Os adversários ajudam, e Jair Bolsonaro ganha cada vez mais espaço no noticiário.

Carlos Newton

O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) é um parlamentar de muita sorte. Suas eleições são tranquilas, não precisa gastar muito dinheiro, o eleitorado militar e da ultra-direita é muito fiel, e assim ele já conseguiu eleger toda a família. De início, a primeira mulher; e, depois, os filhos, vereadores ou deputados estaduais no Rio.

Está sempre no noticiário, tem senso de oportunidade, provoca polêmicas propositadamente, faz tudo para se promover, e os adversários ajudam. Ontem, por exemplo, o Conselho de Ética da Câmara decidiu instaurar processo contra ele, por quebra de decoro parlamentar. A representação é de autoria do PSOL.

A primeira denúncia é pela entrevista concedida ao programa “CQC”, da TV Band, em março passado. Ao ser questionado pela cantora Preta Gil sobre qual seria a reação dele se seu filho se apaixonasse por uma negra, o parlamentar respondeu: “Preta, não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Eu não corro esse risco e meus filhos foram muito bem educados. E não viveram em ambiente como lamentavelmente é o teu”.

A segunda denúncia foi a briga entre Bolsonaro e a senadora Marinor Brito (PSOL-PA), na Comissão de Direitos Humanos do Senado. Após a retirada do projeto que criminaliza a homofobia da pauta de votação, enquanto a relatora da proposta, Marta Suplicy (PT-SP), concedia entrevista à imprensa, Bolsonaro exibiu um panfleto contra a ampliação dos direitos dos homossexuais, o que irritou Marinor, que chegou a bater na mão do deputado. Marinor tentou impedir que Bolsonaro exibisse o panfleto e o chamou de homofóbico, o que acabou resultando em discussão.

“Não se está querendo impor limites ao direito de livre expressão. Entretanto, exprimir-se livremente carrega um dever: o de não incorrer em prática de crime contra a honra, ou seja, não praticar injúria, calúnia ou difamação”, diz a representação.

Sérgio Brito (PSC-BA), relator do caso, já informou que deve apresentar uma relatório preliminar sobre as acusações no próximo dia 29. Ele sinalizou que deve considerar a representação apta. A partir daí, Bolsonaro terá dez dias para apresentar sua defesa. Depois, o relator terá mais 40 dias úteis para preparar seu relatório final e mais dez para apresentá-lo ao conselho.

Ou seja, serão cerca de 60 dias úteis até o término do processo, com ampla publicidade da imprensa. É tudo que ele queria. Bolsonaro é casado com uma mulata, cujo pai é negro. Vai ser dificil condenar o deputado por racismo.

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