Organização Globo defende os juros altos para se beneficiar

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Charge do Ivan Cabral, reprodução da Charge Online

Mauro Santayana

Balanço da Rede Globo, divulgado nesta semana, dá conta de que, embora seu faturamento com publicidade de TV aberta tenha caído no ano passado, o lucro foi de mais de 3 bilhões de reais, graças  principalmente ao rendimento de juros de aplicações financeiras.

Que fique, então, bem claro, o motivo por que, quando os apresentadores de seus telejornais reclamam da queda da taxa Selic ou do fato de este índice não ter subido na reunião do Copom (Banco Central), pondo a culpa na pressão e na “interferência” do governo, ou chamam, com frequência, “analistas” para defender, em entrevistas, a autonomia do Banco Central, eles não o fazem porque estão preocupados com os espetaculares espectadores que a assistem.

A maioria dos telespectadores não tem dinheiro para aplicar no mercado financeiro, embora eles paguem indiretamente (via governo) altíssimos juros com os seus impostos. Portanto, os apresentadores da Globo estão simplesmente agindo em defesa dos interesses e das aplicações da própria empresa, OK???

18 thoughts on “Organização Globo defende os juros altos para se beneficiar

  1. Verdade!
    E os governos petistas, de Lulla a Dillma, não apenas os mantiveram elevados como os elevaram, mais ainda.
    E ai, quem está errado e quem está certo?
    A Globo defende seus interesses e o PT, Lulla/Dillma defendem os de quem?
    Quem sabe culpamos a Globo pelo roubo na Petrobrás?
    Tem coisas que nã mudam. Tem gente que não tem cura, cara e simancol!

  2. UÉ?

    Então basta a Dilma baixar os juros para 1%…

    …ao ano!
    E a Globo tomará um baita prejuízo!
    Ou será que a Dilma está governando para a Rede Globo?

  3. A Globo passou incólume pelos 13 anos do PT no governo. Agora reclamam de que? Poderiam ter derrubado
    a globo, como os milicos fizeram com a TUPI.

  4. Santayana, como todo comunista, é também dotado de poucas luzes.
    Se os juros altos vão ao encontro dos interesses da Rede Globo, e o governo não os diminui, ao contrário, das duas uma:
    Ou é a Globo que manda neste País ou Lula e Dilma trabalham para a rede plim plim!
    Então o PT, a Globo, Lula e Dilma, conspiram contra o Brasil, razão pela qual este ódio e ojeriza que os petistas FALSAMENTE têm contra a Globo não passa de pantomima, teatro dos absurdos!
    Santayana desvenda de maneira indiscutível a campanha contra os Marinho, que significa quanto mais a organização é comentada, mais audiência ganha, evidentemente!
    Obrigado, prezado articulista, por esta informação.

  5. Lula e os filhotes também estão rindo á toa. Nenhum deles gera um mísero emprego. Lula não usa os 27 milhões nem para abrir uma mísera padaria. Todo o dinheiro está aplicado em títulos do governo . Ele e os filhotes são também grandes beneficiários das altas taxas de juros !

  6. Wagner, meu caro,
    Santayana culparia o capitalismo internacional e as crises que o sistema fomenta para lucrar!
    Evidentemente que não abordaria ter sido Lula e Dilma que escolheram os diretores a dedo para roubar a estatal, enriquecer o partido e locupletar a cúpula partidária petista que, durante muitos anos, viveu em cópulas constantes!
    Um abraço.
    Saúde e Paz!

    • E desdizer os R$26,0 bilhões de prejuízo que a empresa teve em 2014 por conta da Operação Lava Jato?! Impossível, Bendl.

      Grande abraço!

  7. Quanto maior a credibilidade de um governo, mais baixos os juros.

    Sem responsabilidade fiscal, não há promessa de não juraumento que se sustente.

    Calote 1: inflação descontrolada.

    Calote 2: devo, não nego, pago quando puder e como quiser.

    Cerbasi não confia na renda fixa e nos índices oficiais e prefere dividendos.

