Os crimes ocorridos durante a ditadura militar precisam ser debatidos com serenidade

Carlos Frederico Alverga

Esse assunto requer serenidade para sua análise, o que é muito difícil de se obter. O fato é que os militares têm razão quando alegam que deveria haver um representante das Forças Armadas, para que a Comissão da Verdade tivesse um mínimo de eqüidade e isonomia na sua composição.

Na Comissão de Mortos e Desaparecidos, criada no Governo FHC, havia um representante das Forças Armadas. Se o objetivo é o de identificar os militares e membros da repressão que participaram da tortura oficial, se não há o intuito de punir penalmente ninguém, tendo em vista a Lei da Anistia que recentemente teve ratificada sua constitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, creio que é uma iniciativa justa, por parte dos militares, instituir uma comissão para investigar os crimes cometidos pela guerrilha urbana e rural da extrema esquerda entre 1964 e 1985.

Até também deveriam apurar os delitos perpetrados pelo terrorismo da extrema direita, incluindo os atentados contra as bancas de jornais, contra a OAB e o episódio do Riocentro, além do próprio atentado contra a Tribuna da Imprensa em 81.

Agora a anistia foi bilateral e recíproca, e, em termos penais, não há que se falar em punição. Porém, no âmbito civil, creio que pode se obter compensação na Justiça em termos indenizatórios por parte das famílias dos desaparecidos.

Quanto aos crimes da extrema esquerda, recomendo a leitura do livro “Combate nas trevas”, do historiador Jacob Gorender, que é um levantamento isento e minucioso de todos os delitos cometidos por ambos os lados, extrema esquerda e extrema direita, principalmente os dois últimos capítulos, magistrais, intitulados “A violência do opressor” e a “A violência do oprimido”.

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