras suspeitas do grupo investigado. 

4 thoughts on “Operação da PF investiga venda de sentenças no TJ da Bahia e esquema de grilagem de terras

  1. -É impossível existir o crime organizado, no nível do brasileiro, sem que haja o envolvimento de magistrados “GARANTISTAS”, cabeças estrategicamente posicionados para GARANTIR a liberdade dos membros da facção quando a polícia prender. São quadrilhas e famílias
    de “juristas” quee estão há décadas nas entranhas do Estado e nos bolsos dos contribuintes, protegidos por leis que eles mesmos fizeram.

    -Agora, se eu ou você amanhã resolvermos competir com essas organizações e formarmos a nossa própria quadrilha, confiantes na impunidade reinante, passaríamos o resto da nossa vida na cadeia, longe da compaixão dos “garantistas” e o nosso processo ficaria empoeirado em alguma prateleira.

    -Os “garantistas” detestam concorrência!

  2. “..Houve bloqueio de bens no valor total de R$ 581 milhões”! Caramba, esta bagatela na mão dos magistrados e sabe-se lá mais de quem. Impressionante a capacidade desta gente de ludibriar, enganar, sorrateiros, uma quantia desta magnitude! Cada vez mais venho com meu lero, lero, da nossa inviabilidade.

  3. E pra completar tem o envolvimento de representante do consulado da Guiné Bissau no Brasil aquele país do Theodoro Obiang aquele que o filho de mesmo nome passou pelo Brasil as vésperas da eleição com um avião carregado de dinheiro e relógios caros. Será pura coincidência?

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