    Globo vive de anúncios, chantagens e poderio de informação manipulada e cultura empobrecida, invejado e mal copiado por Edir Macedo.

    Agem em conjunto contra o Brasil.

    Mas os Marinhos e Macedos são hoje mais populares do que os petistas.

  8. O messianismo revolucionário de Lula e o império da lei

    O País tem sido abalado nos últimos dias, no âmbito político, por episódios desconcertantes e tumultuosos.

    Após o protesto pacífico e ordeiro de milhões de brasileiros, no dia 13 de março último, em centenas de cidades de norte a sul do País, contra o PT e seu governo, a presidente Dilma Rousseff decidiu nomear Lula Ministro da Casa Civil, ante a eminente prisão deste pelas autoridades que conduzem a operação Lava Jato.

    O gesto, uma afronta aos brasileiros que foram às ruas manifestar-se e um desacato às instituições do Estado de Direito, tinha a óbvia intenção de fazer Lula escapar do império da lei. E, de lambuja, dar um golpe de Estado, entregando o governo ao ex-presidente, num descarado 3º mandato sem eleição.

    Se dúvidas houvesse, elas caíram por terra com a revelação ao País das gravações legais feitas durante as investigações a Lula, e tornadas públicas pelo Juiz Sérgio Moro a pedido do Ministério Público Federal.

    Fogo cerrado contra a Lava Jato
    A seqüência de eventos deixou o Brasil estarrecido. As inúmeras gravações expuseram as entranhas de um estilo pouco ortodoxo de governança, e revelaram o caráter autoritário e desrespeitador de pessoas e de instituições do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

    Abaladas e acuadas, as hostes do lulo-petismo, fora e dentro do governo, desencadearam com grande estridência um ataque cerrado às autoridades que conduzem as investigações. Com a colaboração de certo jornalismo “a soldo” e com o aval de uma verdadeira tropa de choque de “juspetistas”, para utilizar a expressão de Amauri Saad, Mestre em Direito pela PUC de São Paulo, a Lava Jato passou a ser o alvo.

    O mais alarmante foi perceber que o novo Ministro da Justiça deu o tom, ao proferir ameaças muito pouco institucionais à Polícia Federal e ao investir contra o Ministério Público e a Justiça, denegrindo institutos, como a delação premiada, prevista na legislação. Não menos alarmante foi constatar que até um Ministro do STF, em afronta à Lei Orgânica da Magistratura, engrossou o coro desvairado.

    Tal investida levou o jornal O Estado de S. Paulo (21.03.2016) a afirmar, em seu editorial, expressivamente intitulado “Não é a Lava-Jato que está fora da lei”, que o PT mostra ser capaz de ir longe em sua perversa retórica: “Diante dos avanços da Operação Lava Jato, o partido não tem se contentado em dizer que o que fez não foi ilegal ou que seu líder e seu séquito não são criminosos. Apregoam abertamente a ideia de que os criminosos estão do outro lado do balcão. Nessa tresloucada visão, os contrários à lei seriam a Polícia Federal, o Ministério Público e o Poder Judiciário – muito especialmente o juiz da 13.ª Vara Federal de Curitiba, Sergio Fernando Moro”.

    Movimentos de índole justiceira e revolucionária
    Mas, afinal, qual o motivo de tão grande escândalo por Lula ter que prestar contas à Justiça? Por que esses ataques tresloucados partem precisamente daqueles que pregam a igualdade absoluta entre os homens e, portanto, perante a lei? Parece contraditório.

    Habitualmente os projetos revolucionários apregoam a insurreição (pacífica ou violenta) contra alguma ordem ou forma de poder legítimos, apresentados como “opressores”.

    Deturpando ou exagerando o alcance de certas falhas ou vícios existentes, os movimentos revolucionários denigrem a própria natureza da ordem ou da autoridade legítimas contra as quais investem, vituperando-as como iníquas na sua essência; ao mesmo tempo mistificam o lado impoluto e quase sagrado da índole justiceira e revolucionária de que se revestem.

