Os desafios de Dilma e seu isolamento

Gaudêncio Torquato

Gilberto Carvalho, ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República, tem assumido mais o papel de exorcista do que o de ex-seminarista ao fazer periódicas avaliações da presidente, que despacha a poucos metros dele, no Palácio do Planalto. O ministro acaba de “exorcizar” mais alguns demônios que perseguiram a mandatária nos últimos quatro anos, dentre eles “a falta de diálogo com os principais atores na economia e na política”, que teria gerado pouco avanço em demandas dos movimentos sociais.
A senadora Marta Suplicy também atirou no coração do governo, simbolizado pela área econômica, para a qual defende uma nova equipe capaz de resgatar “a confiança e a credibilidade” e comprometida com “a estabilidade e o crescimento”.

Causa perplexidade o fato de o canhonaço partir de integrantes do grupo comandado pela maior liderança do PT, o ex-presidente Luiz Inácio. Sobra a hipótese de um sinal amarelo aberto no semáforo lulista, espécie de aviso para que a presidente Dilma mude os rumos do governo, a partir de reforma profunda na economia e de maior envolvimento com a esfera política e a sociedade organizada. A mandatária precisa substituir as cartas de seu desgastado baralho.

CENTRALIZADORA

Tratando-se da presidente, pelo que se ouve e se sabe, emerge um perfil de forte personalidade, ciosa de seu mando, centralizadora, atenta aos detalhes, de reações ágeis, em quem os psicólogos poderiam enxergar traços temperamentais mais próximos aos tipos coléricos e sanguíneos e mais distantes dos melancólicos e fleumáticos. Mesmo assim, há de se apostar na hipótese de mudanças, e isso pressupõe alteração na forma de pensar e agir.

A presidente atravessou o primeiro mandato ensimesmada e desconfiada da política. Teve que abrir espaços para partidos e líderes, mas o fez sob o império de prementes conveniências, procurando manter, porém, certa distância dos políticos. Ocorre que, nas democracias representativas, os governos não sobrevivem sem as redes de comunicação com a sociedade. Alguns governantes soçobraram porque se isolaram em seus palácios. Lembre-se de Jânio e de Collor.

ISOLAMENTO

Nossa presidente não pode se ocultar na muralha do isolamento. Principalmente numa quadra em que deverá tomar decisões duras. Deve estar preparada para sentir o governo descer na avaliação popular, manter-se por um tempo nesse nível e, em seguida, recuperar os pontos perdidos. Essa tarefa carece de um duro programa de ajuste na economia, situação que obrigará a governante a evitar a deterioração de seu peso político. Urge ainda considerar que o Brasil passou a conviver com o ciclo das ruas, e é lógico que nessa quadra de ampla locução social os governantes de todas as instâncias não podem estar longe das massas.

Sob essa teia de alterações na fisionomia social e diante de pressões políticas que, a cada dia, se tornam mais agudas, não resta à presidente da República alternativa que não seja a de criar sintonia fina com o clamor das ruas e a “real politik”. (transcrito de O Tempo)

5 thoughts on “Os desafios de Dilma e seu isolamento

  1. OFF: Che Guevara estuprou sua empregada na frente de quatro amigos em sua casa durante uma reunião;
    ( Silêncio dos esquerdalhas)
    -> Asessor de Gleise Hoffman foi acusado por estupro e pedofilia;
    ( Silêncio dos esquerdalhas )
    > Lula falou que tentou estuprar um colega de prisão na cadeia;
    ( Silêncio da esquerda )
    -> Paulo Ghiraldelli falou que Rachel Sheherazad deveria ser estuprada;
    (Silêncio da esquerda)
    -> Isis foram acusados de estuprarem mulheres no oriente médio;
    ( Silêncio da esquerda )
    -> Maria do Rosário defendeu penas mais brandas pra estupradores;
    ( Silêncio da esquerda )
    -> Bolsonaro é acusado de estuprador e se defende com ironia dizendo: “Não te estupro por que você não merece”;
    (O Brasil todo em alvoroço)
    :

    • Ufa! este escapou.
      Ministra Maria do Rosário se cala diante dos inúmeros crimes cometidos pelo pedófilo petista – Nacional – 31 de agosto de 2013 por goias24horas
      A ministra da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, a petista Maria do Rosário Nunes, gosta de dar declarações acusando governos de partidos adversários de crimes. Mas, agora, no caso da prisão de Eduardo Gaievsli, acusado de pedofilia, ela se calou.
      Ministra Maria do Rosário se cala diante dos inúmeros crimes cometidos pelo pedófilo petista – Nacional – 31 de agosto de 2013 por goias24horas

  2. É incrível como na ‘ Corruptalis Brazilis’ uma corrupção pode gerar outra. As empresas amigas do rei ( Quase todas ) estão aproveitando esse enorme onda de denuncias para darem outro golpe nos cofres públicos. Quando ocorre a denuncia, elas rompem unilateralmente os contratos e dão o cano nos salários e demais encargos trabalhistas, deixando as contas para o Estado. Esse fato já está tão comum, que o juiz do trabalho muitas vezes já intima a empresa construtora e/ou prestadora de serviços, junto com o orgão público para qual a empresa trabalhava. Atualment há mais de 20.000 trabalhadores nessas condições na Abreu e Lima e uns 10.000 no Comperj. Será que chegamos ao ponto onde ser denunciado gera lucros? O pior é que os orgãos contratantes nem multam e muito menos declaram essas empresas inidôneas como manda a legislação.
    Para termos uma ideia, o universo dos trabalhadores terceirizados na Petrobras gira em torno de 300.000 trabalhadores.

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