    Muito frequentemente, uma máquina revolucionária assim erige um líder carismático como “encarnação” de seus ideais, deificando-o num misticismo perigoso e fanático. Na Revolução Francesa, por exemplo, Robespierre, conhecido como “O incorruptível”, tornou-se o ditador sanguinário durante a fase do Terror.

    Furacão da “ética” em nome dos “pobres”
    O bordão “nunca antes neste País” (até risível por alguns aspectos) passou a ser a síntese perfeita da “revolução” petista, encabeçada por Luiz Inácio Lula da Silva, o operário simples vindo das profundezas do Brasil.

    Tudo precisava ser varrido, sob o efeito de um furacão da “ética” e em nome dos “pobres”: desde a História, às elites; desde as instituições do Estado e da sociedade ao sistema político; desde as leis e dos costumes à educação; desde a economia às relações diplomáticas. E até a imensa máquina corrupta que se incrustou no coração do Estado, e que sorveu bilhões de reais ao País, nada mais era do que a fonte material deste projeto revolucionário “redentor”, que se deveria estender para fora do próprio Brasil e que aqui se deveria perpetuar no poder.

    “Intelectuais”, próximos à esquerda petista, sustentaram até que aceitar a pecha de corrupção para os atos ilegais e criminosos de seus líderes (qualificados por eles de “erros”) seria admitir a lógica da moralidade burguesa.

    O “messias” revolucionário intocável
    Desconhecendo profundamente a alma brasileira, após treze anos, o projeto petista de poder gerou inconformidade, agastamento e, por fim, a fúria de parte crescente da população. Milhões saíram às ruas, sempre de modo pacífico e ordeiro, a exigir: “Queremos nosso País de volta”.

    Restou ao lulo-petismo o apoio de certos intelectuais, artistas, burgueses endinheirados, sindicalistas, militantes de “movimentos sociais”, jornalistas… ah! e de eclesiásticos próximos ao progressismo e ao esquerdismo ditos católicos.

    Toda esta gente esperneia de modo virulento ao ver o chefe máximo de sua “revolução” cair nas malhas da Justiça. Afinal o “messias” do projeto revolucionário é, por definição, intocável.

    Para melhor compreender esta perspectiva, convido os leitores do Radar da Mídia a conhecer o excelente artigo de Moacir Alencar, Mestre em Ciência política, pela Universidade Federal de São Carlos, publicado na revista Amálgama (11.03.2016). Abordando alguns dos recentes episódios envolvendo o ex-presidente Lula e os “abalos sísmicos” provocados no mundo do lulo-petismo, o artigo se intitula “O messianismo político e a mistificação petista”:

    “Quatorze anos. Este é o tempo que o PT está completando em 2016 no Palácio do Planalto. Em seu quarto mandato consecutivo, o partido atravessa sua fase mais crítica e dramática no poder. O lulopetismo está sob pressão, e o cenário atual deixa claro que o segundo mandato de Dilma marcará uma virada de página na funcionalidade de nossas instituições republicanas.

    Amparado por um discurso e uma propaganda eloquente, que construiu uma ideia de que o Brasil nasceu apenas em 2003, com a chegada de Lula ao poder, o PT criou em torno de sua órbita a imagem falaciosa de que apenas seus dirigentes são os legítimos representantes e a encarnação do povo brasileiro.

    Ao promover a mistificação e criar um país de ficção nas propagandas político-partidárias, e ao mesmo tempo deslegitimar o processo democrático e a alternância de poder, o PT esqueceu há muito o projeto de Brasil e apenas se preocupou com o projeto de perpetuação sobre o controle da máquina pública, utilizando-se de mecanismos nefastos e hoje elucidados e conhecidos de todos: a corrupção institucionalizada, consagrando o presidencialismo de transação, exemplificados no Mensalão e no Petrolão.

    Desde o início da Operação Lava Jato, no início de 2014, considerando dados atualizados até 8 de março de 2016 pelo Ministério Público Federal, já ocorreram mais de 627 manifestações, 118 buscas e apreensões, 108 quebras de sigilo fiscal, 128 quebras de sigilo bancário, 101 quebras de sigilo telefônico, 2 quebras de sigilo telemático, 1 quebra de sigilo de dados, 12 sequestros de bens, 4 sequestros de valores, 42 instaurações de inquéritos, 7 denúncias, 21 denunciados, 94 investigados, 4 prisões preventivas e R$78 milhões repatriados.

    A reeleição de Dilma veio acompanhada de uma realidade diferente da ficção petista nas eleições: cortes orçamentários, repasses e recursos da União e Estados postergados, inflação fora do teto da meta, aumento de impostos, retração do crescimento da economia por tempo indeterminado e o aumento do desemprego, sem contar a cúpula do governo petista mergulhada no olho do furacão das investigações por corrupção, caso do ex-presidente Lula e ministros do governo.

    As oposições passaram a ser vistas pelos porta-vozes do petismo – que se encontram incrustados nas mais variadas esferas do Estado brasileiro – como algo incômodo, perturbador, capaz de ameaçar o “curso pacífico das transformações sociais”. E as investigações que atingem diretamente o Palácio do Planalto são categoricamente ridicularizadas e desqualificadas pelo PT e pela própria presidente, que abandona o cargo para ir acariciar a cabeça do investigado Lula em São Bernardo do Campo, em um gesto de subserviência ao criador e de profunda irresponsabilidade para com o povo brasileiro.

    Em 4 de março, após a condução coercitiva de Lula para depor diante da Polícia Federal, o petismo mostrou que é capaz de tudo para defender seu líder messiânico; e Lula, sabendo de seu messianismo diante da militância, irresponsavelmente conclamou o séquito para a “guerra santa”. Tentar tripudiar e triturar todas as instituições que buscam “dessacralizá-lo” e mostrá-lo como um dos maiores responsáveis por este esquema de corrupção será sua “tônica de batalha”. Para isso vale tudo, até mesmo rasgar a Constituição e buscar foro privilegiado como ministro no Titanic comandado pela pior presidente da história da República.
    Conforme destaca o historiador búlgaro Tzvetan Todorov, em Os inimigos íntimos da democracia, embora invoque o ideal de igualdade e liberdade, o messianismo político tem um objetivo final que lhe é próprio (estabelecer o equivalente do Paraíso na Terra), assim como meios específicos para alcançá-lo (Revolução e Terror). Em sua busca por uma salvação temporal, essa doutrina não reserva nenhum lugar a Deus, mas preserva outros traços da antiga religião, tais como a fé cega nos novos dogmas, o fervor nos atos que lhe são úteis, o proselitismo dos fiéis, ou a transformação de partidários caídos em combate em mártires, figuras a adorar como se fossem santos. As tentativas de impor um culto ao Ser supremo e de instituir uma festa para celebrá-lo resultam da mesma tendência.

    Hoje, o que é paraíso para o PT, é inferno para a população brasileira. Não precisamos de líderes messiânicos, ainda mais corruptos. Não precisamos de falsos mártires, que se autodenominam jararacas e são tratados como “guerreiros do povo brasileiro” por um séquito doentio e tresloucado. O país não é o PT, e incompetência e irresponsabilidade têm limite.”

    ESCRITO POR JOSÉ CARLOS SEPÚLVEDA DA FONSECA | 22 MARÇO 2016

    http://radardamidia.blogspot.com

  9. Lembrando rentistas, remeto ao último artigo de Barbosa Lima Sobrinho.

    Mais que o luto, a contínua luta:

    Vivamos intensamente Hélio Fernandes

    http://www.heliofernandesonline.blogspot.com.br

    Recordemos e prossigamos sempre Barbosa Lima Sobrinho

    Alexandre José Barbosa Lima Sobrinho (1897-2000)

    Alberto Dines

    Antes de tudo, um jornalista: foi advogado, deputado, ideólogo do álcool-combustível, constituinte, governador de Pernambuco, líder da resistência à ditadura, historiador e acadêmico.

    Aos 13 anos já escrevia no jornal da escola, no Recife. Em 1919, tornava-se profissional no Jornal de Recife. Desde 1921 no Jornal do Brasil: primeiro como noticiarista, depois redator político e em 1924, redator-chefe. Em 1926 tornou-se presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) – voltaria em 1929 e depois em 1960, até a sua morte.

    Em 1927 começou a escrever uma coluna dominical no Jornal do Brasil mantida praticamente sem interrupções ao longo de 73 anos. Seu último artigo, “A exclusão da classe média” [veja abaixo], foi publicado no dia em que faleceu, domingo, 16 de julho.

    Dr. Barbosa confessava aos íntimos que queria chegar até o dia 22 de janeiro de 2001: assim poderia dizer que viu três séculos – o 19, o 20 e o 21.

    Foi além: de patriarca da imprensa passou a um dos patronos. Junto com o seu biografado, Hipólito José da Costa Pereira Furtado de Mendonça, o criador e único redator do Correio Braziliense. Imortal não porque fosse membro da Academia Brasileira de Letras, mas porque tornou-se exemplo de dedicação à profissão ao longo de 81 anos. Como militante, como historiador, como teórico e, sobretudo, como seu intransigente defensor.

    O segundo livro, O problema da Imprensa (1922, reeditado pela USP em 1988) permanece atual. A reedição coincide com a fase adoidada do nosso jornalismo, quando as redações eram tomadas de assalto por bandos predadores. O prefácio que este Observador escreveu há 12 anos para a reedição encerrava-se assim:

    […] Com figuras desta estatura, com um lastro desta envergadura, com trajetórias assim – harmoniosas e consistentes – é fácil desvendar aos angustiados a inspiração para a continuidade e, aos pessimistas, o ânimo para recomeçar.

    O ÚLTIMO ARTIGO
    Barbosa Lima Sobrinho

    “A exclusão da classe média”, copyright Jornal do Brasil, 16/7/00

    “A igualdade é pressuposto básico da democracia, que, sem ela, não tem condições de sobreviver. Parece primário, mas a tese é ampla e, com oportunidade, pode ser colocada na atualidade do Brasil. Segundo estudo recente do Bird (Banco Mundial), existe entre nós uma espécie de desesperança crônica que prejudica o desenvolvimento sustentável e, de certa forma, enfraquece a democracia.

    Na última edição da revista Veja, o colunista Sérgio Abranches, em artigo intitulado Pessimismo econômico, traz números que deveriam contradizer essa desesperança. Mas ele mesmo reconhece que existe um sentimento de mal-estar econômico tão real quanto a queda da inflação. Que esse desconforto vem do medo do desemprego, das dificuldades para saldar compromissos, da frustração de planos de consumo. Seu artigo finaliza com algum otimismo, dizendo que aos poucos os brasileiros voltarão a ter melhores perspectivas. Uma conclusão com a qual não posso concordar integralmente, sobretudo diante de um governo atual tão distante e indiferente à opinião pública. A longo prazo, números podem resolver e apenas parte da questão. Para a reversão de expectativas para um futuro melhor são necessárias algumas mudanças fundamentais na condução da política econômica. A desesperança não é gratuita e remonta a várias turbulências em que se jogou a nação.

    A verdade é que não se pode simplesmente esquecer o passado. Desde o golpe de 64, o país vem sofrendo alternâncias de crises, de confiscos e desilusões. Depois de toda a opressão imposta pelo regime militar, os brasileiros sofreram uma série de golpes frustrantes na economia, desde a crise do México, a moratória, os planos Cruzado, Bresser, Verão, Collor, fechando o ciclo com a desvalorização cambial do ano passado. E tudo isso dentro de duas décadas de atraso, onde o PIB cresceu apenas pouco mais de 0,2% ao ano. Nossa distribuição de renda agravou-se ainda mais, a ponto de ser considerada uma das piores do mundo. Serão explicações razoáveis?

    A meu ver, como já escrevi em artigo do mês passado, ocorreu uma espécie de deterioração do sentimento de nacionalidade. Admito também, agravada por uma ruptura nas regras do jogo cooperativo entre os três parceiros da economia: os trabalhadores, os empresários e o governo. É nesse sentido o artigo do deputado Delfim Netto, publicado no jornal Valor (11.07.00), que afirma: ‘É preciso construir instituições que, sem prejudicar a eficiência, garantam aos trabalhadores uma realidade participativa, uma faceta fundamental da aspiração por ‘igualdade’ que persegue o homem. A sobrevivência da democracia exige que eles se percebam parte integrante e respeitada do processo de crescimento da sociedade e não seres alienados para os quais o desenvolvimento material e a liberdade são irrelevantes.’ A seguir afirma ser preciso dar ao cidadão perspectivas de cooperação como parceiros, de liberdade criativa e de relativa igualdade. Essas funções seriam das empresas, mas cabe ao governo criar o ambiente estimulador para esse novo conjunto de regras, o que permitiria a competição sem a perda da perspectiva. E termina seu artigo com um alerta: ‘Crescimento pela competição num regime democrático é o nome do jogo. Mas é preciso cuidado e sensibilidade, porque o fundamentalismo mercadista pode fazer muita coisa, mas não pode garantir a relativa igualdade entre os indivíduos, um valor que eles jamais deixarão de perseguir.’

    Vou além e acrescento que para essa tarefa de administração do jogo não se pode contar com o atual governo, não só pela sua falta de sensibilidade, como também pelo fato de ser ele, o governo, o principal foco de desestabilização economico-social. O que concorre para tanta desilusão não são só os espetáculos a que estamos assistindo de corrupção, impunidade, irresponsabilidade generalizada. A perda do sentimento de nacionalidade tem muito a ver com a desnacionalização da nossa economia, com a invasão de empresas estrangeiras, numa espécie de demonstração prática de que o brasileiro é incapaz de gerenciar e produzir, devendo se restringir apenas à função de rentista, como se dizia no século 19.

    Todo esse processo provocou a exclusão da classe média do debate e do cenário econômico. Mandaram-na deixar suas empresas para mãos mais eficientes e que fosse viver de aluguel. O governo atual, com essa política, sinalizou com clareza que o Brasil não terá grandes empresas de expressão internacional, não terá suas multinacionais. Não estará aí, justamente nessa política de alienação patrimonial, uma das principais razões da desesperança e do pessimismo atual do brasileiro?

    Por tudo isso, quando leio ou ouço esses apanágios antigos do liberalismo como o do Estado fraco, da globalização, da mão invisível, fico imaginando qual será a reação da opinião pública quando afinal acordar e perceber que lhe tiraram tudo e sequer restou o aluguel. Será que teremos de esperar e pagar para ver chegar esse momento trágico? Não será melhor que, sobretudo como obrigação da maior parte dos formadores de opinião, se comece logo a reagir e a defender os legítimos interesses nacionais?”

  10. Não leio o que o tal do Santayana tenta escrever. Ele é um petista camuflado. Dizem que redigia os discursos do Tancredo Neves e que seria o porta-voz oculto. O pobre do Tancredo foi para o céu achando que o Santayana dá azar. Uma espécie de Fafá de Belém de calças. Por que será que ele não comenta a roubalheira oficial na Petrobrás, o apetite por dinheiro do família Da Silva e os maus modos da Dillma?

  11. 90% do tal “prejuízo” da Petrobras não existiu. Foi por “impairment”, ou desvalorização sibjetiva de ativos que estão no fundo dos poços. O preço do petróleo flutua. Se subir amanhã para a cotação média dos ´-últimos 10 anos, o tal “prejuízo” da Petrobras desaparece. O problema é que a atual diretoria quer ser mais realista do que o rei, e multiplicar o “prejuízo” existente para justificar o esquartejamento e a venda a preço de banana dos ativos da empresa.

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